30 março, 2012

Amamentação depende apenas da fome do bebê

Posted in alimentação, criança às 12:08 pm por Marcelo Guerra

29/03/2012 – A atriz Carolinie Figueiredo esteve com a filha Bruna Luz, de 4 meses, num shopping na Zona Oeste do Rio, na última terça-feira. Enquanto andava, Carolinie amamentava a pequena no colo. O passeio das duas trouxe à tona uma velha dúvida das mães de primeira viagem: afinal, é necessário um local especial e calmo para amamentar? Os médicos respondem:

— Se a criança está com fome, tem que amamentar. Se a mãe está confortável e o bebê também, o local não faz diferença. Não há contraindicação clínica. Agora, se há um local próximo mais calmo, mais tranquilo, é melhor — afirmou Luciano Santiago, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediadria (SBP).

A médica Ana Paula Joras Jundi, pediatra neonatalogista da Clínica Samci, lembra que a posição da criança na hora da amamentação deve ser conferida.

— Não importa onde se esteja, é preciso ter certeza de que a posição está correta. Ou seja, barriga da mãe encostada na barriga do filho e boca da criança na aréola do peito e não somente no bico. O ideaAl é sentar e curtir o momento. Mas não há contraindicações — afirmou a pediatra.

Pelo Twitter, a atriz defendeu a amamentação em público. “Amamentar é a melhor opção do mundo, pra mim e pra BL. Não tenho nenhum constrangimento em amamentar em qualquer lugar”, escreveu no microblog.

Outras dicas

Primeira: A primeira mamada deve ser ainda na sala de parto, na primeira hora de vida, segundo orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria (www.conversandocomopediatra.com.br).

Posição: O bebê deve estar de frente para a mãe, com a boca bem aberta para abocanhar o mamilo e a parte da aréola.

Apoio: O pós-parto pode trazer tristeza e cansaço à mulher, deixando-a insegura em relação a sua própria amamentação. O apoio e o incentivo do pai são essenciais para que a mãe se reestruture, se reorganize e se sinta capaz de amamentar.

Insegurança: Se estiver com receio ou sentindo-se insegura sobre a amamentação , a gestante pode procurar fazer um curso de aleitamento materno que geralmente é oferecido na unidades de saúde.

Fonte: Jornal  Extra 29/03/2012

11 março, 2009

Curso de nutrição para pais de autistas

Posted in alimentação, criança tagged às 5:56 pm por Marcelo Guerra

oficina-de-sabores

9 março, 2009

Quase metade dos casos de abuso sexual são contra menores de 12 anos, revela hospital

Posted in criança tagged às 5:48 pm por Marcelo Guerra

Hospital Pérola Byington

SÃO PAULO – O Programa Bem-Me-Quer, do Hospital Pérola Byington, divulgou nesta segunda-feira que das 2.330 vítimas de abuso sexual atendidas no hospital no ano passado, 1.103 eram menores de 12 anos. O número representa 47,3% de todos os atendimentos realizados no local.

De acordo com o programa, em todo o ano de 2007 foram atendidas 846 crianças até 11 anos e outras 517 com idade entre 12 e 17 anos.

As queixas de abuso sexual sofridas por pessoas do sexo masculino cresceu 30,8% se comparados os números de 2007 e 2008. No ano passado, 306 pessoas do sexo masculino procuraram o serviço do Bem-Me-Quer do Hospital Pérola Byington contra 234 em 2007.

“As pessoas estão discutindo mais o assunto e, consequentemente, estão mais atentas ao que pode estar acontecendo com as crianças. Desta forma, a família se sente mais segura para procurar ajuda”, afirma Jeferson Drezzet, coordenador do Programa Bem-Me-Quer.

O Projeto Bem-Me-Quer faz parte do Ambulatório de Violência Sexual do Hospital Pérola Byington e é uma parceria entre as secretarias estaduais de Saúde e Segurança Pública. Nele, as vítimas de abuso contam, no mesmo espaço, com uma equipe multidisciplinar capacitada para oferecer ajuda médica e realizar o exame de corpo de delito, simplificando o processo de notificação às autoridades e expondo menos os pacientes.

Fonte: Último Segundo

3 fevereiro, 2009

Merenda saudável

Posted in alimentação, criança às 11:04 am por Marcelo Guerra

merenda

As aulas voltaram e, com elas, a correria de pais e filhos. Mas a pressa não pode ser desculpa para deixar a saúde de lado, afirma a nutricionista Renata Damião, do Hospital Fleury. Ela preparou um guia fácil e rápido para orientar os pais na hora de montar a lancheira dos pequenos. Em resumo: esqueça salgadinhos e refrigerantes; aposte em frutas e lanches saudáveis.
A lancheira ideal, segundo Renata, contém exemplos de todos os grupos alimentares. Falando assim pode até parecer complicado. Mas não é.
São três esses grupos. O primeiro é dos alimentos “energéticos” — e inclui, por exemplo, todos os tipos de pães. O segundo grupo é dos “contrutores”, como queijo, peito de peru, leite, iogurte e achocolatados. Ou seja, um sanduíche com uma bebida láctea já resolve dois itens da listinha. Para fechar, os chamados alimentos “reguladores”, que são muito bem representados pelas frutas.

A psicóloga Daniela Ribeiro, de 27 anos, segue essas regras à risca na hora de fazer a lancheira da filha Flávia, de seis anos. Mas a missão não é fácil. “A Flávia é um pouco chata para comer. Ela só gosta de comer o que não é bom”, conta a mãe. A saída? Fazer a menina participar da escolha do lanche e dar preferência a alimentos saudáveis que sejam do agrado dela.
“Sempre procuro colocar uma fruta, ou um legume, que ela gosta, um sanduíche ou uma bolacha, e uma bebida. Aí ela tem a opção de escolher o que está com mais vontade”, explica Daniela.
A nutricionista aprova a saída encontrada. “Há uma composição bem diferenciada, bem balanceada. Achei interessante o incentivo que ela dá para a filha ajudar a compor a lancheirinha com opções saudáveis”, diz Renata.
“O iogurte fornece as proteínas necessárias para a criança. A fruta, banana ou mamão, fornece bastante vitaminas e minerais, o que ajuda no desenvolvimento escolar e no crescimento. E há oção de um carboidrato, porque a criança precisa de energia, no pão e na bolacha”, explica. “Lembrando e reforçando que quando for uma bolacha, é bom priorizar sempre uma mais saudável. Evitar bolachas que contêm recheio, que são muito gordurosas, bastante calóricas e não trazem benefícios para a saúde”, orienta Renata.
Segundo ela, o erro mais comum que os pais cometem na hora de montar a lancheira das crianças é priorizar salgadinhos e refrigerantes. “Isso tem que ser revisto e o adulto tem que ajudar a criança a comer opções mais saudáveis”, afirma. “Os pais, como educadores, têm que participar desse processo. Quando a gente fala de hábitos alimentares não é só a lancheirinha. São hábitos que vão sendo adquiridos ao longo do crescimento dessa criança e envolvem também a família”, diz Renata.

Fonte: G1

9 janeiro, 2008

Hiperatividade ou falta de limites?

Posted in antroposofia, comportamento, compulsão, criança, desenvolvimento, homeopatia às 1:44 pm por Marcelo Guerra

momrowdyboys.jpg

Eu fui convidado para fazer uma palestra na escola em que minha filha mais nova estuda sobre Hiperatividade, na reunião de pais bimestral. Ontem estava organizando as idéias e achei interessante postar aqui.

Em primeiro lugar, uma classificação: existem crianças levadas, crianças hiperativas e crianças sem limites. As levadas dão a impressão de não estarem se concentrando em nada mas, quando colocadas diante de alguma atividade que lhes interesse, dedicam-se inteiramente a ela. As crianças hiperativas realmente não se concentram, mesmo quando é algo que lhes interesse muito. Elas simplesmente não conseguem se concentrar! As crianças sem limites concentram-se, mas dificilmente elas têm interesse que não seja superficial, porque geralmente elas ganham tudo que querem, mesmo que remotamente. Então o interesse salta de uma coisa para outra o tempo todo. Um exemplo é uma criança que queria e ganhava tudo relativo ao RBD (Rebelde, para quem não conhece) e agora já deixa tudo que ganhou para trás (CD, DVD, roupas, álbuns de figurinhas, revistas, álbuns de fotos, etc) porque “precisa” ter tudo do High School Musical.

Classificadas assim, vamos falar sobre a Hiperatividade. Na década de 1970 era chamada Disfunção Cerebral Mínima, porque acreditava-se que algum problema, provavelmente no parto, causava uma baixa oxigenação do cérebro, provocando a hiperatividade. Hoje o nome oficial é DDAH, Distúrbio do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Em seu aspecto biológico, está ligada ao metabolismo da dopamina, um neurotransmissor. Os neurônios onde a dopamina atua estão ligados à sensação de prazer, de saciedade, e quando desregulados nada sacia a pessoa, nada causa um prazer profundo. Isto gera uma inquietação constante, pode levar a compulsões na criança e no adulto. Estudos sugerem que este é o fator biológico envolvido nas dependências, como o alcoolismo, dependência de drogas, compulsões alimentares, compulsões sexuais, oneomania (tem um outro artigo neste blog sobre isto), etc. A deficiência de dopamina gera uma baixa capacidade de atenção e concentração. A criança não consegue fixar sua atenção por muito tempo. Isto explica o baixo desempenho escolar, principalmente em matérias em que é preciso ler muito, como história, geografia. Muitas vezes elas são ótimas em matemática, porque o raciocínio é muito rápido, mas se os problemas apresentados tiverem um enunciado a ser interpretado já dificulta. Bem, sem capacidade de fixar a atenção, tudo pode dispersar a criança, até uma mosca que passa. Ela não tem controle sobre a esfera do pensamento, que flutua muito mais rápido do que normalmente ele já o faz. Ela também não tem controle sobre os sentimentos, não conseguindo conter reações emocionais, alternando rapidamente momentos de extremo carinho, simpatia, amorosidade, com momentos de agressividade verbal e física. E também não têm controle sobre a esfera do agir, apresentando uma impulsividade e uma compulsão muito grande ao movimento, elas não conseguem ficar paradas, não conseguem fazer nada até o fim, brincam com três ou quatro brinquedos ao mesmo tempo.

Na Antroposofia falamos que o Eu (Interior) organiza e controla o Pensar, o Sentir e o Agir. Ora, a criança hiperativa não tem nenhum controel sobre estas três esferas, demonstrando que seu Eu não tem esta capacidade de integração. Ela precisa aprender a controlar estes três. E o principal meio para isto é educacional. Até a adolescência, a principal influência sobre a criança são seus pais, o modelo que eles oferecem, e é este modelo que vai influenciar sua vida adulta. Logo em seguida, vem a influência dos professores. Tanto os pais quanto os professores devem saber controlar seu pensar, seu sentir e seu agir, para servirem de modelo para as crianças. Um outro fator importante para que o Eu conquiste o comportamento é o ritmo, a criança precisa de ritmo, de uma rotina. Ter hora para comer, para dormir, para tomar banho, para ir à escola, para assistir TV, para jogar videogame, para entrar na internet. Eu vejo pais de crianças de 10 anos reclamando que o filho passa a noite inteira no computador, e fico me perguntando: onde estão os pais numa hora dessas?

Aí eu acho que entra um fator que agrava a criança hiperativa e cria a criança sem limites. Hoje em dia, ambos os pais trabalham fora geralmente, e muitas horas. Muitos pais, principalmente as mães, sentem-se muito culpadas por estarem longe do filho a maior parte do tempo e, por outro lado, chegam em casa super cansados, querendo um tempo para si, oq ue aumenta ainda mais a culpa. Assim, certas “babás eletrônicas” como o computador, a televisão e o videogame caem como uma luva. A criança se diverte sozinha e os pais podem descansar. Infelizmente estas “babás” amplificam o problema, causando uma excitação ainda maior, embora sejam as poucas coisas que conseguem atrair a atenção de uma criança hiperativa, porque as circunstâncias de um videogame, por exemplo, mudam constantemente, seguindo o ritmo de uma criança hiperativa. A culpa faz com que os pais presenteiem demais os filhos, e o excesso de brinquedos dispersa ainda mais a criança hiperativa, e cria dispersão na criança sem limites, porque ela não se envolve profundamente com nada, porque tudo é passageiro e amanhã ela já ganhará outro “melhor brinquedo do mundo”. A criança consegue perceber a culpa dos pais e pode manipulá-los até deste sentimento. Muito melhor seria brincar junto com a criança, contar histórias para ela, ouvir as histórias dela, participar da vida dela.

Aqui chegamos a um outro ponto: a imagem da criança. Até o início do século 20 não existia a palavra criança como um ser que tem suas especificidades, mas a criança era vista como uma miniatura do adulto. A sociedade ainda resiste a esta mudança de paradigma, haja visto tantos pais tentarem transformar seus filhos em miniadultos, através de roupas, certos brinquedos, hábitos. Uma outra direção é achar que a criança é um ser angelical, sem qualquer maldade. Parece que esquecemos de nossa infância e da crueldade de que as crianças são capazes. As crianças são diferentes dos adultos, mas ainda são humanas, noq ue isso tem de bom ou de ruim. E as crianças têm uma capacidade muito grande de perceber o que seus pais estão sentindo, e a culpa dos pais fica muito evidente nestas situações de não colocar limites ou de presentear excessivamente. E a criança vai usar isto a seu “favor”. Um desfavor a isto é a “psicologização” exagerada que se vê por aí. Crianças que falam de si usando termos médicos e psicológicos mostra que alguma coisa está errada no relacionamento entre ela e seus pais, que não têm mais acesso direto um ao outro, mas mediado por médicos e psicólogos. Eu conheço uma criança que, muito nova, usava sempre a expressão “Eu me sinto insegura” para justificar tudo que ela não queria participar, tudo que ela não queria fazer. As crianças sem limite só precisam de limites claros e objetivos, afinal elas também fazem parte da sociedade e precisam integrar-se a ela.

Além do modelo dos pais, a Pedagogia Curativa ajuda muito as crianças hiperativas. O tratamento medicamentoso alopático é feito principalmente com anfetaminas, como a famosa Ritalina (Metilfenidato), que atua sobre as vias de neurônios que usam dopamina. A atenção é aumentada, e a inquietação conseqüentemente diminui. Tem vários efeitos colaterais a curto e médio prazo. A Homeopatia oferece resultados muito bons nestes casos, e os remédios são muito bem tolerados pelo organismo da criança. Por basear-se na semelhança entre o que um remédio provoca numa pessoa saudável e os sintomas que uma pessoa doente apresenta, a escolha do remédio homeopático é feita através de consulta médica em que os sintomas são detalhados, formando uma imagem bem ampla e precisa do problema do paciente. Com a homeopatia, muitas crianças conseguem melhorar a integração das esferas do Pensamento, Sentimento e Ação, controlando seu comportamento e conseguindo melhora tanto no aprendizado, quanto no relacionamento com os colegas, professores, e familiares e, principalmente, reduzindo a frustração que é um sentimento muito presente nas crianças hiperativas, juntamente com a baixa auto-estima. Assim nossas crianças podem ser mais integradas e felizes!

Marcelo Guerra

8 novembro, 2007

Novo recall atinge brinquedos que contêm droga perigosa

Posted in criança, drogas tagged , , às 12:28 pm por Marcelo Guerra

08_chb_eco_brinque_bola.jpg

O Globo Online e Reuters

RIO – A Comissão de Segurança de Produtos para o Consumidor Americano determinou o recall de 4,2 milhões de brinquedos Bindeez, fabricados na China, que conteriam uma substância perigosa, chamada GHB , que é usada na droga colocada em bebidas de vítimas do golpe “boa noite cinderela”. Mattel também anunciou um novo recall nesta semana .

Com o Bindeez, um brinquedo muito popular, as crianças montam desenhos colando minúsculas bolinhas coloridas com água.
Nos Estados Unidos, o elemento químico encontrado no brinquedo teria levado cinco crianças que ingeriram suas bolinhas a vomitar e perder a consciência. As autoridades australianas também anunciaram a proibição nacional da venda do produto, premiado brinquedo do ano no país, depois que três crianças foram hospitalizadas.

O Bindeez também é encontrado no Brasil, onde é distribuído pela empresa Long Jump, que faz até um concurso das “bolinhas mágicas que se juntam com água”, para premiar as montagens mais criativas das crianças. O produto custa entre R$ 17 e R$ 20, nas principais lojas especializadas e de departamento. A distribuidora do brinquedo aqui ainda está avaliando as notícias para anunciar sua decisão.
Brinquedo prometia ser o best-seller deste Natal

Nos Estados Unidos, o brinquedo era vendido desde abril, com preços que oscilavam entre US$ 17 e US$ 30 e prometia ser o best-seller de vendas deste ano. Foi indicado recentemente pela rede Wal-Mart entre os 12 principais do Natal, mas, nesta quinta-feira, já tinha sido retirado da lista do site da rede de varejo e aparecia como “não disponível no estoque”.

De acordo com os técnicos que realizaram os testes nestes brinquedos, a substância, uma vez metabolizada, transforma-se na droga GHB, disse à CNN o porta-voz da Comissão de Proteção ao Consumidor Americano, Scott Wolfson.
As crianças que ingerem as bolinhas podem entrar em coma, desenvolver problemas respiratórios ou ter convulsões – avisou.

– Quem tiver esses brinquedos em casa deve jogá-los fora – acrescentou Julie Vallese, outra porta-voz da comissão.

Pouco antes, a Comissão de Segurança de Produtos para o Consumidor Americano havia anunciado outro recall de 403 mil brinquedos fabricados na China, incluindo 380 mil carrinhos vendidos na rede de lojas Dollar General, devido aos altos níveis de chumbo encontrados na pintura dos produtos. Nos últimos meses, esse tem sido o principal problema dos brinquedos que sofreram recall. O chumbo é tóxico e pode acarretar graves problemas de saúde às crianças.

29 outubro, 2007

Hiperatividade ou falta de limites?

Posted in antroposofia, criança, doença, homeopatia, medicina antroposófica, remédios, stress tagged , , , , às 12:43 pm por Marcelo Guerra

momrowdyboys.jpg

Eu fui convidado para fazer uma palestra na escola em que minha filha mais nova estuda sobre Hiperatividade, na reunião de pais bimestral. Ontem estava organizando as idéias e achei interessante postar aqui.

Em primeiro lugar, uma classificação: existem crianças levadas, crianças hiperativas e crianças sem limites. As levadas dão a impressão de não estarem se concentrando em nada mas, quando colocadas diante de alguma atividade que lhes interesse, dedicam-se inteiramente a ela. As crianças hiperativas realmente não se concentram, mesmo quando é algo que lhes interesse muito. Elas simplesmente não conseguem se concentrar! As crianças sem limites concentram-se, mas dificilmente elas têm interesse que não seja superficial, porque geralmente elas ganham tudo que querem, mesmo que remotamente. Então o interesse salta de uma coisa para outra o tempo todo. Um exemplo é uma criança que queria e ganhava tudo relativo ao RBD (Rebelde, para quem não conhece) e agora já deixa tudo que ganhou para trás (CD, DVD, roupas, álbuns de figurinhas, revistas, álbuns de fotos, etc) porque “precisa” ter tudo do High School Musical.

Classificadas assim, vamos falar sobre a Hiperatividade. Na década de 1970 era chamada Disfunção Cerebral Mínima, porque acreditava-se que algum problema, provavelmente no parto, causava uma baixa oxigenação do cérebro, provocando a hiperatividade. Hoje o nome oficial é DDAH, Distúrbio do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Em seu aspecto biológico, está ligada ao metabolismo da dopamina, um neurotransmissor. Os neurônios onde a dopamina atua estão ligados à sensação de prazer, de saciedade, e quando desregulados nada sacia a pessoa, nada causa um prazer profundo. Isto gera uma inquietação constante, pode levar a compulsões na criança e no adulto. Estudos sugerem que este é o fator biológico envolvido nas dependências, como o alcoolismo, dependência de drogas, compulsões alimentares, compulsões sexuais, oneomania (tem um outro artigo neste blog sobre isto), etc. A deficiência de dopamina gera uma baixa capacidade de atenção e concentração. A criança não consegue fixar sua atenção por muito tempo. Isto explica o baixo desempenho escolar, principalmente em matérias em que é preciso ler muito, como história, geografia. Muitas vezes elas são ótimas em matemática, porque o raciocínio é muito rápido, mas se os problemas apresentados tiverem um enunciado a ser interpretado já dificulta. Bem, sem capacidade de fixar a atenção, tudo pode dispersar a criança, até uma mosca que passa. Ela não tem controle sobre a esfera do pensamento, que flutua muito mais rápido do que normalmente ele já o faz. Ela também não tem controle sobre os sentimentos, não conseguindo conter reações emocionais, alternando rapidamente momentos de extremo carinho, simpatia, amorosidade, com momentos de agressividade verbal e física. E também não têm controle sobre a esfera do agir, apresentando uma impulsividade e uma compulsão muito grande ao movimento, elas não conseguem ficar paradas, não conseguem fazer nada até o fim, brincam com três ou quatro brinquedos ao mesmo tempo.

Na Antroposofia falamos que o Eu (Interior) organiza e controla o Pensar, o Sentir e o Agir. Ora, a criança hiperativa não tem nenhum controel sobre estas três esferas, demonstrando que seu Eu não tem esta capacidade de integração. Ela precisa aprender a controlar estes três. E o principal meio para isto é educacional. Até a adolescência, a principal influência sobre a criança são seus pais, o modelo que eles oferecem, e é este modelo que vai influenciar sua vida adulta. Logo em seguida, vem a influência dos professores. Tanto os pais quanto os professores devem saber controlar seu pensar, seu sentir e seu agir, para servirem de modelo para as crianças. Um outro fator importante para que o Eu conquiste o comportamento é o ritmo, a criança precisa de ritmo, de uma rotina. Ter hora para comer, para dormir, para tomar banho, para ir à escola, para assistir TV, para jogar videogame, para entrar na internet. Eu vejo pais de crianças de 10 anos reclamando que o filho passa a noite inteira no computador, e fico me perguntando: onde estão os pais numa hora dessas?

Aí eu acho que entra um fator que agrava a criança hiperativa e cria a criança sem limites. Hoje em dia, ambos os pais trabalham fora geralmente, e muitas horas. Muitos pais, principalmente as mães, sentem-se muito culpadas por estarem longe do filho a maior parte do tempo e, por outro lado, chegam em casa super cansados, querendo um tempo para si, oq ue aumenta ainda mais a culpa. Assim, certas “babás eletrônicas” como o computador, a televisão e o videogame caem como uma luva. A criança se diverte sozinha e os pais podem descansar. Infelizmente estas “babás” amplificam o problema, causando uma excitação ainda maior, embora sejam as poucas coisas que conseguem atrair a atenção de uma criança hiperativa, porque as circunstâncias de um videogame, por exemplo, mudam constantemente, seguindo o ritmo de uma criança hiperativa. A culpa faz com que os pais presenteiem demais os filhos, e o excesso de brinquedos dispersa ainda mais a criança hiperativa, e cria dispersão na criança sem limites, porque ela não se envolve profundamente com nada, porque tudo é passageiro e amanhã ela já ganhará outro “melhor brinquedo do mundo”. A criança consegue perceber a culpa dos pais e pode manipulá-los até deste sentimento. Muito melhor seria brincar junto com a criança, contar histórias para ela, ouvir as histórias dela, participar da vida dela.

Aqui chegamos a um outro ponto: a imagem da criança. Até o início do século 20 não existia a palavra criança como um ser que tem suas especificidades, mas a criança era vista como uma miniatura do adulto. A sociedade ainda resiste a esta mudança de paradigma, haja visto tantos pais tentarem transformar seus filhos em miniadultos, através de roupas, certos brinquedos, hábitos. Uma outra direção é achar que a criança é um ser angelical, sem qualquer maldade. Parece que esquecemos de nossa infância e da crueldade de que as crianças são capazes. As crianças são diferentes dos adultos, mas ainda são humanas, noq ue isso tem de bom ou de ruim. E as crianças têm uma capacidade muito grande de perceber o que seus pais estão sentindo, e a culpa dos pais fica muito evidente nestas situações de não colocar limites ou de presentear excessivamente. E a criança vai usar isto a seu “favor”. Um desfavor a isto é a “psicologização” exagerada que se vê por aí. Crianças que falam de si usando termos médicos e psicológicos mostra que alguma coisa está errada no relacionamento entre ela e seus pais, que não têm mais acesso direto um ao outro, mas mediado por médicos e psicólogos. Eu conheço uma criança que, muito nova, usava sempre a expressão “Eu me sinto insegura” para justificar tudo que ela não queria participar, tudo que ela não queria fazer.  As crianças sem limite só precisam de limites claros e objetivos, afinal elas também fazem parte da sociedade e precisam integrar-se a ela.

Além do modelo dos pais, a Pedagogia Curativa ajuda muito as crianças hiperativas. O tratamento medicamentoso alopático é feito principalmente com anfetaminas, como a famosa Ritalina (Metilfenidato), que atua sobre as vias de neurônios que usam dopamina. A atenção é aumentada, e a inquietação conseqüentemente diminui. Tem vários efeitos colaterais a curto e médio prazo. A Homeopatia oferece resultados muito bons nestes casos, e os remédios são muito bem tolerados pelo organismo da criança. Por basear-se na semelhança entre o que um remédio provoca numa pessoa saudável e os sintomas que uma pessoa doente apresenta, a escolha do remédio homeopático é feita através de consulta médica em que os sintomas são detalhados, formando uma imagem bem ampla e precisa do problema do paciente. Com a homeopatia, muitas crianças conseguem melhorar a integração das esferas do Pensamento, Sentimento e Ação, controlando seu comportamento e conseguindo melhora tanto no aprendizado, quanto no relacionamento com os colegas, professores, e familiares e, principalmente, reduzindo a frustração que é um sentimento muito presente nas crianças hiperativas, juntamente com a baixa auto-estima. Assim nossas crianças podem ser mais integradas e felizes!

10 outubro, 2007

Crianças e consumo, uma relação delicada

Posted in compulsão, consumismo, criança tagged , , às 6:07 pm por Marcelo Guerra

barbie-prinzessin-anneliese.jpg

Fonte: Instituto Akatu

O Dia das Crianças está chegando e os pais se preparam para satisfazer os sonhos e desejos de seus filhos – pequenos consumidores cada vez mais exigentes.  Motivados pela propaganda e pelo exemplo do comportamento dos adultos, as crianças aguardam ansiosamente o dia 12 de outubro e os presentes que esperam ganhar. A oferta nunca foi tão grande e as crianças e jovens nunca foram tão bem informados quanto aos novos lançamentos e tendências da indústria de brinquedos, roupas, tênis e afins.

O mercado de produtos infanto-juvenis não pára de crescer, acompanhando e estimulando o aumento do poder dos filhos para influenciar os pais na hora da compra. Segundo o último censo do IBGE, 28% do total da população brasileira têm menos de 14 anos. São 35 milhões de crianças até dez anos de idade (22% da população), alimentando um mercado que já movimenta cerca de 50 bilhões de reais, segundo informações do Instituto Alana, de São Paulo.

Para manter os consumidores mirins bem informado sobre as ofertas do mercado, só em 2006 foram investidos 209,7 milhões de reais publicidade de produtos infantis no Brasil. De acordo com a pesquisa IBGE – InterScience, 2003, as crianças influenciam 80% das compras totais, em casa. E a quantidade de propaganda na TV parece ter tudo a ver com isso. “O consumo nesta fase da vida, até os 12 anos de idade, é estimulado em primeiro lugar pela publicidade na televisão, seguido pelo uso de personagens famosos que fazem parte do imaginário infantil e pela embalagem dos produtos”, descreve Isabela Henriques, advogada e coordenadora do projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana.

A propaganda surte efeito também porque a presença da televisão no cotidiano das crianças brasileiras é muito grande. De acordo com os dados do Painel Nacional de Televisão do Ibope, as crianças brasileiras de 4 a 11 anos assistiram quase 5 horas de televisão (4h51min19s) por dia em 2005, número que colocou o Brasil em primeiro lugar na quantidade de tempo que as crianças ficam diante do aparelho no mundo, batendo até mesmo os Estados Unidos.

Bombardeadas pela oferta de produtos nos intervalos comerciais dos seus programas televisivos prediletos, bem como nas demais mídias a que estão expostos, os pequenos consumidores passam a orientar e, muitas vezes, decidir as compras da família – e não apenas em datas especiais. Para se ter uma idéia da abrangência do tema no mundo, países como Suécia e Noruega e a província canadense do Quebec proíbem completamente a publicidade voltada à criança e a Grécia veta o anúncio de brinquedos, ainda que seja veiculado em programas adultos.

“Um estudo realizado no Reino Unido mostrou que as crianças britânicas de 10 anos conhecem de 300 a 400 marcas famosas, mais de 20 vezes o número de espécies de aves de que sabem o nome”, exemplifica Isabela.

Corroborando a tese, um estudo realizado pela TNS, empresa britânica especializada em pesquisas de mercado, em cinco países latino-americanos – Argentina, Brasil, Chile, Guatemala e México – entre julho e agosto deste ano, apontou que 71% das mães brasileiras confessaram estar dispostas a pagar mais pelas marcas que seus filhos preferem, principalmente no supermercado.  A maioria das mães ouvidas na pesquisa geral (82%) disseram que seus filhos estão fortemente envolvidos na escolha de bolachas e chocolates e 61% das mães decidem a compra de bebidas e sucos de acordo com a preferência dos filhos, por exemplo. Com escolhas baseadas mais nos comercias que nos preços e na qualidade dos produtos, os pedidos feitos pelas crianças têm impacto certeiro no bolso de suas famílias.

De acordo com o Instituto Alana, as crianças entre 2 e 7 anos assistem em média 12 propagandas de alimentos por dia, enquanto crianças entre 8 e 12 anos assistem até a 21 comerciais. Do total, cerca de 50% das propagandas vistas na televisão pelas crianças são de alimentos, sendo 34% de guloseimas e salgadinhos, 28% de cereais, 10% de fast food, 1% de sucos de fruta e nenhuma de frutas e legumes.

Na infância, somos suscetíveis à fantasia e aos apelos ao imaginário da propaganda, sem conseguir diferenciar de forma efetiva o que é real da imaginação. “O artigo 36 do código de Defesa do Consumidor diz que a publicidade deve ser facilmente percebida como tal por quem a assiste e a criança só consegue distinguir a publicidade da programação após os 10 anos de idade, de modo geral” explica a Isabela.

Além disso, de acordo com a coordenação do Projeto Criança e Consumo, as crianças de até 6 anos não possuem a representação simbólica necessária para o entendimento do valor do dinheiro, isto é, não conseguem ainda saber se algo é caro ou barato, pois a sua capacidade de entender os símbolos está em formação. Nessa idade também não conseguem perceber o caráter persuasivo dos anúncios, que tem como finalidade última vender um produto ou um serviço. Por isso, os pais precisam ficar atentos e ajudar seus filhos a decifrar as mensagens publicitárias e decidir as compras em conjunto. “Crianças que crescem com valores materialistas serão adultos consumistas, no futuro”, define a coordenadora do Instituto Alana.
O comportamento consumista, que começa quando a pessoa valoriza mais o “ter” do que o “ser”, além de prejudicar as finanças da família no presente, com os gastos excessivos e a preocupação com as marcas famosas, compromete a sustentabilidade da vida humana no planeta, no futuro. Atualmente, mesmo com metade da humanidade situada abaixo da linha de pobreza, já se consome 25% a mais do que a Terra consegue renovar. Se a população do mundo passasse a consumir como os habitantes dos países desenvolvidos, mais três planetas iguais ao nosso não seriam suficientes para garantir os recursos naturais, produtos e serviços básicos como água, energia e alimentos para todo mundo.

Então, o que fazer para ajudar as crianças a entender o significado de suas compras e a importância de consumir com consciência? Isabela Henriques dá algumas dicas, tais como não colocar a televisão no quarto de crianças pequenas e limitar o tempo que os filhos passam expostos aos meios de comunicação, não somente à televisão, mas também ao computador e até mesmo ao rádio.

Apesar da influência dos meios de comunicação, os pais e responsáveis desempenham papel importante para que seus filhos estabeleçam desde cedo hábitos saudáveis de consumo. Um primeiro passo é avaliar as próprias atitudes e comportamentos, já que as crianças costumam seguir o exemplo dos adultos com quem convivem. “Aquela mãe que fica chateada e corre para o shopping para fazer compras está passando a mensagem errada para os filhos”, exemplifica Isabela.

Conversar sobre as propagandas e produtos que interessam às crianças e assistir com elas aos seus programas preferidos também é uma maneira positiva de lidar com a questão. Assim os pequenos podem discutir os temas que aparecem na TV enquanto passam mais tempo com os pais. Outra dica é realizar, junto com os filhos, atividades que não incluam a televisão, como ler histórias, brincar, ouvir música, cozinhar etc. e ir às compras somente quando for mesmo necessário. É preciso ensiná-las a não depender exclusivamente de brinquedos e de produtos industrializados para se divertirem e sentirem-se bem.

Doar roupas, móveis e brinquedos usados desestimula, nas crianças, o apego excessivo aos bens materiais. Nesse caso é importante que os pequenos participem do processo, ajudando os pais a escolher quais as peças serão doadas. Os pais podem argumentar, mas a decisão deve vir dos filhos.

Aproveitar as datas comemorativas, como o Dia das Crianças que se aproxima, para renovar o significado das celebrações é também outra forma de ensinar a garotada a se relacionar de uma forma mais tranqüila e menos ansiosa com o ato da compra.

Segundo anuncia o Programa de Administração do Varejo, da Fundação Instituto de Administração (Provar-FIA), os preços dos brinquedos devem permanecer altos nas semanas que antecedem o Dia das Crianças. Negociar o presente e complementá-lo com a realização de atividades lúdicas, na companhia dos pais, pode ser uma opção saudável, educativa, afetivamente positiva e financeiramente atraente.

Saber a hora certa de dizer “não” é fundamental para ajudar as crianças a desenvolver hábitos saudáveis de consumo, estabelecendo limites claros para os filhos.
Discutir abertamente com as crianças sobre o que podem ou não comprar e o porquê da decisão, abrindo espaço para o diálogo, é uma maneira de, educá-las e prepará-las para fazerem suas próprias escolhas. São os “combinados”, que as crianças tendem a entender, respeitar e até gostar (por incrível que pareça!).

2 julho, 2007

Que fim levou a infância?

Posted in antroposofia, criança às 9:34 pm por Marcelo Guerra

children_dancing.jpg


Ser criança significa viver uma forma especial de vida. Uma pessoa pode, como um adulto sábio, deixar a criança que há dentro de si continuar a manifestar-se. Isso é algo que nunca se esgota. Descobrimos que, se o adulto esquece a criança que existe dentro dele, ele deixa de ser humano. Ele perde o seu centro humano. O que a nossa cultura realmente precisa é de resgate dos valores infantis. Se olharmos a fundo para essa questão, perceberemos que aquilo que faz os adultos sofrerem nos tempos modernos, deve-se à falta de infância, de qualidade infantil dentro da sociedade. (…)

Uma das características infantis é a enorme confiança que a criança tem nas outras pessoas e no mundo. Uma segunda característica é que as crianças são completamente abertas. Até que comecem a dizer “eu” referindo-se a si próprios – o que ocorre entre dois anos e meio e quatro anos – elas são incapazes de mentir, são absolutamente honestas. Mesmo mais tarde, costumam dizer sempre a verdade, tanto que existe um provérbio alemão que diz que a boca da criança diz sempre a verdade.(…)

Outra situação típica de todas as crianças é que, quando são pequenas, têm uma capacidade absoluta de perdoar. Uma pessoa pode ser tão má quanto queira, com ela, mas no momento em que essa pessoa sorri novamente e dá de novo comida a criança esquece-se do acontecido, fica novamente contente com aquela pessoa, e perdoa. Esse comportamento costuma ocorrer até a idade de oito ou nove anos, quando esse período sagrado da infância realmente se acaba.(…)

As crianças treinam a liberdade. Se lhes damos espaço, elas sempre agem de maneira absolutamente livre, a partir de si mesmas. Com sua qualidade de abertura, elas são extremamente habilidosas em ser plenas de admiração e devoção. Tem seus momentos de silêncio em que realmente sentam, observam e admiram. Adoram brincar, mas o que significa para elas o brincar? Elas têm prazer em brincar, mas para elas brincar significa trabalhar seriamente.(…)

Se nós adultos, amássemos nosso trabalho, aquilo que fazemos como se fosse uma brincadeira, de modo que a cada dia pudéssemos executá-lo com mais intensidade e seriedade, sabendo melhor para que serve e quem iria empregar o fruto do nosso trabalho, com a identificação típica de uma criança, nossa vida social seria, com certeza, muito diferente, Teríamos quase que o céu na terra.

As crianças nunca perguntam antes de começar a brincar seriamente: ‘quanto é que eu vou ganhar com isso? Nós adultos, só aceitamos trabalhar se soubermos que seremos pagos, e não apenas por gostarmos do mundo e querermos contribuir para ele. Nós perdemos nossa infância ao perdermos esse idealismo, ao nos tornarmos menos e menos honestos.

Publicado no Informativo da SBMA Sociedade Brasileira de Médicos Antroposóficos

Escola Waldorf “João Guimarães Rosa”

25 janeiro, 2007

Brincar é uma condição básica para a saúde

Posted in criança, saúde às 11:12 am por Marcelo Guerra

teatro.jpg

É brincando que reencantaremos o mundo

Em tempos passados brincar era algo natural para a criança. Elas brincavam o quanto queriam, das mais diversas maneiras, com espontaneidade, graça e criatividade, reinventando antigas tradições. Ninguém precisava dizer que brincar era importante para elas. Hoje emdia, em nossa cultura predominantemente técnica e tecnológica, a criança está perdendo a sua capacidade original de brincar. Muitas delas não têm oportunidade de conviver com a natureza e, ao contrário, começam muito cedo a assistir à televisão e a “brincar” com o computador.
Por meio do brincar, a criança explora o mundo com todos os seus sentidos e desenvolve as primeiras noções de espaço, tempo, textura, temperatura, forma e consistência. Mais tarde, as brincadeiras mais complexas promoverão as primeiras noções para a vida social. Os recentes estudos neurofisiológicos mostram que a formação do cérebro e a ampliação do número de sinapses (conexões nervosas) são estimuladas pelo processo natural de brincar. Essas experiências ocorrem quando as crianças lidam com diferentes objetos, deixando-os cair, jogando ao longe, ouvindo o som que surge ao serem batidos no chão e repetindo incansavelmente mesma seqüência de movimentos.
Uma atitude muito saudável é a participação ativa do adulto, proporcionando às crianças
objetos com diferentes texturas e formas, abaixando-se e devolvendo os objetos, “entrando” realmente na brincadeira.
Por estar profundamente ligada ao mundo espiritual, a criança tem grande afinidade com os ritmos e formas cósmicas, e as bolas, os balões, as bolhas de sabão, os piões, as cordas, o balanço são os representantes desses ritmos e formas na terra. Elas também se sentem fascinadas pelos quatro elementos – terra, água, ar e calor – e querem ter experiências diversas com cada um deles. Os adultos podem estar orientando e direcionando essa aproximação, garantindo proteção e evitando acidentes. De grande importância são as múltiplas vivências com plantas e animais, que ajudam as crianças a conquistar intimidade com a natureza.
*Fonte: Aliança pela Infância –
http://www.aliancapelainfancia.org.br