14 fevereiro, 2011

Consumo de calmantes cresce 40% no Brasil entre

Posted in dependência, vício às 2:50 pm por Marcelo Guerra

>>Quando os clínicos, cardiologistas, ginecologistas começaram a prescrever Rivotril indiscriminadamente, sob a alegação de que é fraquinho e não faz mal, simplesmente virou rotina tomá-lo sempre que alguém se sente mais ansioso ou passa por qualquer preocupação.

Sempre que enfrenta uma situação de grande estresse, ou quando a sua tensão pré-menstrual está a ponto de levá-la à loucura, a advogada Cláudia Rodrigues, de 32 anos, recorre aos comprimidos ou a gotinhas do calmante tarja preta Rivotril (o clonazepam), o mais famoso e líder da família dos benzodiazepínicos. Para Cláudia, ele é um santo remédio porque “acalma sem derrubar”. Ela não é a única. O mercado de clonazepam cresceu, de 2006 a 2010, 41,9% no Brasil, sendo que, para o Rivotril, este índice foi de 8,8%, segundo dados da consultoria IMS Health e do próprio fabricante do fármaco.

O consumo hoje está tão banalizado que se tornou quase um modismo. Três gotinhas e dá para encarar o chefe sem estresse. Uma lasquinha de comprimido e aquela reunião tensa de trabalho flui que é uma beleza. Uma dose um pouco maior e o sono vem fácil.

Difícil é saber se as pessoas estão realmente precisando mais desses tranquilizantes ou se os médicos receitam sem muito critério. A rigor, o clonazepam é indicado para casos mais graves de ansiedade, estresse pós-traumático e síndrome do pânico. Inicialmente, chegou a ser usado como antiepiléptico. Hoje, seu uso se assemelha mais ao de uma poção mágica, capaz de produzir alívio imediato da ansiedade. Qualquer ansiedade. Mas isso é necessariamente condenável ou prejudicial?

Especialistas alertam que, em muitos casos, a sensação de bem-estar com a droga é enganadora, porque os problemas internos continuam sem uma solução.

Cláudia diz que recorre ao remédio eventualmente, mas admite que a sua gaveta tem um lugar especial para ele. No período que ficou sem trabalhar, tinha dias que ela entrava numa “neura total” e chorava ininterruptamente por dias.

– Nessas horas, eu tomava o remédio e funcionava que era uma beleza. O meu marido até conseguia se aproximar de mim sem levar mordidas. Para a TPM foi recomendação da ginecologista, que receitou como tratamento para aliviar a tensão que precede a menstruação. Só que não me agradou ter que usar o remédio todo mês e decidi abrir a gaveta dele apenas quando sinto que corro o risco de parar numa cela ao lado de Fernandinho Beira-Mar – comenta a advogada.

Aliás, o traficante, preso num centro de segurança máxima, também é usuário do calmante porque sofre de insônia. O mesmo motivo que levou Silvia Siqueira, arquiteta, de 35 anos, a tomar:

– Achei péssimo. Tomei e demorou muito tempo para fazer efeito e depois apaguei. Não tive a sensação de ter dormido bem. Você apaga e não acorda bem disposta. E olha que só usei meio comprimido.

Álcool aumenta efeito sedativo

Isso não é raro porque o fármaco pode provocar mais sedação do que redução da ansiedade, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo. Ele lembra que o clonazepam pode causar dependência quando usado por mais de seis semanas. É por isso que em países como os EUA há limite nas prescrições.

– O clonazepam é a principal causa de quedas na população acima de 50 anos. Essas pessoas tomam o medicamento no meio da noite, se levantam e acabam caindo. A longo prazo, o fármaco prejudica a memória. Quando associado ao álcool, sua ação é potencializada – alerta Laranjeira.

A gerente Verônica Lima, de 31 anos, só começou a tomar clonazepam por indicação de seu médico, numa fase em que estava muito ansiosa. Ela não conseguia dormir bem e se sentia cansada ao longo do dia.

– Eu tomo em gotas porque acredito que é um pouco mais light e fica mais fácil controlar a dosagem. Agora só faço isso quando realmente estou super ansiosa ou preocupada, e sei que vou acabar não dormindo bem. Ou quando faço alguma viagem longa de avião, porque tenho medo – conta.

Para Laranjeira, esse tipo de comportamento contribui para o aumento de vendas e o abuso no consumo da droga, pois as indicações médicas para receitá-la são poucas.

– O abuso pode estar ocorrendo devido ao descuido dos médicos nas prescrições, ao baixo preço do medicamento (o frasco custa cerca de R$ 10) e, eventualmente, à promoção não ética de farmácias e da indústria farmacêutica – diz.

A falta de cuidado e/ou critério por parte de médicos é um dado real. Luiza Nunes, de 33 anos, usa clonazepam há três anos – quando o início de seu doutorado, o dia-a-dia com a rotina de casa e o trabalho estavam pesados. Ela ficava tão estressada que não conseguia pegar no sono. Então um amigo neurologista receitou a droga.

– Ele disse que o remédio ajudaria a induzir o sono e que era um dos poucos que não causaria dependência. Claro, se eu não fizesse uso em excesso. Hoje só tomo quando estou muito estressada. Sei que não é a medida mais saudável, porém é o que traz resultado rapidamente. E nessa vida de corre-corre ele se torna uma droga licita de extrema necessidade – opina.

Só que o clonazepam é apenas para casos graves, reforça a psiquiatra Ana Cecília Petta Roselli Marques, pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia e Ciência para Políticas sobre Álcool e Drogas.

– O consumo a médio prazo, de três a seis meses, causa tolerância e o usuário passa a necessitar de dose maior para atingir o efeito inicial, diminuindo a sua capacidade de resolver problemas – alerta.

Droga não traz sensação de paz

Para o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da UFRJ, os calmantes relaxam, mas não trazem sensação de paz. Ele lembra que psicoterapia, ioga, meditação e prática de exercícios também relaxam e reduzem a ansiedade.

– Quando muito, o calmante é um arremedo de conforto – afirma Laranjeira. – Acredito no repertório não farmacológico que inclui ouvir música, fazer exercícios, cultivar as relações amorosas, familiares, trabalho criativo. A busca do paraíso é eterna, mas duvido que o nirvana seja encontrado nas medicações e nas drogas.

O efeito dos benzodiazepínico é semelhante ao do álcool, já que o mecanismo de ação desses fármacos nos neurônios é quimicamente similar ao do etanol. Aliás, a dependência em alcoólatras é alta, comenta a psiquiatra Vera Lemgruber, chefe do Setor de Psiquiatria do Serviço da Santa Casa de Misericórdia no Rio. Ela acredita que o Rivotril em particular faz sucesso porque tem poucos efeitos colaterais, além de sonolência e relaxamento muscular. Além disso, a droga não tem o estigma de antidepressivo. E ainda é barata, em relação a outras da sua classe.

– Clínicos acham mais fácil receitar esse tipo de medicamento do que os antidepressivos, que provocam efeitos colaterais desagradáveis e precisam ser controlados com maior atenção. Hoje a bola da vez entre os benzodiazepínicos é o Rivotril, mas em outras décadas já foram Valium, Lorax, Olcadil, Lexotam e Frontal.

Nem mesmo se livrar do Rivotril por conta própria e de uma hora para outra é fácil.

– A retirada precisa ser feita de forma gradual para evitar crises de abstinência e insônia, sintomas que podem reforçar a impressão de que não se deve deixar de tomar a medicação – diz Vera.

Essa dificuldade para abandonar o fármaco não está apenas associada à sua química, acrescenta a psicanalista Alice Bittencourt, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio.

– Livrar-se do Rivotril ou qualquer outro é difícil porque é preciso enfrentar todos os fantasmas que a pessoa não queria encarar quando começou a tomar o medicamento. Afinal o remédio só esconde os problemas, que continuarão lá, esperando para serem solucionados – afirma. – As pessoas não se dão conta que não existem pílulas milagrosas, e que uma hora terão que trabalhar as suas dificuldades internas com especialistas.

Na opinião de Alice, essa busca da sensação de paz faz as pessoas esquecerem da tarja preta e do risco de dependência química e psicológica:

– Conheço gente que não sai de casa sem uma caixinha do remédio. Usam como se fosse uma porção mágica antes de provas, reuniões ou qualquer situação de crise.

A Roche, fabricante do Rivotril ressalta que não faz mais a promoção comercial do fármaco no Brasil e que ele só pode ser comprado com receita retida e controlada pela Anvisa.

Fonte: O Globo

13 fevereiro, 2011

Romã: novos estudos

Posted in alimentação, fitomedicina, fitoterapia, frutas às 2:50 pm por Marcelo Guerra

Ela surgiu na região do sudoeste asiático, entre o Mediterrâneo e o Irã, e, nos textos bíblicos, é associada às paixões e à fecundidade. Na crença popular nacional, atrai dinheiro. Para pesquisadores, as sementes e a polpa da romã, o fruto da romãzeira, têm muito mais poderes: um alto teor de flavonoides (antocianinas) e outros potentes antioxidantes, como vitamina C, e ação de proteção contra câncer. Tanto que especialistas da Embrapa Agroindústria de Alimentos, em parceria com a Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), e a UFRJ iniciaram estudos visando melhorar a produção do fruto no Brasil e estimular o seu consumo entre os brasileiros.

E eles têm bons motivos para apostar nessa pesquisa. Estudos prévios, realizados na Universidade de Baroda, na Índia, já mostraram que a romã tem três vezes mais capacidade antioxidante que o vinho e o chá verde – tradicionalmente os mais incensados por tal característica.

E, apesar de os médicos ainda não recomendarem seu consumo para prevenir ou tratar doenças da próstata, inclusive o câncer na glândula, uma investigação da Universidade da Califórnia indicou que o suco de romã diminui a velocidade de aumento do antígeno prostático específico, o PSA, um marcador para o tumor maligno. Segundo os primeiros resultados, a bebida ajudaria a reduzir a multiplicação de células cancerígenas.

Nessa pesquisa, apresentada há dois anos no Congresso Americano de Urologia, médicos acompanharam 48 pacientes por seis anos. Eles bebiam cerca de 240ml de suco de romã por dia. Entre 15 e 60 meses depois, 60% dos pacientes apresentaram redução do PSA.

Isso é bem provável, afirma Regina Isabel Nogueira, coordenadora da pesquisa com a romã na Embrapa. Até porque as propriedades antiinflamatórias e vermífugas do fruto são conhecidas há bastante tempo:

– A romã pode ser considerada um dos melhores alimentos funcionais, isto é, além de nutrir, ela traz benefícios à saúde. É um potente antioxidante que auxilia na eliminação de excesso de radicais livres no organismo, as moléculas que em grande quantidade aceleram o envelhecimento e favorecem o aparecimento de doenças.

O problema é que há poucas áreas no Brasil, como o semiárido nordestino, onde o fruto pode ser cultivado em grande quantidade e com qualidade. Daí a importância do estudo da Embrapa. Os pesquisadores buscam produzir o melhor fruto – adaptado ao solo e ao clima brasileiro – entre espécies selecionadas lá fora, e usá-lo de diferentes maneiras. Tudo será aproveitado.

– Precisamos ver, por exemplo, se a atividade antioxidante encontrada no fruto cultivado aqui será tão boa quanto o produzido lá fora. Trouxemos espécies de diferentes países e estamos analisando vários aspectos. Por exemplo, algumas frutas são mais doces, outras nem tanto – diz Regina. – Ainda não sabemos qual vai se adaptar melhor e terá o sabor mais agradável ao paladar brasileiro.

Consumo também em forma de suco

A romã pode ser consumida em forma suco (inclusive em pó). Já o seu óleo é obtido por prensagem das sementes. A pesquisa ainda prevê a opção de cristalizar a casca, expondo-a em contato com a calda de açúcar para reduzir em até 50% o teor de água. Com isto, aumenta-se o tempo de conservação da fruta e seu peso e volume diminuem, gerando economia no custo de transporte, além de adocicar seu sabor levemente ácido.

– Esse processo é simples e pode despertar o interesse de produtores. A romã poderá ser consumida de forma semelhante ao gengibre cristalizado – explica. – O mercado para produtos extraídos da romã é grande em todo o mundo. Porém, in natura, ainda é um fruto caro para a maioria da população. Cerca de um 1kg sai por quase R$ 15. Porém se conseguirmos uma boa mistura, de qualidade, o consumidor não precisará comprar tantos frutos para ter seus benefícios.

No Brasil, o chá à base de casca de romã tem sido consumido como antibiótico, mas isso ainda precisa ser mais bem pesquisado, assim como os benefícios de outras formas de preparo da fruta. Sementes, casca e polpa estão sendo estudados.

Fonte: O Globo

12 fevereiro, 2011

Educação nos tempos atuais: Ciclo de Palestras no Rio de Janeiro

Posted in saúde às 7:55 pm por Marcelo Guerra

7 fevereiro, 2011

Resposta de dois homeopatas aos céticos

Posted in homeopatia às 5:40 pm por Marcelo Guerra

Na qualidade de Presidente da Federação Brasileira de Homeopatia, e em resposta à matéria “Ativistas contra homeopatia vão tomar ‘overdose’”, publicada no último domingo, dia 30/1, venho afirmar que esta ciência de mais de 200 anos, derivada de uma das propostas de Hipocrates, pai da Medicina Ocidental, é uma especialidade médica desde 1980 no Brasil. Está presente em vários serviços médicos do SUS e Universidades e em expansão conforme a posição da Organização Mundial da Saúde no sentido de oferta de terapias reconhecidas como eficazes, e aqui no Brasil pela portaria 971 no Ministério da Saúde.

A condição básica para emitir qualquer tipo de opinião sobre a Homeopatia é ser feita por profissionais capacitados que tenham estudado a sua teoria e prática. O fato de leigos ou pessoas, que se intitulam de forma estranha como representantes de um tipo opinião, se manifestarem contra uma opção terapêutica nos chama a atenção. Isso só seria realmente entendido e compreensível se houvesse algum malefício no tratamento, como no caso de vários tipos de drogas que surgiram como milagrosas e que foram eliminadas do bulário médico, pois decepcionaram pelo mal causado.

Chama a atenção que um grupo não definido em suas constituições profissionais queira atrair atenção a nível mundial sobre o aumento do consumo e gastos com a Homeopatia negando as publicações e fatos relevantes que abalizam sua crescente procura. Isso demonstra todo tipo de desrespeito em não chamar à atenção desta mesma população dos riscos de abusos de remédios, e outras coisas de importância social. Ao contrário, vão colocar a prova o sistema de segurança que a Homeopatia promove aos seus usuários, com resultados de ausência de intoxicações catalogadas ao longo destes dois séculos de prática.

Insultam os usuários e deixam uma mensagem dúbia em atacar com um volume financeiro considerável uma prática que vem prestando serviços de forma eficaz só ou como complementar de outras técnicas médicas, assim como a cirurgia, vacinas, alopatia, acupuntura, entre outras. O fato de a ciência Homeopatia promover alguma polêmica advém da carência de conhecimento e estudo teórico e prático, por uma boa parte dos médicos por não contam com esta matéria no ensino universitário.

O médico tem dever e ética para com seu paciente. Cabe a ele estar informado da melhor forma de tratá-lo. Nesse caso, a Homeopatia é mais um instrumento para a prática da medicina, levando o profissional a optar por realizar outra técnica ou sabendo indicar quem o faça de maneira a confortar, aliviar ou curar o mal que atinge seu paciente, e jamais se esconder num único método, obscurecendo as possibilidades de tratamento.

A Homeopatia é um sistema terapêutico que se baseia nas características do enfermo e utiliza doses mais fracas para evitar a agressão imediata ao paciente já combalido pela doença. Sua prática registra benefícios desde a epidemia de cólera entre 1830 e 1834 na Europa. A utilização mais expressiva do tratamento homeopático está nas doenças crônicas, reduzindo progressivamente crises agudas, como rinites, asma, bronquites, colites, artrose, por exemplo, e conta com publicações específicas.

Obviamente, este fenômeno promove uma melhora do estado de saúde, e um menor consumo de medicamentos de ação aguda, e pesquisas têm revelado um menor custeio da saúde nestes tipos de patologia. O número de pessoas que procuram serviços médicos para tratamento com homeopatia vem aumentando de forma significativa, gerando maior procura por este tipo de medicamento.

Dr. Fabio de Almeida Bolognani, presidente da Federação Brasileira de Homeopatia http://www.homeopatiabrasil.org.br

São Paulo

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HOMEOPATIA E CETICISMO

Reproduzindo a manifestação de 30/01/2010, grupos de céticos em diversos países ingeriram em 05/02/2011, em praças públicas, frascos inteiros de “supostos” medicamentos homeopáticos, com o intuito de validar a hipótese de que esses remédios “são apenas glóbulos de açúcar” e não produzem qualquer efeito na saúde humana. Vale ressaltar que esse movimento surgiu no Reino Unido em apoio à proposta de suspensão do uso de verbas públicas para a compra de medicamentos homeopáticos, mobilizada por partidários de laboratórios farmacêuticos, e que envolve a quantia de milhões de libras anuais.

Pelo segundo ano consecutivo, contanto com a participação maciça da mídia, os autodenominados céticos concluíram, de forma sensacionalista, que os medicamentos homeopáticos funcionam apenas como “placebo”, baseando suas catedráticas afirmações na suposição de que nenhum dos participantes apresentou quaisquer efeitos adversos logo após a ingestão das “overdoses” dos medicamentos homeopáticos.

Num primeiro momento, várias perguntas deveriam ser respondidas pelos organizadores do movimento, para a proposta apresente legalidade jurídica, ética e científica: Quais foram os medicamentos homeopáticos experimentados e em que potência? Aonde foram produzidos e adquiridos, em vista da necessidade de prescrição médica para o aviamento dos mesmos? Na vigência da manifestação de eventos adversos, qual a conduta para assegurar a integridade dos usuários? Os efeitos poderão surgir em quanto tempo após a ingestão? Qual a metodologia para se avaliar os possíveis resultados? Etc.

Apesar desse hiato de informação básica, muitos articulistas médicos, que deveriam pautar seus posicionamentos no método científico, se posicionaram a favor do movimento.

A auto-experimentação de medicamentos homeopáticos (auto-experimentação patogenética homeopática) é, de fato, um excelente método para a comprovação dos efeitos dos medicamentos homeopáticos no estado de saúde humano, desde que os experimentadores se disponham a observar e registrar, em tempo hábil e sem preconceitos, as mudanças desencadeadas pelas ultradiluições em seus aspectos psíquicos, emocionais, gerais e físicos.

Por esse motivo, em relação aos episódios anteriormente relatados e seus supostos resultados, eu não posso deixar de questionar se tais “céticos” estariam “verdadeiramente” dispostos a mencionar qualquer mudança em seu estado de saúde que poderiam vir a surgir ao longo das semanas após a auto-experimentação. Como o mais provável é que a resposta seja “não”, então proponho que ao invés de “céticos” sejam chamados de “preconceituosos”, porque lhes falta o “verdadeiro espírito científico”, ou seja, aquela postura que exige dos pesquisadores abdicarem de suas opiniões e idéias preconcebidas quando buscam respostas para perguntas sugeridas pela pesquisa.

Minha posição se fundamenta nos resultados obtidos no projeto “Experimentação patogenética homeopática como método didático”, que vem sendo realizado desde 2003 com estudantes da disciplina eletiva “Fundamentos da Homeopatia” da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Trata-se de um protocolo científico (aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da FMUSP), onde os medicamentos homeopáticos são experimentados em doses únicas (5 glóbulos) e na diluição 30cH (10-60 M) através de ensaio clínico randomizado, duplo-cego e placebo-controlado (cross-over).

Os estudantes de medicina participam dessa atividade de forma optativa e voluntária, assinando um Consentimento Livre e Esclarecido (CLE) e observando os efeitos do medicamento homeopático e do placebo (em fases alternadas) em seus estados de saúde, ao longo de um período de dois meses. Com essa prática vivencial puderam ser confirmados vários sintomas descritos em experimentações prévias das mesmas substâncias, corroborando a premissa de que a “informação” contida nos medicamentos homeopáticos dinamizados pode produzir efeitos patogenéticos em seres humanos. Essa experiência quali-quantitativa está descrita em detalhes no artigo “Brief homeopathic pathogenetic experimentation: a unique educational tool in Brazil” (“Experimentação patogenética homeopática breve: uma singular ferramenta educativa no Brasil”), publicado em 2009 no periódico “Evidence-based Complementary and Alternative Medicine” ( http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2722208 ).

No entanto, devo insistir que o requisito mínimo para que os fenômenos homeopáticos possam ser constatados está na “mente aberta” dos pesquisadores (como se posicionaram, de forma exemplar, os estudantes de medicina da FMUSP), sem preconceitos, tanto na pesquisa quanto na terapêutica. Caso contrário, são “pérolas jogadas aos porcos”.

Marcus Zulian Teixeira, médico homeopata, doutor em medicina, coordenador da disciplina “Fundamentos da Homeopatia” da FMUSP mzulian@usp.br / http://www.homeozulian.med.br

São Paulo

Fonte: O Estado de São Paulo