16 abril, 2009

Pax Transgênica

Posted in alimentação, transgênicos tagged às 3:24 pm por Marcelo Guerra

transgenicos

São Paulo (SP), Brasil — Texto propõe reflexão sobre o nível do debate que se faz no Brasil e como traduzir o assunto para os consumidores.

Pax Transgênica

RAFAEL CRUZ e SÉRGIO LEITÃO

NO FINAL do século 19, enquanto republicanos e monarquistas debatiam o fim do Império e o nascimento da República no Brasil, a população permaneceu à margem de todo o processo. Alheios à transição política que estava em plena ebulição no país, os brasileiros assistiram “bestializados” à queda de d. Pedro 2º e à formação do novo governo, conforme constatou um desapontado Aristide Lobo, republicano de primeira hora. O império se foi e o brasileiro permaneceu apático, sem saber bem o que estava acontecendo.

Ainda que o espírito republicano tenha aberto espaços de participação popular nos destinos do país, certos setores da sociedade não aprenderam a incluir o cidadão comum nas discussões que lhe dizem respeito.

O debate sobre os transgênicos no Brasil, por exemplo, é um caso emblemático de “bestialização” moderna. As indústrias de biotecnologia e de alimentos, a comunidade científica, os grandes produtores rurais e os ambientalistas se digladiam há anos por meio de termos científicos, técnicos, ambientais, agrícolas e econômicos sem se preocuparem em traduzir essa sopa de letrinhas para a parte mais interessada: os consumidores.

Apesar de serem plantados no Brasil desde 1997, quando a soja geneticamente modificada foi introduzida ilegalmente nos campos do Sul do país, contrabandeada da Argentina, os transgênicos continuam sendo um grande mistério para os brasileiros. Pesquisa realizada em 2007 pelo Instituto Ipsos, a pedido do Greenpeace, revelou que a maioria (70%) expressa dúvida muito grande sobre a validade ou não do consumo de transgênicos. O que mostra que os cidadãos não estão recebendo informação necessária que lhes permita a tomada de decisão séria e responsável sobre o assunto.

O debate sobre os transgênicos poderia estar mais popularizado se a indústria respeitasse e o governo exigisse o cumprimento do decreto nº 4.680/2003, que entrou em vigor no Brasil no ano seguinte. Segundo o texto da lei, todo alimento que tenha sido fabricado com matéria-prima transgênica é obrigado a ter em seu rótulo um símbolo triangular amarelo, com um T preto no meio.

Apesar de estar em vigor há cinco anos, apenas algumas marcas de óleo de soja de algumas empresas foram rotuladas -e, mesmo assim, só a partir do início de 2008, por decisão da Justiça, a partir de denúncias enviadas pelo Greenpeace ao Ministério Público. O silêncio da indústria de alimentos permanece para os produtos que estão, em imensa quantidade, nas prateleiras dos supermercados e que são fabricados a partir de soja transgênica -e em breve do milho transgênico, recém-aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança.

O assunto promete ganhar força a partir do dia 18 de março, quando a CTNBio fará audiência pública sobre o arroz geneticamente modificado da Bayer. Diferentemente do que ocorre com a soja e o milho, que passam por processamento industrial para virar ração ou óleo, com o arroz poderemos ter, pela primeira vez, um produto geneticamente modificado que irá diretamente do campo para o prato do brasileiro. E seremos os primeiros no mundo a consumir o arroz transgênico, já que o produto da Bayer não está aprovado em nenhum outro país.

A correta identificação dos produtos transgênicos dá aos consumidores a liberdade de escolha e à sociedade civil e à indústria de alimentos a chance de responder aos brasileiros a pergunta óbvia: o que são transgênicos? As pessoas aprenderam a ler rótulos e procuram se informar sobre as substâncias ali indicadas. Se os transgênicos são tão seguros quanto afirmam as empresas que desenvolvem essa tecnologia, que sejam identificados nos alimentos que os contêm. E os consumidores se informarão sobre o assunto, como o fazem hoje para saber os teores de gordura trans, carboidratos e sódio dos alimentos. Anos atrás, a indústria também resistiu a dar esse tipo de informação.

Na verdade, ao final da guerra pela liberação dos transgênicos, quando foi aprovada no Congresso a Lei de Biossegurança, as condições para a “pax transgênica” que deveriam ser seguidas nunca foram respeitadas -a correta identificação dos produtos que contivessem transgênicos e a garantia da coexistência da sua produção com a convencional e/ou a orgânica. E, como em toda guerra, a maior parte do ônus fica com a sociedade civil, que é obrigada a conviver com a negação de um direito básico: saber o que está comendo.

Indicar nos rótulos aqueles alimentos que de alguma forma têm organismos geneticamente modificados em sua composição é o caminho para que a população brasileira entre de vez nesse debate. Que a decisão dos brasileiros se dê em meio ao excesso de informação, não sob sua escassez.

RAFAEL CRUZ, cientista social, é coordenador da campanha de engenharia genética do Greenpeace.

SÉRGIO LEITÃO, advogado, é diretor de campanhas do Greenpeace. Foi diretor do Instituto Socioambiental.

Fonte: Folha de São Paulo

15 abril, 2009

Como diminuir a concentração de agrotóxicos nos alimentos

Posted in agrotóxicos às 6:49 pm por Marcelo Guerra

agrotoxicoRIO – Alergias, disfunções no fígado, alterações neurológicas e até o câncer são algumas das doenças associadas ao consumo excessivo de agrotóxicos, defensivos agrícolas usados no cultivo da maioria das frutas e dos legumes vendidos no país. De acordo com dados da Universidade de Brasília, são usados no país mais de 400 tipos de pesticidas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária tem regras rígidas para a produção e a venda de alimentos com agrotóxicos e, de acordo com eles, os riscos à saúde estão ligados a agrotóxicos ilegais ou aos usados acima do limite máximo permitido pela legislação.

O cirurgião Armando Portocarreiro, responsável pelo serviço nutricional do Hospital Samaritano, explica que os agrotóxicos estão associados a certos tipos de câncer no sangue, como a leucemia, e que em países como a França e a Suíça já existe uma lei determinando que os produtos com agrotóxicos tenham identificação especial.

– O ideal é consumir produtos orgânicos, que são livres de químicos em todas as fases do seu cultivo, mas é praticamente impossível ter uma alimentação 100% orgânica. Se tiver que escolher, compre verduras orgânicas, já que as folhas costumam ter as taxas mais altas de agrotóxicos – afirma o médico.

O perigo dos defensivos agrícolas é que eles costumam ser imperceptíveis, e o consumidor não sabe ao certo que tipo de químico pode estar ingerindo. Higienizar os alimentos corretamente ajuda a diminuir a concentração de agrotóxicos, porém os especialistas não chegaram a uma conclusão se deixam o produto completamente seguro.

Para não correr riscos, o ideal é lavar todas as frutas e legumes com água limpa e corrente, depois deixar de molho em água com vinagre ou pastilhas de cloro durante no mínimo 20 minutos, e depois lavá-los novamente em água corrente.

A nutricionista Fabiana Casé, da clínica Harmonya, ensina que também é possível deixar os alimentos de molho em uma solução feita com uma colher de sobremesa de água sanitária para cada litro de água. Já os alimentos com casca grossa podem ser lavados com escovinha e detergente neutro.

– Depois da limpeza, é preciso enxaguar tudo muito bem. Se não, em vez de comer resíduos de agrotóxicos, a pessoa acaba ingerindo restos de sabão ou água sanitária. Realmente, o processo é trabalhoso, mas é um sacrifício momentâneo para evitar doenças mais sérias depois – enfatiza Fabiana.
Orgânicos são a melhor opção para a saúde

Para minimizar os danos causados por agrotóxicos, uma opção é comprar frutas e vegetais orgânicos. Apesar de mais caros, especialistas garantem que seu consumo vale a pena, especialmente para as crianças. Na hora de escolher orgânicos, o principal é checar se o produto é certificado – esta é a garantia de que químicos não foram usados na produção.

Uma fruta ou um legume perfeitos são sinal de que provavelmente houve químicos em seu cultivo. Por outro lado, pequenos furos e bichinhos indicam que poucos agrotóxicos foram usados no alimento. Não estranhe o tamanho das frutas e dos legumes, que costumam ser menores.

No supermercado, verifique se os orgânicos ficam armazenados separadamente. O ideal é não misturar produtos orgânicos com os convencionais para evitar a contaminação. Evite os produtos rotulados de “naturais”, já que isto não é garantia de que são livres de químicos.

Se não puder consumir todos os tipos de orgânicos, dê preferência aos que são ingeridos com casca ou têm a casca muito fina, como o tomate, o morango, a batata, o pimentão e as folhas. Outra dica é comprar produtos orgânicos em feiras locais, que costumam se mais baratos do que nos supermercados.

Anvisa divulga lista de alimentos contaminados por agrotóxicos

Posted in agrotóxicos às 6:43 pm por Marcelo Guerra

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RIO – O pimentão foi o alimento que apresentou o maior índice de irregularidades para resíduos de agrotóxicos, de acordo com pesquisa sobre segurança alimentar divulgada nesta quarta-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mais de 64% das amostras de pimentão analisadas pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos apresentaram problemas. O morango, a uva e a cenoura também apresentaram índices elevados de amostras irregulares, com mais de 30% cada.

Um dado preocupante foi a descoberta de agrotóxicos não permitidos em todas as culturas analisadas. Ingredientes ativos banidos em diversas partes do mundo, como acefato, metamidofós e endossulfam, foram encontrados de forma irregular nas culturas de abacaxi, alface, arroz, batata, cebola, cenoura, laranja, mamão, morango, pimentão, repolho, tomate e uva.

Outro desvio detectado foi o uso de um teor de resíduos de agrotóxicos acima do permitido. No balanço geral, das 1773 amostras dos dezessete alimentos monitorados (alface, batata, morango, tomate, maçã, banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva), 15,29% estavam insatisfatórias.

A cultura do tomate foi a que apresentou maiores avanços na redução do uso de agrotóxicos. Em 2007, 44,72% das amostras de tomate analisadas apresentaram resíduos de agrotóxicos acima do permitido. No último ano, esse número caiu para 18,27%. Manga, batata, banana, cebola e maçã também apresentaram baixos teores de irregularidade.

A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do Programa, apresentou um índice de 22,2% de uso indevido de agrotóxicos, teve o nível reduzido para 2%. A banana, que chegou a apresentar índice de 6,53% neste período, fechou 2008 com incidência de 1,03% de irregularidades.
O estudo

Criado em 2001, o programa da Anvisa tem como objetivo manter a segurança alimentar do consumidor e a saúde do trabalhador rural. A escolha dos itens analisados leva em consideração a importância destes alimentos na cesta básica do brasileiro, o consumo, o uso de agrotóxicos e a distribuição das lavouras pelo território nacional. No último ano, o estudo acompanhou oito novas culturas: abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva.

Fonte: O Globo

Fui indicado para o prêmio TOP BLOG

Posted in saúde tagged às 5:40 pm por Marcelo Guerra

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Hoje recebi um e-mail com esta notícia que me deixou muito orgulhoso, representando um reconhecimento a este trabalho de pesquisa para trazer informações e notícias sobre práticas alternativas de tratamento. Por favor, votem no Saúde Alternativa.

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