31 julho, 2007

Comida Viva – Como Germinar Grãos e Castanhas

Posted in alimentação, comida viva às 5:12 pm por Marcelo Guerra

1 – De molho
Coloque de uma a três colheres (de sopa) de grãos em um vidro limpo. Cubra com água e deixe de molho por uma noite (oito horas)

2 – Troca de água
Cubra o vidro com um pedaço de filó. Prenda com um elástico. Despeje a água. Enxágüe bem sob a torneira

3 – Escorredor
Coloque o vidro em um escorredor em local sombreado e fresco. Em um dia quente, a germinação deve começar em 24 horas

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“Não confie nos laboratórios” – O ex-executivo da Pfizer diz que as práticas da indústria farmacêutica são ilegais e antiéticas

Posted in doença, drogas, medicina, remédios, saúde às 12:55 am por Marcelo Guerra

>> Esta semana, a revista Época publica uma brilhante e elucidativa entrevista sobre como agem e o que buscam as indústrias farmacêuticas. Isto é o que está por trás de muitos ataques que a Homeopatia e as farmácias de manipulação recebem através da grande imprensa e do órgão governamental (ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que deveria zelar pela sua saúde antes de zelar pelos interesses financeiros dos gigantes da indústria farmacêutica. Leia com muita atenção esta entrevista, pois cada parágrafo mostra detalhes que o público em geral deveria desconhecer.

A entrevista foi concedida a Suzane Frutuoso:

Escritor sueco Peter Rost tornou-se o pesadelo da indústria farmacêutica. Ele foi demitido do cargo de vice-presidente de Marketing da Pfizer em dezembro de 2005, depois de acusar a companhia de promover de forma ilegal o uso de genotropin, um hormônio do crescimento. A substância era vendida como um potente remédio contra rugas. A empresa teria faturado US$ 50 milhões com o produto em 2002. No fim da década de 90, quando era diretor da Wyeth na Suécia, Rost denunciou também uma fraude na companhia: sonegação de impostos. Ele diz que agora se dedica a escrever o que sabe contra a indústria em seu blog e em livros. No começo do ano que vem, ele lançará Killer Drug (Remédio Assassino), história de ficção em que um laboratório desenvolve armas biológicas e contrata assassinos para atingir seus objetivos. “Mas eu diria que boa parte é baseada em fatos reais”, afirma.

ÉPOCA – O senhor comprou uma briga grande…
Peter Rost – Eu não. A diretoria da Pfizer é que começou a briga. Eu fazia meu trabalho. Certa vez, presenciei uma ação ilegal e cheguei a questioná-la. Fui ignorado. Quando falei o que sabia, eles me demitiram.

ÉPOCA – Depois das denúncias, houve algum tipo de ameaça?
Rost – Há cerca de um mês recebi uma, de um empresário indiano ligado ao setor. Ele disse que daria um jeito de acabar comigo. Nunca recebi ameaças das companhias. Elas são espertas demais para se expor desse jeito.

ÉPOCA – Como a indústria farmacêutica se tornou tão poderosa?
Rost – Eles ganham muito dinheiro, cerca de US$ 500 bilhões ao ano. E podem comprar a todos. Os laboratórios se tornaram donos da Casa Branca. O governo americano chega a negociar com os países pobres em nome deles. Como isso é feito? Os Estados Unidos pressionam esses países para que aceitem patentes além do prazo permitido (15 anos em média). Quando a patente se estende, os países demoram mais para ter acesso ao medicamento mais barato. E, se as nações pobres não aceitam a medida dos americanos, correm o risco de sofrer retaliação e de nem receber os medicamentos. Essa atitude é o equivalente a um assassinato em massa. Pessoas que dependem dos remédios para sobreviver, como os soropositivos, poderão morrer se o país não se sujeitar a esse esquema.

ÉPOCA – O Brasil quebrou a patente do medicamento Efavirenz, da Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento contra a aids. O governo brasileiro acertou?
Rost – Sim. O governo brasileiro não tinha escolha. Ele tem obrigação com os cidadãos do país, não com as corporações internacionais preocupadas com lucro. O que é menos letal? Permitir que a população morra porque não tem acesso a um remédio ou quebrar uma patente? Para mim, é quebrar a patente. A lei de patente foi justamente estabelecida para incentivar a criação de medicamentos. Seria uma garantia para que os laboratórios tivessem lucro por um bom tempo e uma vantagem em troca de todo o dinheiro empregado durante anos no desenvolvimento de uma droga. Mas, se bilhões de pessoas estão sem tratamento, porque as patentes estão sendo prolongadas e os medicamentos continuam caros, há sinais de que a lei não funciona. Ela foi feita para ajudar, não para matar.

ÉPOCA – As práticas de venda da indústria farmacêutica colocam em risco a saúde da população mundial?
Rost – Não tenha dúvida. Basta lembrar o caso do Vioxx, antiinflamatório da Merck Sharp & Dohme retirado do mercado em 2004 por causar ataque cardíaco em milhares de pessoas pelo mundo.

ÉPOCA – Então, não podemos mais confiar nos laboratórios?
Rost– Não, não podemos confiar. A preocupação principal deles é ganhar dinheiro. As pessoas têm de se conscientizar disso. Cobrar posições claras de seus médicos, que também não são confiáveis, pois seguem as regras da indústria. Eles receitam o remédio do laboratório que lhes dá mais vantagens, como presentes ou viagens. É uma situação difícil para o paciente. Por isso, é importante ter a opinião de mais de um médico sobre uma doença. E checar se ele é ligado à indústria. Como saber? Verifique quantos brindes de laboratório ele tem no consultório. Se houver mais de cinco, é mau sinal.

ÉPOCA – Os laboratórios são acusados de ganhar dinheiro ao lançar remédios com os mesmos efeitos de outros já no mercado. O senhor concorda com essas acusações?
Rost – Sim. Eles desenvolvem drogas parecidas com as que já estão à venda. Não necessariamente são as mesmas substâncias químicas. No geral, são as que apresentam os mesmos efeitos colaterais. É por isso que existem dezenas de antiinflamatórios e de antidepressivos. É muito fácil criar um remédio quando já se conhecem os resultados e as desvantagens para o paciente. O risco de falha e de perder dinheiro é muito baixo. Os laboratórios não estão pensando no benefício do paciente. É pura concorrência.

ÉPOCA – É por isso que não se investe em tratamentos para doenças como a malária, mais comuns em países pobres?
Rost – Não há interesse em desenvolver medicamentos que possam acabar com doenças conhecidas há décadas. Os países pobres não podem pagar essa conta. O Brasil é visto pela indústria farmacêutica internacional como um mercado pequeno. Ela se baseia em dados de que apenas 10% dos brasileiros têm condições de pagar por medicamentos. Para eles, esse número não significa nada.

ÉPOCA – Segundo uma teoria, os laboratórios “criam” doenças para vender medicamentos. Isso é real?
Rost – É o caso da menopausa. Sei que as mulheres passam por problemas nesse período da vida. Mas não classifico a menopausa como doença. As mulheres usam medicamentos com estrógeno para amenizar calores e melhorar a elasticidade da pele. Os laboratórios se aproveitaram dessas reações naturais da menopausa e as classificaram como graves. Quando as mulheres tomam os remédios, sofrem infarto como efeito colateral.

ÉPOCA – As práticas ilegais da indústria farmacêutica são piores que as de outros setores, como o de tecnologia?
Rost – Sim, porque os laboratórios lidam com vida e morte. Você não vai morrer se a televisão ou o DVD não funcionarem direito.

ÉPOCA – Não devemos levar em consideração que, hoje, graças à pesquisa dos laboratórios, foi descoberta a cura para várias doenças e há maior qualidade de vida?
Rost – Claro que sim. Os laboratórios fizeram muita coisa boa. Em troca de muito dinheiro.

QUEM É PETER ROST
Médico, ex-vice-presidente de Marketing da Pfizer. Demitido por denunciar práticas ilegais do laboratório. Ganhou US$ 35 milhões no processo contra a empresa
VIDA PESSOAL
Casado e pai de dois filhos, nasceu na Suécia e mora nos Estados Unidos
O QUE PUBLICOU
The Whistleblower: Confessions of a Healthcare Hitman (O Denunciante: Confissões de um Combatente do Sistema de Saúde), lançado em 2006 nos EUA e inédito no Brasil

“Não confie nos laboratórios” – O ex-executivo da Pfizer diz que as práticas da indústria farmacêutica são ilegais e antiéticas

Posted in doença, drogas, medicina, remédios, saúde às 12:55 am por Marcelo Guerra

>> Esta semana, a revista Época publica uma brilhante e elucidativa entrevista sobre como agem e o que buscam as indústrias farmacêuticas. Isto é o que está por trás de muitos ataques que a Homeopatia e as farmácias de manipulação recebem através da grande imprensa e do órgão governamental (ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que deveria zelar pela sua saúde antes de zelar pelos interesses financeiros dos gigantes da indústria farmacêutica. Leia com muita atenção esta entrevista, pois cada parágrafo mostra detalhes que o público em geral deveria desconhecer.

A entrevista foi concedida a Suzane Frutuoso:

Escritor sueco Peter Rost tornou-se o pesadelo da indústria farmacêutica. Ele foi demitido do cargo de vice-presidente de Marketing da Pfizer em dezembro de 2005, depois de acusar a companhia de promover de forma ilegal o uso de genotropin, um hormônio do crescimento. A substância era vendida como um potente remédio contra rugas. A empresa teria faturado US$ 50 milhões com o produto em 2002. No fim da década de 90, quando era diretor da Wyeth na Suécia, Rost denunciou também uma fraude na companhia: sonegação de impostos. Ele diz que agora se dedica a escrever o que sabe contra a indústria em seu blog e em livros. No começo do ano que vem, ele lançará Killer Drug (Remédio Assassino), história de ficção em que um laboratório desenvolve armas biológicas e contrata assassinos para atingir seus objetivos. “Mas eu diria que boa parte é baseada em fatos reais”, afirma.

ÉPOCA – O senhor comprou uma briga grande…
Peter Rost – Eu não. A diretoria da Pfizer é que começou a briga. Eu fazia meu trabalho. Certa vez, presenciei uma ação ilegal e cheguei a questioná-la. Fui ignorado. Quando falei o que sabia, eles me demitiram.

ÉPOCA – Depois das denúncias, houve algum tipo de ameaça?
Rost – Há cerca de um mês recebi uma, de um empresário indiano ligado ao setor. Ele disse que daria um jeito de acabar comigo. Nunca recebi ameaças das companhias. Elas são espertas demais para se expor desse jeito.

ÉPOCA – Como a indústria farmacêutica se tornou tão poderosa?
Rost – Eles ganham muito dinheiro, cerca de US$ 500 bilhões ao ano. E podem comprar a todos. Os laboratórios se tornaram donos da Casa Branca. O governo americano chega a negociar com os países pobres em nome deles. Como isso é feito? Os Estados Unidos pressionam esses países para que aceitem patentes além do prazo permitido (15 anos em média). Quando a patente se estende, os países demoram mais para ter acesso ao medicamento mais barato. E, se as nações pobres não aceitam a medida dos americanos, correm o risco de sofrer retaliação e de nem receber os medicamentos. Essa atitude é o equivalente a um assassinato em massa. Pessoas que dependem dos remédios para sobreviver, como os soropositivos, poderão morrer se o país não se sujeitar a esse esquema.

ÉPOCA – O Brasil quebrou a patente do medicamento Efavirenz, da Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento contra a aids. O governo brasileiro acertou?
Rost – Sim. O governo brasileiro não tinha escolha. Ele tem obrigação com os cidadãos do país, não com as corporações internacionais preocupadas com lucro. O que é menos letal? Permitir que a população morra porque não tem acesso a um remédio ou quebrar uma patente? Para mim, é quebrar a patente. A lei de patente foi justamente estabelecida para incentivar a criação de medicamentos. Seria uma garantia para que os laboratórios tivessem lucro por um bom tempo e uma vantagem em troca de todo o dinheiro empregado durante anos no desenvolvimento de uma droga. Mas, se bilhões de pessoas estão sem tratamento, porque as patentes estão sendo prolongadas e os medicamentos continuam caros, há sinais de que a lei não funciona. Ela foi feita para ajudar, não para matar.

ÉPOCA – As práticas de venda da indústria farmacêutica colocam em risco a saúde da população mundial?
Rost – Não tenha dúvida. Basta lembrar o caso do Vioxx, antiinflamatório da Merck Sharp & Dohme retirado do mercado em 2004 por causar ataque cardíaco em milhares de pessoas pelo mundo.

ÉPOCA – Então, não podemos mais confiar nos laboratórios?
Rost– Não, não podemos confiar. A preocupação principal deles é ganhar dinheiro. As pessoas têm de se conscientizar disso. Cobrar posições claras de seus médicos, que também não são confiáveis, pois seguem as regras da indústria. Eles receitam o remédio do laboratório que lhes dá mais vantagens, como presentes ou viagens. É uma situação difícil para o paciente. Por isso, é importante ter a opinião de mais de um médico sobre uma doença. E checar se ele é ligado à indústria. Como saber? Verifique quantos brindes de laboratório ele tem no consultório. Se houver mais de cinco, é mau sinal.

ÉPOCA – Os laboratórios são acusados de ganhar dinheiro ao lançar remédios com os mesmos efeitos de outros já no mercado. O senhor concorda com essas acusações?
Rost – Sim. Eles desenvolvem drogas parecidas com as que já estão à venda. Não necessariamente são as mesmas substâncias químicas. No geral, são as que apresentam os mesmos efeitos colaterais. É por isso que existem dezenas de antiinflamatórios e de antidepressivos. É muito fácil criar um remédio quando já se conhecem os resultados e as desvantagens para o paciente. O risco de falha e de perder dinheiro é muito baixo. Os laboratórios não estão pensando no benefício do paciente. É pura concorrência.

ÉPOCA – É por isso que não se investe em tratamentos para doenças como a malária, mais comuns em países pobres?
Rost – Não há interesse em desenvolver medicamentos que possam acabar com doenças conhecidas há décadas. Os países pobres não podem pagar essa conta. O Brasil é visto pela indústria farmacêutica internacional como um mercado pequeno. Ela se baseia em dados de que apenas 10% dos brasileiros têm condições de pagar por medicamentos. Para eles, esse número não significa nada.

ÉPOCA – Segundo uma teoria, os laboratórios “criam” doenças para vender medicamentos. Isso é real?
Rost – É o caso da menopausa. Sei que as mulheres passam por problemas nesse período da vida. Mas não classifico a menopausa como doença. As mulheres usam medicamentos com estrógeno para amenizar calores e melhorar a elasticidade da pele. Os laboratórios se aproveitaram dessas reações naturais da menopausa e as classificaram como graves. Quando as mulheres tomam os remédios, sofrem infarto como efeito colateral.

ÉPOCA – As práticas ilegais da indústria farmacêutica são piores que as de outros setores, como o de tecnologia?
Rost – Sim, porque os laboratórios lidam com vida e morte. Você não vai morrer se a televisão ou o DVD não funcionarem direito.

ÉPOCA – Não devemos levar em consideração que, hoje, graças à pesquisa dos laboratórios, foi descoberta a cura para várias doenças e há maior qualidade de vida?
Rost – Claro que sim. Os laboratórios fizeram muita coisa boa. Em troca de muito dinheiro.

QUEM É PETER ROST
Médico, ex-vice-presidente de Marketing da Pfizer. Demitido por denunciar práticas ilegais do laboratório. Ganhou US$ 35 milhões no processo contra a empresa
VIDA PESSOAL
Casado e pai de dois filhos, nasceu na Suécia e mora nos Estados Unidos
O QUE PUBLICOU
The Whistleblower: Confessions of a Healthcare Hitman (O Denunciante: Confissões de um Combatente do Sistema de Saúde), lançado em 2006 nos EUA e inédito no Brasil

“Não confie nos laboratórios” – O ex-executivo da Pfizer diz que as práticas da indústria farmacêutica são ilegais e antiéticas

Posted in doença, drogas, medicina, remédios, saúde às 12:55 am por Marcelo Guerra

>> Esta semana, a revista Época publica uma brilhante e elucidativa entrevista sobre como agem e o que buscam as indústrias farmacêuticas. Isto é o que está por trás de muitos ataques que a Homeopatia e as farmácias de manipulação recebem através da grande imprensa e do órgão governamental (ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que deveria zelar pela sua saúde antes de zelar pelos interesses financeiros dos gigantes da indústria farmacêutica. Leia com muita atenção esta entrevista, pois cada parágrafo mostra detalhes que o público em geral deveria desconhecer.

A entrevista foi concedida a Suzane Frutuoso:

Escritor sueco Peter Rost tornou-se o pesadelo da indústria farmacêutica. Ele foi demitido do cargo de vice-presidente de Marketing da Pfizer em dezembro de 2005, depois de acusar a companhia de promover de forma ilegal o uso de genotropin, um hormônio do crescimento. A substância era vendida como um potente remédio contra rugas. A empresa teria faturado US$ 50 milhões com o produto em 2002. No fim da década de 90, quando era diretor da Wyeth na Suécia, Rost denunciou também uma fraude na companhia: sonegação de impostos. Ele diz que agora se dedica a escrever o que sabe contra a indústria em seu blog e em livros. No começo do ano que vem, ele lançará Killer Drug (Remédio Assassino), história de ficção em que um laboratório desenvolve armas biológicas e contrata assassinos para atingir seus objetivos. “Mas eu diria que boa parte é baseada em fatos reais”, afirma.

ÉPOCA – O senhor comprou uma briga grande…
Peter Rost – Eu não. A diretoria da Pfizer é que começou a briga. Eu fazia meu trabalho. Certa vez, presenciei uma ação ilegal e cheguei a questioná-la. Fui ignorado. Quando falei o que sabia, eles me demitiram.

ÉPOCA – Depois das denúncias, houve algum tipo de ameaça?
Rost – Há cerca de um mês recebi uma, de um empresário indiano ligado ao setor. Ele disse que daria um jeito de acabar comigo. Nunca recebi ameaças das companhias. Elas são espertas demais para se expor desse jeito.

ÉPOCA – Como a indústria farmacêutica se tornou tão poderosa?
Rost – Eles ganham muito dinheiro, cerca de US$ 500 bilhões ao ano. E podem comprar a todos. Os laboratórios se tornaram donos da Casa Branca. O governo americano chega a negociar com os países pobres em nome deles. Como isso é feito? Os Estados Unidos pressionam esses países para que aceitem patentes além do prazo permitido (15 anos em média). Quando a patente se estende, os países demoram mais para ter acesso ao medicamento mais barato. E, se as nações pobres não aceitam a medida dos americanos, correm o risco de sofrer retaliação e de nem receber os medicamentos. Essa atitude é o equivalente a um assassinato em massa. Pessoas que dependem dos remédios para sobreviver, como os soropositivos, poderão morrer se o país não se sujeitar a esse esquema.

ÉPOCA – O Brasil quebrou a patente do medicamento Efavirenz, da Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento contra a aids. O governo brasileiro acertou?
Rost – Sim. O governo brasileiro não tinha escolha. Ele tem obrigação com os cidadãos do país, não com as corporações internacionais preocupadas com lucro. O que é menos letal? Permitir que a população morra porque não tem acesso a um remédio ou quebrar uma patente? Para mim, é quebrar a patente. A lei de patente foi justamente estabelecida para incentivar a criação de medicamentos. Seria uma garantia para que os laboratórios tivessem lucro por um bom tempo e uma vantagem em troca de todo o dinheiro empregado durante anos no desenvolvimento de uma droga. Mas, se bilhões de pessoas estão sem tratamento, porque as patentes estão sendo prolongadas e os medicamentos continuam caros, há sinais de que a lei não funciona. Ela foi feita para ajudar, não para matar.

ÉPOCA – As práticas de venda da indústria farmacêutica colocam em risco a saúde da população mundial?
Rost – Não tenha dúvida. Basta lembrar o caso do Vioxx, antiinflamatório da Merck Sharp & Dohme retirado do mercado em 2004 por causar ataque cardíaco em milhares de pessoas pelo mundo.

ÉPOCA – Então, não podemos mais confiar nos laboratórios?
Rost– Não, não podemos confiar. A preocupação principal deles é ganhar dinheiro. As pessoas têm de se conscientizar disso. Cobrar posições claras de seus médicos, que também não são confiáveis, pois seguem as regras da indústria. Eles receitam o remédio do laboratório que lhes dá mais vantagens, como presentes ou viagens. É uma situação difícil para o paciente. Por isso, é importante ter a opinião de mais de um médico sobre uma doença. E checar se ele é ligado à indústria. Como saber? Verifique quantos brindes de laboratório ele tem no consultório. Se houver mais de cinco, é mau sinal.

ÉPOCA – Os laboratórios são acusados de ganhar dinheiro ao lançar remédios com os mesmos efeitos de outros já no mercado. O senhor concorda com essas acusações?
Rost – Sim. Eles desenvolvem drogas parecidas com as que já estão à venda. Não necessariamente são as mesmas substâncias químicas. No geral, são as que apresentam os mesmos efeitos colaterais. É por isso que existem dezenas de antiinflamatórios e de antidepressivos. É muito fácil criar um remédio quando já se conhecem os resultados e as desvantagens para o paciente. O risco de falha e de perder dinheiro é muito baixo. Os laboratórios não estão pensando no benefício do paciente. É pura concorrência.

ÉPOCA – É por isso que não se investe em tratamentos para doenças como a malária, mais comuns em países pobres?
Rost – Não há interesse em desenvolver medicamentos que possam acabar com doenças conhecidas há décadas. Os países pobres não podem pagar essa conta. O Brasil é visto pela indústria farmacêutica internacional como um mercado pequeno. Ela se baseia em dados de que apenas 10% dos brasileiros têm condições de pagar por medicamentos. Para eles, esse número não significa nada.

ÉPOCA – Segundo uma teoria, os laboratórios “criam” doenças para vender medicamentos. Isso é real?
Rost – É o caso da menopausa. Sei que as mulheres passam por problemas nesse período da vida. Mas não classifico a menopausa como doença. As mulheres usam medicamentos com estrógeno para amenizar calores e melhorar a elasticidade da pele. Os laboratórios se aproveitaram dessas reações naturais da menopausa e as classificaram como graves. Quando as mulheres tomam os remédios, sofrem infarto como efeito colateral.

ÉPOCA – As práticas ilegais da indústria farmacêutica são piores que as de outros setores, como o de tecnologia?
Rost – Sim, porque os laboratórios lidam com vida e morte. Você não vai morrer se a televisão ou o DVD não funcionarem direito.

ÉPOCA – Não devemos levar em consideração que, hoje, graças à pesquisa dos laboratórios, foi descoberta a cura para várias doenças e há maior qualidade de vida?
Rost – Claro que sim. Os laboratórios fizeram muita coisa boa. Em troca de muito dinheiro.

QUEM É PETER ROST
Médico, ex-vice-presidente de Marketing da Pfizer. Demitido por denunciar práticas ilegais do laboratório. Ganhou US$ 35 milhões no processo contra a empresa
VIDA PESSOAL
Casado e pai de dois filhos, nasceu na Suécia e mora nos Estados Unidos
O QUE PUBLICOU
The Whistleblower: Confessions of a Healthcare Hitman (O Denunciante: Confissões de um Combatente do Sistema de Saúde), lançado em 2006 nos EUA e inédito no Brasil

24 julho, 2007

Mais Melancia

Posted in alimentação, frutas às 11:14 pm por Marcelo Guerra

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Apesar de exagerada no tamanho, a melancia é magrinha em calorias – só 50 em uma fatia média. Com uma quantidade absurda de água, ela hidrata e reduz a retenção de líquidos, o que ajuda muito na conquista de uma barriga mais lisinha. Sua vermelhíssima polpa carrega licopeno e glutationa, poderosos antioxidantes que estão rendendo à fruta a fama de rejuvenescedora. Por isso, use e abuse da melancia em fatia, suco ou como ingrediente de pratos que fazem bonito em qualquer cardápio

por Eliane Contreras | fotos Alfredo Franco

redonda, doce e suculenta Para escolher uma boa melancia, dê uma batidinha com o dedo na casca — se o som for oco, pode comprar. Você também tem a opção de levar para casa a fruta cortada e na quantidade que vai consumir, desde que esteja numa bandeja higienizada. Depois de aberta, deve ser conservada na geladeira por no máximo quatro dias. Mas tenha o cuidado de embalar muito bem com filme plástico para evitar que ela absorva o odor dos outros alimentos ou resseque.

mais superpoderes

As sementes da melancia também ajudam a desinchar e desintoxicar o organismo. Você pode batê-las com a fruta e, depois, coar o suco. Use-o nas receitas ou incremente com gelo e hortelã, limão ou gengibre e vai provar uma bebida dos deuses. “Para melhorar a absorção do licopeno, sirva com um alimento fonte de gordura boa, como castanha-do-pará ou amêndoa”, orienta a nutricionista Marília Fernandes, de São Paulo.

sopa gelada de melancia e menta

sopa gelada de melancia e menta

por Eliane Contreras | fotos Alfredo Franco

ingredientes
• 4 xíc. (chá) de melancia picada e sem sementes
• 1 col. (sobremesa) de maisena
• 1/2 xíc. (chá) de vinho branco
• Adoçante a gosto
• 1/2 xíc. (chá) de hortelã picada
• 1 pitada de sal
• 1 pitada de pimenta-caiena
• 4 bolas de frozen yogurt light
modo de fazer
Bata a melancia no liquidificador até obter um suco e, em seguida, coloque numa panela. Dissolva a maisena no vinho, misture ao suco e leve ao fogo para ferver por cerca de 3 minutos, mexendo sem parar. Retire do fogo e, quando estiver morno, acrescente o adoçante e a hortelã. Deixe esfriar em temperatura ambiente, mexendo de vez em quando. Coe a sopa e misture o sal e a pimenta. Leve para gelar. Distribua em quatro pratos fundos (ou tigelinhas) e coloque o sorvete por cima. Sirva enfeitado com folhas de hortelã.
Tempo de preparo: 30 minutos
Rendimento: 4 porções
Calorias por porção: 117
Receita criada pela banqueteira Gislaine, da Gislaine Oliveira Gastronomia, em São Paulo

Ministério da Saúde financia 36 Paradas gays no Brasil

Posted in gay, homeopatia, saúde às 2:49 pm por Marcelo Guerra

>> Esta notícia é meio antiga, mas cabe a pergunta: A Parada Gay serve como conscientização eficaz para prevenir a AIDS ou é um desfile de vaidades? Na Caros Amigos deste mês há um artigo falando sobre a parada gay de SP, mostrando como o preconceito social ainda é o mais importante no Brasil. Pobre não tem vez em nada… V

>>Você acha que o dinheiro do Ministério da Saúde foi bem aplicado?

>>Enquanto isso, falta dinheiro para implantar o projeto de Homeopatia no SUS…

Foi publicada nesta quarta-feira, 25/4, a lista com as Paradas GLBT do Brasil que contarão com apoio financeiro do Programa Nacional de DST e Aids (PN-DST/AIDS), ligado ao Ministério da Saúde.

Foram selecionados 44 projetos. As maiores Paradas em número de participantes, do Rio e de São Paulo, não aparecem na relação.

Veja a lista das Paradas financiadas pelo Programa:

. VI Parada da Diversidade de Teresina (PI)
. Mês da Diversidade e Parada da Diversidade de Curitiba (PR)
. VI Parada Gay de Feira de Santana (BA)
. VI Parada da Diversidade Sexual de Campo Grande (MS)
. III Parada do Orgulho GLBT de Viamão (RS)
. Parada de Campina Grande (PB)
. Parada do Orgulho GLBT do Cariri (CE)
. VIII Parada pela Diversidade Sexual do Ceará (CE)
. Parada do Orgulho GLBT de Pelotas (RS)
. Paradas do Orgulho LGBTS do Distrito Federal (10a. de Brasília e 2a. de Taguatinga)
. X Parada do Orgulho GLBT de Belô (MG)
. VI Parada do Orgulho GLBT de Camaçari (BA)
. VI Parada do Orgulho GLBT de Uberlândia (MG)
. III Parada da Diversidade de Ilhéus (BA)
. I Parada do Orgulho GLBT de Itumbiara (GO)
. I Parada do Orgulho de Parnamirim e Região (RN)
. III Parada do Orgulho GLBT de Niterói (RJ)
. VII Parada do ORgulho GLSBT de São José do Rio Preto (SP)
. IV Parada do Orgulho pela Diversidade de São Luís (MA)
. VIII Parada do Orgulho Gay de Natal (RN)
. IV Parada do Orgulho GLBT de Montes Claros (MG)
. II Fest Pride Pantanal e IV Parada da Cidadania e do Orgulho LGBT do Sul do Mato Grosso (MT)
. IV Parada do Orgulho GLBT de Palmas (TO)
. Parada do Orgulho GLBT de Porto Alegre 2007 (RS)
. VI Parada do Orgulho GLBT de Belém (PA)
. II Parada do Orgulho GLBT de Viçosa (AL)
. III Parada do Orgulho GLBT do ABC (Santo André-SP)
. Parada da Diversidade de Boa Vista (RR)
. III Parada da Diversidade Sexual do Agreste (RN)
. V Parada do Orgulho GLBT de Juiz de Fora (MG)
. VI Parada GLBT de Aracaju (SE)
. VII Parada GLBT de Macéio e Região (AL)
. Parada do Orgulho e Cidadania GLBT de Rondônia (RO)
. III Parada da Diversidade Sexual de Mossoró (RN)
. IV Parada da Diversidade GLBT do Sul da Bahi-Itabuna (BA)
. VII Parada do Orgulho GLBT do MeioMundo-Macapá (Amapá)

Além destas Paradas, o programa DST/Aids financiará outros 9 projetos de prevenção que deverão acontecer durante as Paradas Gays ou no Mês do Orgulho.

23 julho, 2007

Plantas Medicinais

Posted in ervas medicinais, fitoterapia, medicina, medicina alternativa, medicina natural, plantas medicinais, remédios, saúde às 7:21 pm por Marcelo Guerra

camomila_flor_253x142.jpg

Plantas Medicinais

(Moacyr Pezati Rigueiro)

 

Plantas medicinais são aquelas que podem ser usadas no tratamento ou na prevenção de doenças. Toda planta medicinal tem no mínimo um princípio ativo, que é a substância responsável pelo efeito curativo. É interessante notar que para o efeito medicinal existir, deve estar presente o princípio ativo, mas é também muito importante o que se chama de fitocomplexo. Fitocomplexo é o conjunto de todas as substâncias presentes na planta (vitaminas, sais minerais, resinas etc.), e que agem juntamente com o princípio ativo, melhorando o efeito. A explicação para essa melhora do efeito é que as demais substâncias podem facilitar a absorção e o aproveitamento do princípio ativo pelo organismo.

Por isso, no tratamento com plantas medicinais tudo deve ser feito para preservar ao máximo o fitocomplexo. Assim, algumas plantas não podem ser fervidas, outras só podem ser colhidas em algumas épocas do ano, de outras só se usam as flores e assim por diante, sempre de maneira a não se perder o fitocomplexo ou de aproveitá-lo da melhor forma possível.

É curioso saber que a palavra droga (sinônimo de remédio ou medicamento) quer dizer “erva seca” e daí o nome de drogaria; na verdade, muitos dos remédios tradicionais (alopáticos) são retirados de plantas.

Apesar do homem usar plantas medicinais desde milhares de anos antes de Cristo e muitas delas serem conhecidas no mundo todo, ainda há uma enorme quantidade de plantas sobre as quais a Medicina sabe muito pouco ou mesmo nada conhece; algumas são usadas por índios e camponeses e, futuramente, talvez o tratamento para muitas doenças hoje incuráveis venha dessas plantas.

Mas… as plantas podem realmente curar doenças?

Nenhum médico duvida que sim. Pois, apesar de todo o progresso da medicina, atualmente ainda uma série de medicamentos muito importantes são extraídos ou derivados de substâncias retiradas de plantas. Os exemplos são numerosos: a morfina, um dos mais poderosos remédios contra a dor, é extraída da papoula (Papaver somniferum; a atropina, muito usada contra cólicas, é retirada da beladona (Atropa

belladonna); a digitalina, que é um tônico para o coração, é encontrada na dedaleira (Digitalis purpurea); a aspirina, um derivado do ácido saliclico encontrado no salgueiro ou chorão (Salix babylonica). Até mesmo a penicilina, um dos antibióticos mais usados,

é produzida naturalmente por fungos do gênero penicillium; os fungos são primos dos vegetais como as plantas mais conhecidas e são representados pelos cogumelos, pelos vários tipos de mofos ou bolores e pelos levedos (fermentos) do pão e da cerveja, por exemplo. Alguns fungos podem causar doenças nas plantas, nos animais e no homem.

Qual é então a diferença entre o tratamento tradicional da Medicina (alopatia) e o tratamento com plantas?

A diferença é que a Medicina Alopática, depois de descobrir o princípio ativo de uma planta, extrai e purifica esse princípio ou até mesmo consegue passar a produzi-lo em laboratórios com técnicas cada vez mais sofisticadas, de modo que dispõe da droga pura, sabendo exatamente, por exemplo, quantos gramas do princípio ativo existem num comprimido ou numa medida de xarope. Estudando então esse princípio ativo em

laboratórios, em milhares de testes com animais, pode saber muito bem qual a dose ideal para o efeito desejado, se a droga tem alguma contra-indicação (que perigos pode apresentar), quais são os efeitos colaterais e mesmo qual a dose letal ou seja, a dose que pode causar a morte por envenenamento.

Com as plantas é mais difícil saber exatamente esses detalhes todos, pois ocorrem variações no teor do princípio ativo de acordo com a quantidade de sol, de água e de cuidados que a planta recebe. É comum no mesmo pomar, por exemplo, uma laranjeira dar laranjas maiores e mais doces que outra distante dela apenas alguns metros. Mas ser diferente não significa ser pior ou melhor…

20 julho, 2007

Brincando com a Morte

Posted in adolescente, jovens, morte às 5:23 pm por Marcelo Guerra

CONTARDO CALLIGARIS  (Folha de São Paulo)

São Paulo, quinta-feira, 19 de julho de 2007 

“COUNSELING TODAY” (o aconselhamento hoje) é a publicação mensal da American Counseling Association, uma espécie de sindicato norte-americano, que reúne terapeutas de todas as orientações.
No número de maio deste ano, a revista publicou um artigo, de Angela Kennedy, para alertar sobre a difusão, principalmente entre os jovens, de uma prática perigosa: a “brincadeira” da auto-sufocação, também chamada “jogo do desmaio” ou “macaco no espaço”.
A prática consiste em produzir uma asfixia temporária em si mesmo ou, quando há mais de um “jogador”, num parceiro de quem se espera a recíproca.
O sujeito exerce uma pressão no ponto adequado do pescoço, sobre a artéria carótida, cortando o fluxo de sangue e oxigênio: o cérebro, aos poucos, apaga. O “jogador”, aproximando-se do desmaio, sente um formigamento generalizado, mas o ápice da experiência acontece quando a circulação é liberada e o sangue volta com força para o cérebro.
Existem variantes da “brincadeira”. A diminuição de dióxido de carbono no sangue produzida por hiperventilação, ou seja, respirando rápida e profundamente durante um bom tempo. Ou, então, seu oposto: a asfixia produzida fechando um saco plástico ao redor da cabeça.
Também há outras maneira de praticar a “brincadeira” básica. A mais perigosa, obviamente, acontece quando, em vez de pressionar a carótida, um “jogador” solitário usa uma corda ou um cinto para apertar seu próprio pescoço. Segundo o artigo, seria necessário revisar as estatísticas dos suicídios por enforcamento, considerando como possíveis casos de “brincadeira” malograda as situações em que o sujeito se enforcou sem pular no vazio, mas amarrando corda ou cinto à altura do pescoço e dobrando as pernas para se estrangular progressivamente.
Salvo acidente (danos cerebrais irreversíveis e, eventualmente, morte), essas práticas são difíceis de ser detectadas. Freqüentemente, os “jogadores” são adolescentes sem problemas, bem integrados na escola e no grupo. Ao não ser que um jovem passe de repente a usar gola alta ou echarpe no pescoço para esconder marcas ocasionais, os sinais de alerta indicados pelo artigo são consistentes com qualquer adolescente (vontade de se trancar no quarto, dor de cabeça, irritabilidade etc.).
Quem quer saber mais pode consultar o site www.stop-the-choking-game.com (com atalhos para outro sites) ou, para verificar que o fenômeno não é apenas norte-americano, ler um artigo francês sobre o tema, no “Journal de Pédiatrie et de Puériculture” (vol. 19, nº 8, dezembro de 2006).
A prática era conhecida há tempo, embora silenciada para que não se difundisse. A American Counseling Association preferiu agora informar a comunidade.
Na minha clínica, só encontrei um caso (que, por sorte, não acabou em desastre). Pensei nele recentemente. Viajando pela Itália, poucas semanas atrás, assisti à cena seguinte. Adolescentes espanhóis em excursão, sentados no chão na Piazza del Campo de Siena, comportavam-se como idiotas. Atiravam nos pombos com armas de brinquedo que acabavam de comprar, falavam besteiras em megafones que também acabavam de comprar e enchiam de lixo o chão ao redor deles, embora estivessem a três passos de uma lixeira. Zombaram repetidamente de cidadãos que tentaram acalmar sua estupidez. Enfim, um lixeiro, indignado, largou sua vassoura e saiu à procura de um policial. Embora eles entendessem a ameaça, não pararam de zoar.
Antes que o policial chegasse, eis que entrou na Piazza, perto do lugar onde eles estavam acampados, um funeral: primeiro vinha um padre, logo o caixão, transportado por seis homens, e a viúva e os filhos, chorando. Nos cafés, as pessoas se levantaram, por respeito. Os jovens espanhóis emudeceram, guardaram em suas caixas arminhas e megafones; um deles juntou os restos de pizza e as garrafas vazias e levou tudo para a lixeira.
Moral da história? A morte é uma coisa séria; talvez, como dizia Freud (e não só Freud), ela seja o único mestre absoluto de nossa vida. Brincar com a morte, de repente, pode parecer a única brincadeira que vale a pena, por ser uma “brincadeira” realmente séria (nada a ver com jogos virtuais ou armas de plástico).
Agora, de vez em quando, pensar na morte pode também nos ajudar a levar a vida mais a sério.

Oportunidade Perdida

Posted in acupuntura, homeopatia, nova friburgo às 11:38 am por Marcelo Guerra

Nova Friburgo vai realizar um Concurso Público para vários cargos, entre eles várias especialidades médicas. Contudo, não sequer uma vaga para Médico Homeopata ou Acupunturista. Que falta de visão!

17 julho, 2007

Prazer leva jovens ao comportamento agressivo e às drogas, diz Içami Tiba

Posted in drogas, jovens às 11:39 am por Marcelo Guerra

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Por Amanda Mont’Alvão

Içami Tiba é o autor brasileiro mais referendado e admirado pelo Conselho Federal de Psicologia, segundo pesquisa realizada em março de 2004 pelo Ibope. Apenas dois nomes o superam: Sigmund Freud e Gustav Jung. Içami foi além de seu diploma de médico, conquistado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e se tornou autor de respeitados 21 livros, todos baseados na experiência trazida por mais de 76 mil atendimentos psicoterápicos a adolescentes e suas famílias em clínica particular. Ele tem no currículo mais de 3.200 palestras proferidas para empresas nacionais e multinacionais, escolas, associações e instituições no Brasil e no exterior. O psiquiatra já figurou na lista da revista Veja dos autores brasileiros que mais livros venderam.

Içami tem a voz calma, porém firme. O tempo gasto entre o fim da pergunta e o início da resposta é inferior a um segundo. Rapidez de quem está acostumado a responder às dúvidas de milhares de pais e educadores. O sorriso não esconde o orgulho dos mais de 1,5 milhão de livros vendidos, entre eles o best-seller “Quem ama, educa”.

Içami esteve em Uberaba para o 8º Congresso Nacional Amor-Exigente e aproveitou para lançar aqui sua última publicação editorial, “Juventude & Drogas: Anjos Caídos”. Sua palestra foi intercalada com aplausos constantes da platéia. Em entrevista ao JM, Içami foi enfático: os jovens não estão carentes. A droga os atrai por prazer, e passar a mão na cabeça não resolve absolutamente nada.

 

Jornal da Manhã – Qual a idade em que o jovem começa a utilizar drogas e de que maneira os pais podem perceber isso?

Içami Tiba – Basta observar. Hoje, os pais estão muito ausentes na vida dos filhos. Alguns beiram a negligência, pois querem delegar para as escolas a educação. Dos dois anos de idade em diante, quando a criança já vai para a escola, o comportamento dela deve ser observado todos os dias. Existe uma tal de educação aos pares, em que ele aprende coisas com seus coleguinhas de escola, que nem sempre é o mais educado; num instante, ele quer fazer em casa. As crianças querem fazer o que aprenderam. Então, se nessa hora já for quebrada a distância entre o mundo da criança e os pais, fica mais fácil manter o contato. Filhos na adolescência acompanhados pelos pais estão muito mais protegidos do que os filhos totalmente soltos.

 

JM – Hoje em dia, o senhor acha que o jovem está mais descompromissado do que o jovem de anos atrás?

Içami – Muito mais descompromissado. O único compromisso dele hoje é o prazer. A alegria dos jovens é judiar dos outros. É um prazer sádico de pegar as diferenças que existem e judiar de quem está embaixo.

 

JM – É um comportamento geral ou isso é mais comum no Brasil?

Içami – No mundo todo, não é só no Brasil. Ocorre também na França, país com um movimento de jovens muito forte. Isso está vindo na esteira do “eu faço o mal, vou embora e para mim não acontece nada”. Essa é justamente a essência dos jogos interativos, dos jogos de computador. É um “matar” o outro, aquele que está distraído, aquele que está menos armado, o menos potente. Aí ele acaba o jogo e já está pronto de novo para “matar” outra vez.

 

JM – E o que os pais podem fazer com essa “geração internet”, conectada durante a maior parte do tempo?

Içami – Eu chamo de “Geração Digital”, porque a internet é só uma parte. A digital é desde a televisão. Tem essa globalização individual. A educação hoje é muito mais influenciada pelo mundo digital do que propriamente só pela internet. Internet é um ramo da digital. Com essa geração de hoje, os pais precisam se atualizar, saber o que se passa com os filhos para não ficarem utilizando martelo para corrigir programa de computador. Corrigir digital com martelo é uma atitude desatualizada. Isso quebra o computador, mas não corrige a pessoa.

JM – Qual o poder de atração que a droga exerce sobre os jovens?

Içami – Eles estão acostumados em casa a ter o prazer. “Matar” por prazer. Eles não têm compromisso.

 

JM – Essa geração não seria mais carente pelo fato de crescer em um novo modelo de família, em que os pais passam a maior parte do tempo trabalhando?

Içami – Não é questão de carência, é uma organização errada, porque os pais não estão tão longe dos filhos o suficiente para provocar isso. Acontece que os pais não estão trabalhando a distância que existe entre eles. Então, eles se sentem culpados, em vez de falarem: “Escuta, eu estou trabalhando é por nós, vocês têm que fazer a parte de vocês em casa”. Mas aí os filhos não fazem, e os pais não cobram. Fica como se os pais tivessem mais é que trabalhar mesmo.

 

JM – Como os pais podem se aproximar do filho?

Içami – Se eles trazem o trabalho para casa, por que não levar o filho para o trabalho? São duas vias, não tem essa de ficar se sacrificando, dando o melhor e o filho só respondendo pela metade. Ou se contentar que o filho está vivo, pelo menos. Eu já vi pais cujos filhos detonaram o carro deles ou de alguém, até mesmo com vítimas no outro veículo, e eles dizerem: “Filho, ainda bem que você está vivo”. Devia é dar umas pancadas no filho naquela hora. Onde já se viu, matou outras pessoas, vou ficar contente que meu filho está vivo? Lógico que eu estou contente que ele está vivo. Mas e o mal que ele causou? E os outros envolvidos que estão chorando? Vou sair feliz, abraçado ao meu filho? Faz favor, que raio de educação é essa que ainda privilegia um filho que cometeu um crime de trânsito.

 

JM – Os relatórios apontam o crescimento do uso de drogas na classe média. Seria permissividade?

Içami – Não, não é isso. Agora isso está sendo constatado, mas sempre houve maior consumo de drogas na classe média. É que o uso entre os pobres chama mais a atenção porque aí poderão dizer que “drogas estão relacionadas à pobreza”. Mas não está. Ela está relacionada ao prazer e ao poder.

 

JM – Há alguma relação íntima entre droga e violência?

Içami – Sim, a maioria dos casos de violência tem drogas por trás.

JM – Combater o tráfico de drogas seria uma forma de diminuir os índices de violência?

Içami – Sem dúvida.

 

JM – Cada vez mais os menores praticam crimes. O senhor acredita que eles possam ser recuperados em instituições como a Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor)?

Içami – Não, Febem não. Eu acredito muito mais que as penas têm que ser proporcionais aos crimes. A Febem iguala todos os crimes. Então, fica uma medida totalitária e não particularizada. Como na cadeia grande, um crime por si só, porque a cadeia trata todos os crimes do mesmo jeito. Então, o roubo de uma galinha, um crime famélico e um crime de matar o outro é considerado igual. A fila de espera para condenar é a mesma coisa, e às vezes há quem nem foi condenado e ficou na espera. Então, eu acho que nenhuma lei que funcione desse jeito tenha resultado. Eu acho muito melhor um radicalismo mais forte, em que a pena seja proporcional ao crime que se cometeu, sem importar a idade. Se for um pequeno que matou o outro, matou. A idade que ele tem vai atenuar ou piorar.

 

JM – O senhor é a favor da descriminalização da droga?

Içami – Totalmente contra. O governo não dá conta das drogas que liberou. Não consegue tratar as pessoas, quer tornar a campanha política das drogas a “campanha do menos mal”. O que eles deveriam fazer é recuperar, não falar “se você usa crack, vá para a cocaína. Use maconha, porque cocaína é muito sério”. Não, isso é um convencimento fraco; o convencimento mais forte é que de ele não pode usar drogas e ponto final, vamos fazer de tudo para que não usem. Porque isso significa “cocaína eu tolero”.

 

JM – O que o senhor pensa da redução da maioridade penal?

Içami – Eu penso que deve ser proporcional, não importa a idade. Classificar por idade coloca o lado biológico acima do raciocínio das pessoas; não está certo. Tem adolescente que já tem uma maturidade suficiente, então vamos medir a maturidade dele: se ele já trabalhava, se já fazia negócio sozinho, se já traficava, então ele é gente grande. Então não vai ser aliviado da pena porque ele não tem 18 anos. Tem que ser condenado de acordo com o crime que cometeu.

 

JM – Os psicólogos deveriam trabalhar aliados à escola e às instituições de recuperação de menores infratores?

Içami – Os psicólogos deveriam fazer mais trabalho social, ir a esses lugares onde se reúnem os grupos de auto-ajuda e dar a cooperação que eles sabem dar. Mas eles não vão, querem receber só no consultório, querem tirar proveito da profissão e ainda bem que existem drogados para eles.

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