6 agosto, 2010
Depressão pós-parto em homens
RACHEL BOTELHO
A depressão pós-parto masculina é pouco conhecida até entre os profissionais da área, mas isso não significa que seja rara. Do início da primeira gestação da mulher até o bebê completar um ano, um a cada dez homens tem a doença.
O dado é de uma revisão de 43 estudos, com 28 mil participantes, que acaba de ser publicada no “Jama”, periódico da Associação Médica Americana. Outros estudos apontam que, entre as mulheres, a taxa de depressão é de 15% a 20%.
A metanálise revela também que o período entre o terceiro e o sexto mês de vida do bebê é o mais crítico para os homens. Nessa fase, 25% deles sofrem de depressão.
Por outro lado, os três primeiros meses após o nascimento são os menos problemáticos, quando apenas 7,7% dos pais desenvolvem depressão.
“Nesses meses, a vida é muito corrida. O homem só começa a se dar conta do que está acontecendo depois do terceiro, quarto mês”, acredita a psicóloga Fátima Bortoletti, que atende casais durante o pré-natal e o pós-parto no setor de obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Na opinião dela, a taxa pode ser ainda mais alta -nos EUA, por exemplo, chega a 14%.
Vários fatores que coincidem nesse período podem funcionar como gatilho da depressão masculina, segundo o psiquiatra Joel Rennó Júnior, coordenador do Pró-Mulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
“Muitos homens sentem-se inseguros em relação aos cuidados com o bebê e à disponibilidade de tempo necessária para ter uma participação ativa na criação do filho. Alguns não conseguem entender as mudanças da mulher em relação à sexualidade e à forma como vê seu corpo na gravidez”, afirma.
A situação econômica, frente às novas necessidades familiares, também os preocupa. Por fim, sentimentos de rejeição e exclusão são comuns entre os pais novatos.
Como resultado, uma parcela dos homens compete com o bebê pela atenção da mulher, outra ignora o filho e há os que tentam afastar a mãe dos cuidados com a criança ou que buscam relações extraconjugais.
A pesquisa reforça ainda a existência de correlação entre depressão masculina e feminina. “A mulher precisa da proteção do pai do bebê. Se ele passa a maior parte do tempo fora, a desproteção vem acompanhada do sentimento de abandono, que desencadeia a depressão feminina”, diz Bortoletti.
Como o trio familiar funciona de modo integrado, o desequilíbrio afeta todos. “A depressão masculina prejudica automaticamente a mãe, e o bebê é uma esponja emocional. Se seu parceiro está deprimido, ela fica insegura, irritada e passa isso para a criança, que pode ter problemas de aleitamento e dar mais trabalho”, completa.
Fonte: Folha de São Paulo
18 março, 2008
Aprendendo com o Destino – Oficina Biográfica

“Destino?
Agulha no palheiro
onde o homem se procura
O tempo inteiro”
Lindolfo Bell
Cada um de nós nasce com um destino, não como um livro previamente escrito em que cada ato nosso está previsto, mas como uma missão a nós confiada. Isto faz com que a vida tenha um sentido e, muitas vezes, sofremos com angústia ou depressão por não percebê-lo claramente. Os fatos de nossas vidas estão aí para que encontremos o Fio do Destino que, junto com o nosso livre arbítrio, tece os acontecimentos tanto no nosso mundo interior quanto na nossa vida nas comunidades em que vivemos.
Esta oficina tem o objetivo de buscar o fio do destino de cada um, desembaraçá-lo, tecê-lo de forma diferente, mais confortável, mais de acordo com o sentido que queremos dar para nossas vidas. Para isso trabalharemos com fatos de nossas próprias vidas. Este trabalho será feito com palavras e arte, como modelagem em argila, desenho, contos de fadas, teatro, dança, etc. Ninguém precisa ser artista para participar, é claro.
Muitas das questões que nos colocamos hoje são percebidas de modo diferente quando as situamos no contexto mais amplo da vida toda. A troca de experiências de vida num grupo é enriquecedora e suaviza os sentimentos ligados a essas experiências.
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Através de modelagens em argila de fatos da própria vida, procuramos estabelecer um contato com lembranças que trarão luz à situação que vivemos agora.
(fotos do Curso Tecendo o Fio do Destino, realizado na Escola do Vale, em Duas Barras) |
| O compartilhamento de experiências permite a reflexão sobre nosssas vivências através da luz lançada pela biografia do outro. É pela reflexão que podemos estabelecer um plano próprio de ação para mudarmos as nossas histórias. | ![]() |
A Oficina Biográfica será coordenada por Marcelo Guerra, Médico Homeopata, Terapeuta Biográfico em formação. Acontecerá no Centro de Convivência Morgenlicht, localizado em Barra Alegre (Bom Jardim, RJ) de 31 de julho a 3 de agosto de 2008 em ritmo de imersão. As atividades serão realizadas no amplo deck com vista para as belíssimas montanhas da região, e no salão de trabalho octogonal que proporcionam um ambiente acolhedor e prazeroso para o trabalho interior que é a tônica desta Oficina Biográfica. O investimento será de R$1.050,00 para os inscritos até 30 de junho; R$1.200,00 para os inscritos em julho. O valor total pode ser dividido em até quatro cheques, sendo que a 1ª parcela será paga no ato da inscrição. As vagas são limitadas e as inscrições e mais informações podem ser obtidas pelo telefone (22) 8112-4983 ou pelo e-mail marceloguerra@terapiabiografica.com.br
O investimento inclui:
- Translado de ida e volta do Rio de Janeiro e Niterói para o local
- Hospedagem em apartamentos duplos ou triplos;
- Café da manhã, Almoço, Jantar da Cozinha Vibracional (preparados com vegetais colhidos na horta orgânica, carnes brancas e latícinios e produtos da região) e 2 Coffee Breaks;
- A participação nas oficinas;
- Material para uso nas oficinas;
- Duas sessões de acupuntura;
- Fricções terapêuticas;
- Atividades de integração do grupo;
- Conhecer gente interessante (isto não tem preço!)
- Você só precisa arrumar as roupas na mala e abrir sua caixa de lembranças…
Atividade física melhora qualidade de vida em mulheres com fibromialgia
Maria Vianna, especial para O Globo Online
RIO – Um estudo realizado na Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo comprovou que
uma rotina de exercícios físicos ajuda a elevar a qualidade de vida em mulheres com fibromialgia. A doença, que atinge quatro milhões de brasileiras, é caracterizada por
dores no corpo, fadiga incapacitante e distúrbios de sono.
As pacientes que participaram da pesquisa da USP tinham em média 46 anos, e durante o programa não puderam tomar nenhum tipo de medicamento. As mulheres foram
submetidas a testes periódicos de esforço cardiopulmonar, avaliação da dor pela escala analógica visual e por dolorimetria, aparelho que mede a intensidade da dor.
- Houve uma piora da dor nos três primeiros meses, mas após esse período a recuperação foi significativa, com melhora da
capacidade funcional e da qualidade de vida. Já sabíamos que o condicionamento físico é benéfico para pacientes com
fibromialgia, mas não havia um estudo que definia como deveria ser a freqüência, intensidade e duração ideal dos treinos
- destaca a cardiologista Lívia Maria dos Santos Sabbag, uma das coordenadoras do estudo.
Segundo o estudo, o ideal é praticar exercícios como caminhada, bicicleta ou natação durante uma hora, três vezes por
semana, por no mínimo seis meses. A médica sugere o acompanhamento de um fisioterapeuta ou profissional de educação
física que conheça o assunto, já que a dor pode ser difícil de suportar no início.
A fibromialgia acontece na proporção de 20 mulheres para cada homem e está associada a baixos níveis de serotonina no
organismo. A doença pode se manifestar em qualquer idade, mas é mais comum em pessoas com idades entre 40 e 60
anos. Alguns médicos acreditam que a fibromialgia predomina em mulheres com um grau elevado de ansiedade e
perfeccionismo. Tensão e estresse prolongado podem incentivar o aparecimento da doença. Embora sem cura, os sintomas
podem ser controlados com medicamentos, acupuntura, massagens, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.
15 outubro, 2007
Homeopatia e Fibromialgia
A Homeopatia é uma das modalidades de tratamento mais eficazes no tratamento da Fibromialgia, e seu efeito é muito aumentado quando associada à Acupuntura. Na maioria dos casos de Fibromialgia há uma história de traumas e sofrimentos emocionais persistentes, e muitos autores consideram esta doença uma parte de uma doença maior, a Depressão. Assim, a Homeopatia agiria exatamente sobre a causa, que é a Depressão, reduzindo os sintomas e melhorando o humor, trazendo bem estar para o paciente. A Fitoterapia, tratamento com plantas medicinais, também tem mostrado eficácia, tendo algumas plantas atingido grande sucesso, como a erva-baleeira, embora precisem de mais estudos para comprovar sua eficácia.
11 setembro, 2007
“Tristeza não é doença”
>> Esta semana, a Revista Época publicou uma entrevista que reflete um comentário que fiz há algum tempo no blog Encanto, da Elisabete Cunha.
Sociólogo americano diz que a psiquiatria transformou um sentimento normal em um problema médico
por SUZANE FRUTUOSO

Ficar triste dói. o sentimento pode ser passageiro ou durar muito tempo. Mesmo nesses casos, não significa que ele só possa ser superado com remédios, diz o sociólogo americano Allan V. Horwitz. O livro que lançou nos Estados Unidos em julho, The Loss of Sadness: how Psychiatry Transformed Normal Sorrow into Depressive Disorder (A Perda da Tristeza: como a Psiquiatria Transformou a Tristeza Comum em Desordem Depressiva), em parceria com o psiquiatra Jerome Wakefield, é uma tentativa de alertar sobre o que considera um excesso de diagnósticos de depressão.
ÉPOCA – O que significa a “perda da tristeza” que dá nome ao livro?
Allan V. Horwitz – Tristeza é a resposta normal a perdas que sofremos na vida. Agora se tornou comum chamá-la de “depressão”. Algo normal foi transformado em doença. A cultura dos antidepressivos transformou em doença dificuldades que fazem parte da vida.
ÉPOCA – Segundo calcula a Organização Mundial da Saúde (OMS), 121 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. O que o senhor acha desse número?
Horwitz – É uma estimativa muito elevada. A OMS usa os sintomas da tristeza, que até podem ser os mesmos da depressão, sem considerar o contexto do acontecimento que deixou a pessoa triste. Incluem na mesma estatística quem sente uma tristeza normal e quem realmente é depressivo.
ÉPOCA – Que sintomas caracterizam a tristeza e a depressão?
Horwitz – Segundo o manual de diagnósticos da psiquiatria (DSM-4), se cinco sintomas de uma lista de nove durarem mais de duas semanas, os médicos dizem que há depressão. São eles: perda do humor; perda de interesse por atividades prazerosas; ganho de peso ou perda de apetite; insônia ou excesso de sono; agitação ou apatia; cansaço; sentimento de culpa e baixa auto-estima; dificuldade de concentração e de decisão; pensamentos recorrentes sobre morte ou tentativa de suicídio.
ÉPOCA – Então, qual é a diferença entre tristeza e depressão?
Horwitz –Ficamos naturalmente tristes pelas perdas do dia-a-dia, como de um relacionamento amoroso, de um emprego, de uma notícia de que seu estado de saúde não é bom. Ou quando há condições estressantes – como a pobreza – ou relações sociais em que se sofrem abusos, como os de poder. São situações ruins, mas sofrê-las não significa que algo esteja errado. É diferente da depressão, que surge sem razão específica. Não precisa ter acontecido algo terrível para surgir a depressão, que tem características biológicas. Ainda assim, a maior diferença não é o que acontece no cérebro. É o que ocorre dentro do contexto social. É dar à tristeza o ar de doença.
ÉPOCA – Depois de quanto tempo a tristeza passa a ser um quadro preocupante?
Horwitz – Não existe uma linha divisória definida. Podemos dizer que se uma tristeza dura mais de dois meses algo pode estar errado. Mas não significa que não tenha solução. O que importa é que estão tratando quem levou um fora do namorado e não consegue se concentrar, dormir ou comer direito da mesma maneira que a alguém com sintomas que persistem por longos períodos. Ficar na fossa quando um namoro acaba é a resposta natural a um estresse, e não um distúrbio mental.
ÉPOCA – A tristeza pode ser boa? O que podemos aprender com ela?
Horwitz – Uma situação dolorosa nunca é boa. A tristeza que envolve a perda pela morte de alguém que foi importante para nós é dura e custa a passar. Por outro lado, a perda do emprego e o fim de um relacionamento amoroso são circunstâncias que nos fazem parar para pensar. Revemos defeitos, analisamos conseqüências de nossos atos. Isso ajuda a encontrar equilíbrio na hora de começar de novo. A pessoa ganha maturidade.
ÉPOCA – O sentimento de perda provocado pela morte de alguém que amamos é depressão?
Horwitz – Não. É uma situação pesada. Mas a perda pela morte também faz parte da vida. Todos vamos perder pessoas queridas, e todos vamos morrer.
ÉPOCA – Como superar as fases mais complicadas?
Horwitz – O melhor a fazer é conversar com pessoas próximas. Falar com amigos e parentes. Procurar o apoio de quem nos conhece é o remédio ideal. A terapia também pode ajudar. Especialmente nos casos em que a tristeza se prolonga.
ÉPOCA – Desde quando a tristeza passou a ser medicada como doença?
Horwitz – Desde 1980, quando a Associação Americana de Psiquiatria lançou uma nova versão do manual de diagnósticos, que hoje está na quarta versão. O diagnóstico para distúrbios mentais se tornou generalista. Se alguém apresentar cinco sintomas daquela lista, é depressivo. Mas os médicos não se preocupam em questionar as circunstâncias.
ÉPOCA – Qual é a responsabilidade dos médicos nesse cenário?
Horwitz – Os médicos deixaram de considerar em que contexto esses sintomas surgem. Sei que no fundo é difícil para eles investigar as causas da tristeza, porque gastam no máximo 15 minutos com um paciente. É um contato muito breve – e fica mais fácil receitar uma pílula. Nem sempre é o que acreditam ser o melhor. Mas eles são pressionados pelo sistema de saúde – especialmente nos Estados Unidos – a não se prolongar em consultas. Os médicos estão falhando. Mas existem razões para essa falha.
ÉPOCA – E o paciente? Tem culpa?
Horwitz – Sim. Os médicos também cedem àquilo que o paciente deseja. Eles receitam o que o paciente pede quando chega ao consultório. Se não há evidências de que o paciente realmente sofre de algum transtorno, é uma atitude irresponsável.
ÉPOCA – O que é mais grave: tomar antidepressivos sem precisar ou ter uma depressão não tratada?
Horwitz – Alguém com depressão realmente precisa de tratamento. A intenção de nosso livro não é dizer que pessoas com problemas reais não devam ser tratadas da forma adequada, com remédios. Mas nos últimos anos ficou claro que consumir antidepressivos sem necessidade é um perigo. As duas situações são alarmantes.
ÉPOCA – A indústria farmacêutica colaborou para essa cultura de tratar a tristeza com medicamentos?
Horwitz – A indústria farmacêutica ganha muito dinheiro com antidepressivos. Promove esses produtos com anúncios mostrando pessoas felizes, que superaram seus problemas ao engolir uma pílula. É uma cena comum apresentada na publicidade. São casais, pais e filhos em situações do cotidiano, da família, do trabalho, que estão bem graças a um remédio. É um marketing poderoso e perigoso.
>> A Revista, na sua versão online, discute este tema em seu blog:
http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=388005
http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=388006
http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391483
http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391815
http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391994
“Tristeza não é doença”
>> Esta semana, a Revista Época publicou uma entrevista que reflete um comentário que fiz há algum tempo no blog Encanto, da Elisabete Cunha.
Sociólogo americano diz que a psiquiatria transformou um sentimento normal em um problema médico
por SUZANE FRUTUOSO

Ficar triste dói. o sentimento pode ser passageiro ou durar muito tempo. Mesmo nesses casos, não significa que ele só possa ser superado com remédios, diz o sociólogo americano Allan V. Horwitz. O livro que lançou nos Estados Unidos em julho, The Loss of Sadness: how Psychiatry Transformed Normal Sorrow into Depressive Disorder (A Perda da Tristeza: como a Psiquiatria Transformou a Tristeza Comum em Desordem Depressiva), em parceria com o psiquiatra Jerome Wakefield, é uma tentativa de alertar sobre o que considera um excesso de diagnósticos de depressão.
ÉPOCA – O que significa a “perda da tristeza” que dá nome ao livro?
Allan V. Horwitz – Tristeza é a resposta normal a perdas que sofremos na vida. Agora se tornou comum chamá-la de “depressão”. Algo normal foi transformado em doença. A cultura dos antidepressivos transformou em doença dificuldades que fazem parte da vida.
ÉPOCA – Segundo calcula a Organização Mundial da Saúde (OMS), 121 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. O que o senhor acha desse número?
Horwitz – É uma estimativa muito elevada. A OMS usa os sintomas da tristeza, que até podem ser os mesmos da depressão, sem considerar o contexto do acontecimento que deixou a pessoa triste. Incluem na mesma estatística quem sente uma tristeza normal e quem realmente é depressivo.
ÉPOCA – Que sintomas caracterizam a tristeza e a depressão?
Horwitz – Segundo o manual de diagnósticos da psiquiatria (DSM-4), se cinco sintomas de uma lista de nove durarem mais de duas semanas, os médicos dizem que há depressão. São eles: perda do humor; perda de interesse por atividades prazerosas; ganho de peso ou perda de apetite; insônia ou excesso de sono; agitação ou apatia; cansaço; sentimento de culpa e baixa auto-estima; dificuldade de concentração e de decisão; pensamentos recorrentes sobre morte ou tentativa de suicídio.
ÉPOCA – Então, qual é a diferença entre tristeza e depressão?
Horwitz –Ficamos naturalmente tristes pelas perdas do dia-a-dia, como de um relacionamento amoroso, de um emprego, de uma notícia de que seu estado de saúde não é bom. Ou quando há condições estressantes – como a pobreza – ou relações sociais em que se sofrem abusos, como os de poder. São situações ruins, mas sofrê-las não significa que algo esteja errado. É diferente da depressão, que surge sem razão específica. Não precisa ter acontecido algo terrível para surgir a depressão, que tem características biológicas. Ainda assim, a maior diferença não é o que acontece no cérebro. É o que ocorre dentro do contexto social. É dar à tristeza o ar de doença.
ÉPOCA – Depois de quanto tempo a tristeza passa a ser um quadro preocupante?
Horwitz – Não existe uma linha divisória definida. Podemos dizer que se uma tristeza dura mais de dois meses algo pode estar errado. Mas não significa que não tenha solução. O que importa é que estão tratando quem levou um fora do namorado e não consegue se concentrar, dormir ou comer direito da mesma maneira que a alguém com sintomas que persistem por longos períodos. Ficar na fossa quando um namoro acaba é a resposta natural a um estresse, e não um distúrbio mental.
ÉPOCA – A tristeza pode ser boa? O que podemos aprender com ela?
Horwitz – Uma situação dolorosa nunca é boa. A tristeza que envolve a perda pela morte de alguém que foi importante para nós é dura e custa a passar. Por outro lado, a perda do emprego e o fim de um relacionamento amoroso são circunstâncias que nos fazem parar para pensar. Revemos defeitos, analisamos conseqüências de nossos atos. Isso ajuda a encontrar equilíbrio na hora de começar de novo. A pessoa ganha maturidade.
ÉPOCA – O sentimento de perda provocado pela morte de alguém que amamos é depressão?
Horwitz – Não. É uma situação pesada. Mas a perda pela morte também faz parte da vida. Todos vamos perder pessoas queridas, e todos vamos morrer.
ÉPOCA – Como superar as fases mais complicadas?
Horwitz – O melhor a fazer é conversar com pessoas próximas. Falar com amigos e parentes. Procurar o apoio de quem nos conhece é o remédio ideal. A terapia também pode ajudar. Especialmente nos casos em que a tristeza se prolonga.
ÉPOCA – Desde quando a tristeza passou a ser medicada como doença?
Horwitz – Desde 1980, quando a Associação Americana de Psiquiatria lançou uma nova versão do manual de diagnósticos, que hoje está na quarta versão. O diagnóstico para distúrbios mentais se tornou generalista. Se alguém apresentar cinco sintomas daquela lista, é depressivo. Mas os médicos não se preocupam em questionar as circunstâncias.
ÉPOCA – Qual é a responsabilidade dos médicos nesse cenário?
Horwitz – Os médicos deixaram de considerar em que contexto esses sintomas surgem. Sei que no fundo é difícil para eles investigar as causas da tristeza, porque gastam no máximo 15 minutos com um paciente. É um contato muito breve – e fica mais fácil receitar uma pílula. Nem sempre é o que acreditam ser o melhor. Mas eles são pressionados pelo sistema de saúde – especialmente nos Estados Unidos – a não se prolongar em consultas. Os médicos estão falhando. Mas existem razões para essa falha.
ÉPOCA – E o paciente? Tem culpa?
Horwitz – Sim. Os médicos também cedem àquilo que o paciente deseja. Eles receitam o que o paciente pede quando chega ao consultório. Se não há evidências de que o paciente realmente sofre de algum transtorno, é uma atitude irresponsável.
ÉPOCA – O que é mais grave: tomar antidepressivos sem precisar ou ter uma depressão não tratada?
Horwitz – Alguém com depressão realmente precisa de tratamento. A intenção de nosso livro não é dizer que pessoas com problemas reais não devam ser tratadas da forma adequada, com remédios. Mas nos últimos anos ficou claro que consumir antidepressivos sem necessidade é um perigo. As duas situações são alarmantes.
ÉPOCA – A indústria farmacêutica colaborou para essa cultura de tratar a tristeza com medicamentos?
Horwitz – A indústria farmacêutica ganha muito dinheiro com antidepressivos. Promove esses produtos com anúncios mostrando pessoas felizes, que superaram seus problemas ao engolir uma pílula. É uma cena comum apresentada na publicidade. São casais, pais e filhos em situações do cotidiano, da família, do trabalho, que estão bem graças a um remédio. É um marketing poderoso e perigoso.
>> A Revista, na sua versão online, discute este tema em seu blog:
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O que é Terapia Biográfica – 1ª parte
O que é Terapia Biográfica – 1ª parte






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Encanto


