05.09.07
Oneomania: Gastadores Compulsivos – uma doença cada vez mais freqüente
Quando o dinheiro é sinônimo de felicidade e a falta dele se traduz em desamparo e falta de amor, a vida fica realmente trágica.
Muitos são os motivos que levam uma pessoa a comprar: a necessidade, a diversão, os modismos, a importância, o status e o apelo mercadológico do comércio. Mas há quem consuma pelo simples prazer de comprar, de adquirir alguma coisa independente da sua utilidade ou significado.
O ato de comprar indiscriminadamente é uma doença chamada oneomania, que atinge as pessoas caracterizadas como compradoras compulsivas. A oneomania é um distúrbio bastante controvertido do ponto de vista psiquiátrico e psicológico.
Alguns especialistas consideram a oneomania uma doença obsessiva-compulsiva. Nesse caso, a pessoa teria outros comportamentos compulsivos característicos, além de comprar – como contar objetos sem conseguir parar, por exemplo. No caso desses sintomas estarem ausentes, a oneomania é considerada um distúrbio no controle dos impulsos.
Oneomania atinge principalmente as mulheres
Segundo o neuropsicólogo Daniel Fuentes, coordenador de Ensino e Pesquisa do Ambulatório do Jogo Patológico e Outros Transtornos do Impulso (AMJO), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, a proporção é de quatro mulheres para cada homem com a doença.
Os especialistas ainda não sabem precisamente o porquê da oneomania ser mais comum em mulheres, mas acreditam que o motivo está diretamente relacionado a condições culturais. Os fatores que levam a doença a afetar principalmente as mulheres são objeto de estudo da equipe do AMJO.
Para Fuentes, a doença pode estar associada a transtornos do humor e de ansiedade, dependência de substâncias psicoativas (álcool, tóxicos ou medicamentos), transtornos alimentares (bulimia, anorexia) e de controles de impulsos.
A oneomania também emerge para aliviar sentimentos de grande frustração, vazio e depressão. É um desejo de possuir, de ter poder, que fica reprimido. Ao não conseguir dar vazão ao seu desejo, a pessoa sofre uma enorme pressão interna que a leva à necessidade de possuir coisas novas como única forma de prazer, explica a psicóloga Denise Gimenez Ramos, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP.
Os oneomaníacos têm o consumo como vício, assim como um alcoólatra que necessita da bebida. Enquanto está comprando, a pessoa sente alívio e prazer dos sintomas, que passado um tempo voltam rapidamente. O efeito do ato de comprar é semelhante ao de tomar uma droga.
Existe um grupo de 12 passos, nos moldes do AA, que ajuda muito as pessoas com esta compulsão: os Devedores Anônimos. O trecho abaixo foi retirado do site deles:
Nós descobrimos que é uma doença que nunca melhora, somente piora, com o passar do tempo. É uma doença progressiva em sua natureza, que não pode jamais ser curada, mas pode ser detida.
Antes de chegar ao Grupo de D.A., muitos devedores compulsivos se achavam pessoas irresponsáveis, moralmente fracas, ou as vezes, simplesmente “Más”. O conceito do D.A. é o de que o devedor compulsivo é uma pessoa realmente doente que pode se recuperar caso ele ou ela siga, com toda sinceridade, um programa simples, que já provou ser um sucesso para outros homens e mulheres com um problema similar.
Como devedores compulsivos, nós nos enquadramos em padrões de gastos que não satisfazem nossas necessidades reais. Alguns de nós temos deixado de pagar cronicamente nossas contas e dividas, mesmo quando nós tínhamos o dinheiro para pagá-las. Ou nós temos feito pagamentos fielmente para 01 ou 02 credores e negligenciado os outros. Alguns de nós têm simplesmente ignorado nossas dívidas por algum tempo, na esperança de que, de alguma maneira, elas possam ser pagas milagrosamente. Alguns de nós têm sido gastadores compulsivos, comprando coisas de que não necessitamos, e nem queremos. Quando nós nos sentimos carentes, ou que, algo está faltando nós esbanjamos dinheiro em algo que não podemos pagar. Nós gastamos compulsivamente, entramos em dívidas, nos sentimos culpados, prometemos que nunca faremos isto de novo, e apenas repetimos o mesmo ciclo na próxima vez que o sentimento de “não sermos suficiente” aflore. tendo gasto além da conta, nós freqüentemente não tínhamos nada para mostrar no que gastamos, e ficamos nos perguntando para onde foi todo aquele dinheiro. Alguns gastadores compulsivos não estão realmente endividados, mas mesmo assim, são bem vindos ao D.A. O único requisito para ser membro do D.A., é o desejo de evitar fazer dívidas sem hipoteca(garantia).
Alguns de nós têm se tornado empobrecidos compulsivos, permitindo-nos ficar freqüentemente sem dinheiro, batalhando de uma crise financeira para outra. Há ainda alguns de nós que acham quase impossível gastar dinheiro consigo mesmos. A televisão estraga e fica estragada, aquele par de sapatos, pronto para ser aposentado, é obrigado a rodar mais um ano ainda, e até problemas de saúde e dentários não são cuidados.
Esta doença afetou nossa visão de nós mesmos e do mundo à nossa volta. Ela nos levou a acreditar que não éramos “suficientes” – em casa, no trabalho, em situações sociais, em relacionamentos amorosos. Ela também nos levou a crer que não há o suficiente no mundo lá fora para nós. esta doença criou uma sensação de pobreza em tudo o que fazíamos e víamos. Em reação a isso, nós nos recolhíamos para um mundo de fantasias, ficávamos preocupados com dinheiro, e evitávamos responsabilidades.
Quando nós participamos da nossa primeira reunião de D.A., nós estávamos perdidos, por muitas perdas: perda de salário, que havia sido engolido por dívidas e por gastos compulsivos; perda de fé; perda de respeito próprio e paz de consciência; perda de amizades; e algumas vezes de saúde, emprego e família. Muitos de nós buscamos ajuda de vários indivíduos ou organizações, mas sempre acabávamos nos sentido como se ninguém entendesse nosso problema. Nossa solidão fez com que nos recolhêssemos mais e mais em nós mesmos. Nós perdemos a vitalidade e o interesse na vida. Nós não podíamos trabalhar ou cuidar de nós mesmos ou de nossos entes queridos apropriadamente. Alguns de nós achamos que estávamos ficando loucos e outros chegaram a contemplar o suicídio. Esse senso de desespero, ou “chegar ao fundo do poço”, foi nosso primeiro passo em Devedores Anônimos. Nós vimos que nossas tentativas de esquematizar e manipular nossas vidas nunca funcionaram. Nós admitimos que éramos impotentes perante as dívidas. Nós estávamos prontos para pedir ajuda.
Uma outra forma de tratamento que pode trazer grande ajuda é a Terapia Biográfica, um método onde a vida é revista de uma forma panorâmica.
Essencial para o controle desta doença é a organização financeira. Saber quanto se ganha e quanto se gasta é a chave para o controle. Há um site muito bom que permite isto: o money tracking. Um programa excelente (e grátis) criado por um brasileiro, Cristiano Meira Magalhães chamado Planejamento Financeiro também é muito útil para este fim.
Para saber mais sobre o assunto, existem alguns lique eu recomendo:
As Leis do Dinheiro para Mulheres: Como Nossas Mães Nunca Mais, de ELIANA BUSSINGER
Comprando Sua Felicidade, de SUSAN FORWARD traz uma nova forma de ver sua relação com o dinheiro. Uma oportunidade para o leitor avaliar como lida com as próprias finanças. O livro fornece as ferramentas para qualquer um descobrir as bases de sua própria relação com o dinheiro.
Como Combater o Desperdício, da Coleção ENTENDA E APRENDA, o livro explica tudo o que o leitor precisa saber para utilizar melhor os alimentos e os recursos naturais, consumir de forma consciente, reaproveitar o lixo e os resíduos e economizar tempo e dinheiro.
O texto responde a perguntas como: quais os ralos do desperdício em casa, no escritório, no comércio e na indústria? O que as empresas têm feito para diminuir o desperdício de recursos? Onde acontece o desperdício de dinheiro público? Como fiscalizá-lo e combatê-lo? O que são produto ecoeficiente, obsolescência programada e oneomania? Qual a importância da reciclagem, uma atividade que já movimenta US$ 3 bilhões anualmente? O que leva um país a desperdiçar boa parte do PIB (Produto Interno Bruto) com desperdício?
Dinheiro, Saúde e Sagrado, de WALDEMAR MAGALDI FILHO: este livro pretende contribuir para o entendimento de que o dinheiro é, para o ser humano contemporâneo, uma fonte inesgotável de energia e de transformações, além de esperar que ele sirva de estímulo para que os leitores também se interessem pelas implicações do dinheiro, possibilitando a busca de um mundo mais amoroso e integral.
A Energia do Dinheiro, de GLORIA MARIA GARCIA PEREIRA. A proposta deste livro é mostrar o sentido e a prática do dinheiro, as leis naturais, energéticas e econômicas para que o leitor desfrute ao máximo as potencialidades deste novo mundo, cheio de oportunidades estimulantes.

Nomeação: Elisabete Cunha
Encanto



elisabetecunha disse,
9 Fevereiro, 2007 às 10:36 pm
Marcelo: Bom final de semana!!!! Tenho que ir ,pois vou a um shopping fazer umas comprinhas, não ,não é pouco, só vou estourar meu cartão……[ gargalhadas....]aparece!
elisabetecunha disse,
11 Fevereiro, 2007 às 6:20 pm
Marcelo: Tem post sobre Leminski, gosta?? aparece***
Virginia disse,
22 Fevereiro, 2007 às 4:27 pm
Olá, gostaria de saber como posso fazer parte de algum grupo de auto-ajuda, relacionado a este tema (Oneomania), peço que me respondam com a maxima urgencia, Obrigada.
Marcelo Guerra disse,
27 Fevereiro, 2007 às 2:55 pm
Virgínia, procure o Devedores Compulsivos, no Rio. No grupo de Terapia Biográfica (ver o tópico O Processo de Ser) você pode encontrar ajuda, mas não é específica para o tema.
marcia disse,
8 Março, 2007 às 2:33 am
ola gostaria de saber como posso fazer parte de algum grupo de auto ajuda visto que moro numa cidade do interior peço ajuda rel ao tema oneomania com a maxima urgencia
Marcelo Guerra disse,
8 Março, 2007 às 11:49 am
Márcia, entre em contato com Devedores Anônimos. http://www.devedoresanonimos-rj.org/informacoes.html
vitoria disse,
28 Abril, 2007 às 8:25 pm
Excelente ideia !!Sou oneomaníaca e não sabia que já tinha rótulo,grupo ,etc… Sério,este vício é pior que qq outro :
-Deixei de fumar,após 30 anos de tabaco.
-Deixei o café.
Deixei de roer as unhas após 44 anos de vida…sou super controlada em tudo.
Mas com isso apareceu um novo escape….as compras…
Vou procurar ajuda já!!!!!BJJJJJJJJJJ.
Bibiana disse,
13 Junho, 2007 às 2:58 pm
ahhhhhhhhh por favor. to fazendo um trabalho e preciso de um depoimento, mais algumas informações sobre esse assunto (:
me mandemm por e-mail. POR FAVOR!!!
e sempre importante colaboração
bjo
Nefertith disse,
28 Setembro, 2007 às 9:58 pm
Amigo
cheguei a frequentar um grupo de DA´por algum tempo mas as regras do AA aplicadas me deixam ainda mais deprimida pois falam em “falha de caráter”…
já sofro o suficiente por não conseguir me controlar – em algumas situações, não todas… – pra, ainda por cima, carregar a pecha de “mau carater”..
foi demais pra mim…
grata
um abraço
Nefer
Marcelo Guerra disse,
29 Setembro, 2007 às 12:26 pm
Nefer, o curso Tecendo o Fio do Destino tem como um dos seus objetivos trazer à consciência os motivos que levam alguém a ter um comportamento compulsivo. Leia mais em http://tecerdavida.wordpress.com/
Por enquanto, só está definida a realização do curso em Nova friburgo, mas em breve definirei as outras cidades. Coloque o endereço do blog entre seus favoritos e fique de olho. Um grande abraço,
Marcelo Guerra