22 setembro, 2010

A força da primeira impressão

Posted in comportamento às 4:29 pm por Marcelo Guerra

Marcelo Guerra

Um interessante estudo realizado pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Waterloo, no Canadá, analisou a influência do ambiente de fundo sobre a percepção da expressão de uma pessoa. Os participantes da experiência eram solicitados a classificar a expressão de diferentes pessoas em fotos. Algumas pessoas nas fotos exibiam expressão de alegria, outras de raiva, e outras faziam cara de paisagem, ou seja, uma expressão neutra. O detalhe é que o fundo das fotos variava entre lugares alegres e outros meio soturnos.

Pois bem, os observadores classificaram como alegres predominantemente as fotos em que o fundo era alegre, independente da expressão das pessoas. Então, uma pessoa com a expressão de raiva, mas com o fundo alegre, era geralmente classificada como alegre. Diante de uma imagem em que a pessoa aparecia sorrindo, mas o fundo era escuro ou pouco atraente, os observadores associaram à tristeza.

JULGAMENTO ALTERADO

Este estudo mostrou a importância do contexto para o julgamento de nossas experiências. Aplicando isso a um relacionamento amoroso, o primeiro encontro pode influenciar a impressão deixada no outro de acordo com o local escolhido. Numa praia, num lugar junto à natureza, como um belo jardim, a impressão causada tende a ser mais positiva. O oposto disso seria marcar um encontro num túnel ou num viaduto. É claro que a primeira impressão muitas vezes é ilusória e a convivência muda esse julgamento, aproximando-o mais da realidade.

O comércio e a publicidade já perceberam essa associação entre o ambiente e o efeito que ele causa na percepção das pessoas. Assim, entramos numa butique pela beleza da arrumação da sua vitrine, pelo perfume que impregna o ar da loja, pela beleza das atendentes. Uma loja mal cuidada tende a afastar seus potenciais clientes, que precisam ser atraídos por algo a mais. Nas propagandas na TV sempre há esta associação. Belíssimos lugares por onde alguém caminha para divulgar uma marca de uísque, praias paradisíacas onde a cerveja fica mais gostosa e gelada, paisagens panorâmicas onde se fuma o melhor cigarro.

ALÉM DA PRIMEIRA IMPRESSÃO

Esta pesquisa demonstra a importância de não descuidarmos da aparência do ambiente, se quisermos causar uma boa impressão, mas o mais importante é que a primeira impressão é influenciada demais por fatos alheios à essência do que procuramos. Num relacionamento amoroso, por exemplo, buscamos alguém que tenha determinadas qualidades, e não alguém que eu encontre num jardim de Monet. Se quero comprar uma roupa, o ideal é que ela seja bonita, e não a loja, afinal de contas eu vou vestir a roupa e andar com ela por aí, e a loja vai ficar parada no endereço dela.

A lição desta pesquisa é olhar além da primeira impressão, estar presente e atento ao que você busca e não perder o foco pela beleza ou feiúra do ambiente em que você está.

Publicado anteriormente na Revista Personare.

Anúncios

20 setembro, 2010

Pesquisa auto-biográfica

Posted in antroposofia, terapia biográfica às 2:56 pm por Marcelo Guerra

A Pesquisa Auto-Biográfica permite olhar para a própria história e expressá-la de diferentes maneiras (falando, escrevendo, pintando, dançando), ver o trajeto que percorremos na vida, como se olhássemos para a própria biografia do alto de uma montanha, o que traz uma visão panorâmica do sentido. E agora, para onde vou? Como corrijo o percurso para reencontrar o sentido da minha história? Quando sigo o fluxo do sentido, encontro paz interior, mesmo que tenha mais trabalho.

A síntese da programação é a seguinte:

  • informação sobre as fases da vida, as leis biográficas;
  • contato com o próprio corpo: danças circulares;
  • contato com o inconsciente: atividades artísticas (aquarela e colagem, a princípio), conto de fadas;
  • reflexão individual: a escrita da vida;
  • reflexão em grupo: contando a própria história;
  • eu hoje: identificando a minha pergunta;
  • pensando o amanhã: projetando metas para a minha vida.

Coordenação:

  • Rosângela Cunha

Psicóloga, Gestalt-terapeuta e Terapeuta Biográfica

  • Marcelo Guerra

Médico Homeopata e Terapeuta Biográfico

Formação Biográfica – Minas Gerais – Escola Livre de Formação Biográfica
Membro do International Trainers Forum em conexão com a General Anthroposophical Section of the School of Spiritual Science do Goetheanum – Dornach/Suiça.)

Onde e quando?

Em São Paulo, no Centro Paulus, de 14 a 17 de outubro de 2010.

  • 4 parcelas de R$247,00 ou R$988,00 à vista, em quarto individual;
  • 4 parcelas de R$292,00 ou R$1.168,00 à vista, em suíte individual.
A inscrição é efetivada com o depósito da 1ª parcela.

Escreva para rosangela@terapiabiografica.com.br ou marceloguerra@terapiabiografica.com.br para mais informações. Ou ligue para falar com um de nós: (11)6463-6880

VAGAS LIMITADAS

Faça sua inscrição online, clicando aqui.

19 setembro, 2010

Sinergia nas plantas medicinais

Posted in ervas medicinais, fitomedicina, fitoterapia, plantas medicinais às 1:20 pm por Marcelo Guerra

Marcelo Guerra

As plantas medicinais têm sido usadas como tratamento de doenças desde que o ser humano deixou de ser nômade e estabeleceu a agricultura. Muitas fazem parte de rituais de povos indígenas e religiões em diferentes lugares de mundo. O interesse pela fitoterapia, que é como é chamado o tratamento com plantas medicinais, vem crescendo exponencialmente desde o último século, impulsionado pela busca de uma medicina que causasse menos efeitos colaterais que a alopatia.

Boa parte dos remédios alopáticos, porém, são derivados de produtos extraídos de plantas medicinais. O ácido acetilsalicílico, substância ativa da Aspirina, é um exemplo clássico, extraído de uma espécie de salgueiro. Esta é a utilidade das plantas medicinais para a medicina alopática: fonte de substâncias ativas que devem ser isoladas, patenteadas e transformadas em comprimidos que vão encher as prateleiras das drogarias.

O fator complicador é que as substâncias ativas, quando isoladas, geralmente provocam efeitos colaterais danosos às pessoas. A fitoterapia faz uso das plantas em sua forma integral, pois há uma sinergia entre as substâncias que a compõem que evita que uma fique em excesso no organismo, provocando um efeito desagradável ou nocivo.

Uma história que mostra a importância da sinergia na fitoterapia é o uso com sucesso da kawa-kawa. A kawa-kawa (Piper methisticum) é uma planta comum no Havaí, e muito consumida pelos havaianos como uma bebida que causa relaxamento e sono. Ora, se há um tipo de remédio que nós ocidentais adoramos, são aqueles que nos fazem relaxar. Começou-se a prescrever e vender kawa-kawa no mundo todo. Através de análise bioquímica, descobriu-se a substância ativa que produzia o relaxamento e passou-se a produzir extratos de kawa-kawa que obtivessem o máximo dessa substância. Resultado: começaram a aparecer pessoas com cirrose no fígado pelo uso da kawa-kawa. E por que os havaianos não têm mais cirrose do que a população que não consome kawa-kawa nos outros países? Bem, o processo moderníssimo de extração diminuía a concentração de outras substâncias que são protetoras do fígado. Ou seja, o mal que uma substância provoca é anulado por outra substância da mesma planta! O extrato padronizado implica num risco à saúde muito maior do que o benefício que ela provoca. Voltou-se a usá-la então do modo mais primitivo, que é a tintura mãe, que causa o relaxamento esperado sem provocar a destruição do fígado.

Este caso ilustra o risco que as plantas medicinais podem oferecer, mas mostra que este risco é geralmente fruto de não se reconhecer a especificidade da fitoterapia e lidar com as plantas com os mesmos métodos da alopatia. Quando elas são usadas segundo observações de seu uso tradicional, dificilmente causam efeitos adversos. As plantas medicinais precisam ser mais estudadas, não de forma reducionista como a alopatia costuma fazer, mas de uma maneira interdisciplinar, por médicos, farmacêuticos, antropólogos e biólogos, para que possam oferecer seus recursos terapêuticos a muito mais pessoas.