22 maio, 2011

O fim dos clínicos gerais?

Posted in medicina às 12:18 pm por Marcelo Guerra

>> Os médicos homeopatas mantêm o cuidado e o respeito para com o paciente, são os herdeiros dessa cultura médica de buscar a qualidade no contato com o paciente para poder cuidar dele com eficiência!

RIO – O clínico geral Fábio Miranda, de 54 anos, mantém um consultório particular há 30 anos. Atende de cinco a seis pessoas por dia, passando, pelo menos, 45 minutos com cada uma delas. Quando se trata da primeira consulta, o atendimento pode ultrapassar os 60 minutos, entre a conversa e o exame físico. Certa vez, num desses casos, o médico foi interpelado por uma paciente visivelmente nervosa: “Doutor, eu estou ficando muito preocupada, eu estou com alguma coisa grave? Nunca ninguém me examinou tanto, me perguntou tanta coisa.”

O que era normal umas décadas atrás hoje é visto como exceção total à regra. Não há números – o Conselho Federal de Medicina não registra os médicos por especialidade -, mas é generalizada a percepção de que o clínico geral é uma espécie em extinção hoje na expandida classe média nacional com acesso a planos de saúde. Nesta nova realidade, reinam as especialidades médicas e as consultas mais curtas. A relação entre médico e paciente, antes cultivada em consultas mais longas e sempre com o mesmo sujeito, que te acompanhava por toda a vida, se perdeu em meio à diversidade de profissionais – um modelo de atendimento importado dos EUA.

Os chamados médicos de família hoje, no Brasil, não são poucos, mas trabalham basicamente para o governo, no atendimento de comunidades carentes: são 32 mil profissionais.

– A cultura (do médico de família) se perdeu (na classe média) – afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Gustavo Gusso. – Mesmo que o plano ofereça, as pessoas não valorizam, não têm tanta confiança, preferem ir no especialista, acham que esses caras são ótimos e que o médico de família é para os pobres. Pobres dos ricos brasileiros. Aqui não há uma relação histórica. Na Inglaterra, por exemplo, a pessoa vai ao seu médico de família desde que nasceu. Em vários países da Europa não se consegue ir a um dermatologista sem passar antes por um médico de família.

O modelo de atendimento brasileiro, no entanto, segue o americano, onde o fenômeno da proliferação das especialidades e da extinção do clínico se repete. O número desses profissionais caiu de 44% do total de médicos em 1986 para 18% em 2008, segundo dados da Sociedade Americana dos Médicos de Família. Ronald Sroka, de 62 anos, 32 deles de consultório, é um dos remanescentes:

– Não vai sobrar nenhum de nós – lamentou, em entrevista ao “New York Times”.

Para a maioria dos especialistas ouvidos, no entanto, quem sai perdendo é o paciente. Faz sucesso na internet, sendo replicado em redes sociais, um texto assinado pela médica Tatiana Bruscky sob o título “Onde andará o meu doutor?”, em que ela toma as dores dos pacientes: “Por favor, me olhe, ouça a minha história! Preciso que o senhor me escute, ausculte e examine! Estou sentindo falta de dizer até aquele 33! Não me abandone assim de uma vez! Procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança! Alimente a minha mente e o meu coração… Me dê, ao menos, uma explicação!”

Em geral, os médicos de planos de saúde passam pouco tempo com seus pacientes (eles recebem, em média, menos de R$ 50 por consulta) e tentam cobrir a falta de conversa com pedidos de exames.

Na análise do diretor da Clínica São Vicente, Luiz Roberto Londres, autor do livro “Sintomas de uma época – quando o ser humano se torna um objeto”, no entanto, a conversa mais aprofundada entre médico e paciente pode levar ao diagnóstico em 90% dos casos, sem necessidade de exame algum.

– Muitos problemas que são percebidos como doença são, na verdade, sintomas ou repercussões do meio – analisa Londres. – Conversando com a pessoa, o médico percebe, por exemplo, se há um problema no emprego, na família, nas finanças, ao qual o sujeito está reagindo com sintomas. Essa quantidade de exames que é pedida hoje é por falta de conversa. A mesma coisa com a quantidade de medicamentos. Repito: a maior parte dos pacientes não tem doença física.

O especialista, nessas horas, atrapalha ainda mais, uma vez que ele não é treinado para lidar com o que se chama de “sintomatologia vaga”, mas sim com áreas muito específicas.

– Hoje em dia, boa parte das pessoas acha que o clínico não resolve o problema, que é uma perda de tempo e dinheiro, que o melhor é ir direto no especialista – afirma Fábio Miranda. – A verdade é que é o contrário. Se o cara for bom, ele vai resolver de 70% a 80% dos problemas. E vai resolver logo na primeira consulta, com diagnóstico. Se for no especialista, vai demorar mais. E isso se cair no especialista certo.

Gustavo Gusso frisa que o treinamento do médico de família é justamente para lidar com as queixas mais variadas.

– É o sujeito que acorda “meio mal”, “tonto”, “com um pouco de dor de cabeça” ou “sentiu a vista escurecer”. Queixas assim que não fazem muito sentido – diz Gusso. – O médico de família é treinado para isso, o dia inteiro atendemos pessoas assim; diferente do especialista.

Além do mais, aponta Gusso, não é viável imaginar um sistema de saúde em que cada indivíduo disponha de um gama de especialistas.

– Não é razoável cada um ter o seu cardiologista, o seu ortopedista, o seu dermatologista; e cada um deles pedir um monte de exames, não examinar nada. Não dá para transformar a medicina num shopping center.

Fonte: O Globo

12 maio, 2011

Grupo de Terapia Biográfica em São Paulo

Posted in antroposofia, terapia biográfica às 9:33 pm por Marcelo Guerra

Você passa a vida buscando um sentido para ela (a vida). Na maior parte do tempo, essa busca é fora, seja aderindo e vestindo a camisa de uma ideologia, comprando, jogando em outra pessoa a responsabilidade pela sua felicidade, e por aí vai. Geralmente quando você olha para dentro de si, esse olhar vai carregado de julgamento, ou admirando-se muito ou recriminando-se como se fosse o pior dos seres humanos que anda sobre a Terra.

Este é um convite para fazer parte de um grupo de Terapia Biográfica que vou coordenar na cidade de São Paulo. O objetivo deste grupo é olhar, junto com os outros participantes, para a própria história, de forma clara e objetiva, sem julgamentos pré-concebidos, para chegar a uma imagem mais nítida de qual o propósito da sua vida.

Este grupo vai funcionar de forma contínua por 8 meses, em que teremos um grupo de discussão só para nós na internet, onde trocaremos mensagens e arquivos, indicações de sites, de livros, filmes, atividades. Uma vez por semana, às terças-feiras, 20h, teremos um encontro marcado pelo Skype, onde conversaremos com voz até 21h. Você organizará um caderno com fatos da sua vida junto com fotos e lembranças para tornar sua biografia algo vivo diante de você. E um sábado por mês teremos um encontro presencial, de 9h às 18h, onde você poderá fazer atividades vivenciais como pintura em aquarela, modelagem em argila, danças circulares e contos de fadas, que ampliarão a compreensão do tema do mês, coroando as discussões com o contato real com o grupo. Para cada tema, teremos um filme para discutir (que assistiremos cada um em sua casa) e alguns textos e músicas para alimentar a discussão.

Os temas que iremos abordar são:

  • Infância e família
  • Adolescência e sexualidade
  • Vocação e trabalho
  • Amor e relacionamentos
  • Amizades
  • Dinheiro
  • Espiritualidade e morte
  • O mal e o perdão

Para participar é necessário ter mais de 21 anos, ter acesso a um computador com conexão à internet e ter vontade de olhar para a própria biografia como quem olha para algo sagrado, que guarda as possíveis respostas para seus conflitos e indecisões.

O grupo, uma vez formado, será o mesmo até o fim do 8° encontro, por isso é importante refletir sobre seu real desejo de participar deste trabalho e evitar inscrever-se pelo impulso. O custo será de R$250,00 mensais, a 1ª parcela será paga através de depósito no Banco do Brasil ag. 0107-4 conta 20222-3 e as demais serão pagas no 1° encontro, com cheques pré-datados. O mínimo de participantes será de 4 pessoas e o máximo, 10. Se não houver o mínimo de inscritos até o 1° encontro presencial, o início poderá ser adiado. Informarei a quem estiver inscrito sobre o andamento das inscrições.

Os encontros presenciais serão à Rua Mateus Grou, 497 casa 2 (uma vila entre os números 507 e 509), Pinheiros, São Paulo. O telefone para contato é (11)6463-6880 e o meu e-mail é marceloguerra@terapiabiografica.com.br .

As datas dos encontros presenciais são as seguintes:

  • 18 de junho de 2011;
  • 16 de julho de 2011;
  • 13 de agosto de 2011;
  • 17 de setembro de 2011;
  • 15 de outubro de 2011;
  • 12 de novembro de 2011;
  • 10 de dezembro de 2011;
  • 14 de janeiro de 2012.

Espero que estejamos juntos nos próximos 8 meses! Um abraço,

Marcelo Guerra

Clique aqui para fazer sua inscrição.

3 maio, 2011

Antibióticos causam a epidemia de obesidade

Posted in obesidade, saúde às 6:23 pm por Marcelo Guerra

LONDRES – Cientistas acreditam que o uso indiscriminado de antibióticos orais pode estar desempenhando um papel significativo no agravamento da epidemia de obesidade. Evidências sugerem que a utilização desses medicamentos pode estar afetando o crescimento de bactérias no intestino humano que influenciam o ganho de peso quando um indivíduo come demais ou não faz exercícios, segundo reportagem do jornal “Independent”.

Através de uma técnica para a contagem dos genes de bactérias no intestino humano, um estudo recente descobriu que as pessoas magras tendem a ter uma comunidade mais diversificada na flora intestinal em comparação aos indivíduos obesos.

Estudos anteriores já tinham estabelecido uma diferença entre as bactérias do intestino de pessoas magras e obesas, mas este trabalho está sendo visto como apoio à polêmica idéia de que as bactérias para matar os antibióticos podem estar desempenhando um papel na predisposição à gordura.

– É uma possibilidade bem real – disse Stanislav Dusko Ehrlich, um microbiólogo do Instituto para Pesquisa Agrícola em Jouy-en-Josas, na França, que faz parte de um consórcio de cientistas à frente do trabalho. – Encontramos comunidades de bactérias diferentes em pessoas magras e obesas. Não temos certeza se isso é a causa, a contribuição ou a consequência para o sobrepeso, mas estas bactérias merecem ser investigadas.

Estudos anteriores em ratos de laboratório e animais de fazenda já tinham estabelecido uma ligação entre a flora intestinal, o uso de antibióticos e o aumento da gordura corporal, mas os cientistas foram cautelosos de extrapolar esses achados para seres humanos.

O estudo investigou os genes de bactérias encontradas na flora intestinal de 177 dinamarqueses, sendo 55 magros e os demais obesos ou com sobrepeso. Os cientistas constataram que a maioria das pessoas do estudo tinham, em seus intestinos, cerca de 600 mil diferentes genes de bactérias. Mas cerca de um terço dos participantes obesos tinham apenas cerca de 360 mil genes de bactérias – cerca de 30% ou 40% menos – o que sugere uma comunidade mais pobre da flora intestinal, que normalmente é composta por cerca de 160 espécies diferentes de formas de vida microbiana.

Fonte: O Globo