15 junho, 2009

Novartis, gripe suína e responsabilidade social

Posted in drogas, vacina tagged às 5:30 pm por Marcelo Guerra

O grupo farmacêutico suíço Novartis se negou a distribuir gratuitamente entre os países pobres a vacina contra o vírus H1N1 (gripe suína), informou o jornal espanhol “El País”. Margaret Chan, diretora-geral da OMS, pediu à indústria farmacêutica “solidariedade” com os pobres em relação à pandemia. No entanto, Daniel Vasella, conselheiro da gigante, declarou ao jornal “Financial Times” que o grupo poderia estudar a distribuição a um custo reduzido, mas sem gratuidade.

– Se pretendem que a produção (de vacinas) seja sustentável, há a necessidade de criar incentivos financeiros – disse Vasella.

A decisão aponta para uma divisão no setor farmacêutico, já que o laboratório britânico GlaxoSmithKline se comprometeu a distribuir 50 milhões de vacinas. Outros produtores mais moderados disseram que devem distribuir cerca de 10% do total de sua produção.

Na sexta-feira, a OMS informou que vai concentrar esforços para combater a pandemia da gripe nos países em desenvolvimento , onde os sistemas de assistência médica são fracos, e os suprimentos de remédios antivirais, insuficientes. Diante do recente aumento do número de casos da doença, a organização elevou o nível de ameaça do vírus da gripe H1N1 para o nível 6 , patamar máximo da escala e que indica pandemia.

Após uma reunião do Comitê de Urgência, em Genebra, onde foi analisada a propagação do vírus, o órgão exortou os países a reforçarem suas defesas contra um vírus “cujo avanço não pode ser freado”, mas que até agora vem mostrando ser moderado.

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15 maio, 2009

Dependência de álcool e cocaína é mais grave em jovens

Posted in adolescente, alcoolismo, dependência, drogas às 4:42 pm por Marcelo Guerra

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As mesmas substâncias presentes no cérebro dos adolescentes que os tornam mais ousados e destemidos nessa fase da vida são responsáveis também por deixá-los mais vulneráveis a drogas como a cocaína e o álcool. Novas pesquisas realizadas por grupos da USP revelam os mecanismos que fazem com que a dependência seja mais grave em jovens do que em adultos.
Trabalho desenvolvido no Laboratório de Farmacologia Comportamental e Neuroquímica da USP, pelo grupo da pesquisadora Rosana Camarini, mostra que camundongos adolescentes submetidos a cocaína ou álcool apresentam respostas comportamentais e neuroquímicas diferentes daquelas de animais adultos. Os resultados sugerem que o mesmo aconteceria em seres humanos.
– Nosso objetivo é estudar as diferenças entre adolescentes e adultos nas respostas a algumas drogas de abuso – explicou Rosana, que apresentará o estudo hoje na XXII Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental, em São Paulo. – Começamos a estudar isso porque existem diferenças de desenvolvimento. Algumas estruturas do cérebro ainda não estão totalmente desenvolvidas nos mais jovens, como o córtex pré-frontal, responsável, entre outras coisas, pela tomada de decisões e a agressividade.
Além disso, existe uma diferença neuroquímica importante entre o cérebro do adolescente e o do adulto, relacionada à concentração de dopamina, um neurotransmissor relacionado à motivação e à impulsividade. A presença da substância é reduzida à medida que a pessoa envelhece.
– A maior concentração da dopamina e o córtex pré-frontal ainda não totalmente desenvolvido são, em parte, responsáveis pelo comportamento mais impulsivo dos adolescentes.
Ocorre que, embora por mecanismos diferentes, tanto o álcool quanto a cocaína induzem um aumento da concentração de dopamina no cérebro. A pesquisa mostrou que os animais jovens tratados com cocaína apresentam maior excitabilidade locomotora do que os adultos. Eles também liberam mais dopamina (neurotransmissor estimulante) na parte do cérebro que controla as sensações de dependência, recompensa, prazer e motivação – o que sugere uma expectativa maior pela droga.
– Observamos que quanto mais cedo o jovem entra em contato com a droga, maior a possibilidade de se tornar dependente – disse a pesquisadora. – E uma das hipóteses para que isso ocorra é o fato de já ter naturalmente uma maior concentração de dopamina.

Fonte: O Globo 23/08/2007

12 março, 2009

Mais uma fraude da indústria farmacêutica descoberta

Posted in drogas, remédios tagged às 8:42 am por Marcelo Guerra

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RIO – Scott Reuben, renomado anestesista americano, está envolvido num dos maiores escândalos de fraude em medicina. Uma auditoria descobriu que ele inventou dados e estudos inteiros em pelo menos 21 trabalhos. E alguns dados publicados podem ter favorecido fabricantes de medicamentos, como mostra matéria publicada nesta quinta-feira no jornal O Globo.

Ex-diretor da clínica de dor aguda no Centro Médico Baystate, em Springfield, Reuben admitiu ter apresentado dados falsos em dez estudos publicados na revista especializada “Anesthesia and Analgesia”, bem como em outros 11 trabalhos em publicações como “Acute Pain, Anesthesiology”.

As fraudes se referem à especialidade de Reuben: anestesia multimodal, ou o uso combinado de diferentes classes de drogas contra a dor. A denúncia surpreendeu médicos americanos. Estudos de Reuben recomendam o uso das drogas Celebrex (Celebra, no Brasil) e Lyrica, da Pfizer, na dor no pós-operatório. Tal uso está sendo agora questionado.

Empresas farmacêuticas costumam contratar médicos para conduzir estudos sobre drogas já aprovadas, apontando novos usos. Muitas delas já foram acusadas de financiar estudos de pouco valor científico com o único intuito de convencer os médicos a prescreverem seus remédios. E a Pfizer financiou muitas das pesquisas de Reuben de 2002 a 2007. Porém, ainda não está comprovado que tenha ocorrido falsificações nos estudos da Pfizer.

Fonte: O Globo

18 dezembro, 2008

Receitas médicas são controladas por laboratórios farmacêuticos

Posted in drogas às 10:31 am por Marcelo Guerra

>>> e muitos médicos se vendem para esses laboratórios, e são recompensados com viagens, além de todo tipo de presentes.

Os laboratórios farmacêuticos multinacionais que operam no Brasil admitem que atualmente até 15% das 35 milhões de prescrições médicas feitas por mês no país são captadas pelo setor. Por meio de empresas que realizam pesquisas de mercado, as farmacêuticas recolhem dados das receitas no momento em que são apresentadas nas farmácias. São informações como o nome do médico, o medicamento recomendado e se a compra foi de um remédio de marca ou genérico.

No Brasil, a legislação sanitária obriga a retenção de dados das receitas apenas no caso de medicamentos de uso controlado, como psicotrópicos – isso não implica autorização, também neste caso, para o livre repasse dos dados. O que para a indústria é um movimento normal de acompanhamento das vendas e da concorrência, para entidades médicas e de farmacêuticos é a prova de um comportamento antiético, em razão da possibilidade de violação do sigilo entre médicos e pacientes e até mesmo de que dados pessoais de doentes possam ser mal utilizados.

A captação de dados das receitas por meio de grandes redes de farmácia é uma preocupação que os médicos ligados a órgãos da classe manifestam há anos, por entender que, ao saber o que prescrevem, a indústria pode direcionar ações de marketing para determinados profissionais e até pressionar por um aumento das prescrições de determinadas drogas.

O Conselho de Medicina de São Paulo já recebeu pelo menos duas reclamações de profissionais que foram procurados por representantes da indústria por terem diminuído prescrições. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou que a diretoria do órgão, provocada pelo conselho de medicina, discute o assunto mas ainda não chegou a um consenso. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Celebridades não podem recomendar remédios em propagandas, diz Anvisa

Posted in drogas às 10:25 am por Marcelo Guerra

>> e desde quando eles entendem alguma coisa de medicina???? Os laboratórios farmacêuticos usam práticas desonestas para convencer o público a comprar suas drogas. E os artistas e jogadores de futebol que se prestam a isso sabem que manipulam o público, demonstrando não ter qualquer consciência ética.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, na quarta-feira (17), uma nova resolução que, entre outras medidas, proíbe a exibição de imagem ou voz de celebridades recomendando medicamento isento de prescrição ou sugerindo seu uso em propagandas. Segundo nota da agência, os artistas famosos poderão aparecer nas peças publicitárias, mas sem fazer esse tipo de orientação.
A recomendação de remédios de forma não declaradamente publicitária em filmes, espetáculos teatrais e novelas estão proibidos. Não será possível usar expressões como “tome”, “use”, ou “experimente”.
A resolução também determina mudanças em propaganda de medicamentos sob prescrição e na distribuição de brindes e amostras grátis. A Anvisa diz que o objetivo é evitar que “a escolha de médicos e pacientes seja influenciada por informações inadequadas, incompletas ou descontextualizadas”. As novas regras entram em vigor em seis meses.
Veja algumas determinações
Entre as novas determinações estão textos mais claros em propagandas e publicidades, pois os termos técnicos podem confundir o consumidor. Essas peças também devem mostrar advertências relativas aos princípios ativos. Segundo a Anvisa, um exemplo é a dipirona sódica, que, na propaganda, deve ter o aviso: “Não use este medicamento durante a gravidez e em crianças menores de três meses de idade”. Nas peças veiculadas pela televisão, o próprio ator que protagonizar o comercial terá que verbalizar essas advertências. No rádio, a tarefa caberá ao locutor que ler a mensagem. Para o caso de propaganda impressa, a frase de advertência não poderá ter tamanho inferior a 20% do maior corpo de letra utilizado no anúncio.
Deverá haver mudança no conteúdo das amostras grátis. Os anticoncepcionais e medicamentos de uso contínuo passam a conter, obrigatoriamente, 100% do conteúdo da apresentação original. Já no caso dos antibióticos, a quantidade mínima deverá ser suficiente para o tratamento de um paciente. Para os demais medicamentos sob prescrição, continua a valer o mínimo de 50% do conteúdo original. As empresas terão um prazo maior para cumprir essas exigências: 360 dias.
A agência também reforça a orientação de que o apoio e patrocínio a profissionais de saúde não podem estar condicionados à prescrição ou dispensação de qualquer tipo de medicamento. A distribuição de brindes a médicos, farmacêuticos e ao público será vedada.
O consumidor deverá ser avisado, nas propagandas, sobre efeitos de sedação e sonolência que podem prejudicar motoristas e a operação de máquinas. Além disso, não será mais possível relacionar o uso do medicamento ao excesso de ingestão de bebida alcoólica ou de comida.
A agência alerta para o problema do uso indiscriminado de medicamentos, incluindo os de venda livre. Segundo o Sistema Nacional de Informações Toxicológicas (Sinitox), da Fiocruz, o uso incorreto de remédios é responsável pela intoxicação de uma pessoa a cada 42 minutos no Brasil.

11 agosto, 2008

Triste notícia sobre dependência de drogas

Posted in dependência, drogas às 9:49 pm por Marcelo Guerra

Christiane F. voltou às drogas, dizem jornais alemães

A alemã Christiane Felscherinow -protagonista do best-seller da década de 80, “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída”- voltou a ganhar destaque na imprensa alemã por, supostamente, ter voltado ao vício, aos 46 anos de idade.

Uma reportagem do tablóide berlinense B.Z. diz que a recaída foi um dos motivos que levou as autoridades do país a assumir a guarda do filho de Christiane, de 11 anos.

De acordo com o jornal, o menino está morando em um abrigo para crianças nas redondezas de Berlim, e os avós do garoto deverão ajudar a decidir onde será sua futura moradia.

Christiane F. tomou a primeira dose de heroína aos 13 anos e aos 14 começou a se prostituir para sustentar o vício.

Fuga
O novo drama de Christiane teria começado no início deste ano, quando ela e o namorado decidiram emigrar para Holanda, levando o menino.

Ao ter conhecimento do plano, o juizado de menores tomou a criança da mãe, com ajuda de policiais. Pouco tempo depois, ela seqüestrou o próprio filho e fugiu para Amsterdã. Na capital holandesa, Christiane teria voltado a consumir heroína.

Após brigar com o namorado, a alemã voltou no fim de junho à Alemanha e, ainda no trem, entregou seu filho à Polícia Federal alemã.

Segundo a imprensa local, amigos e conhecidos contam que Christiane tem buscado as antigas amizades da época das drogas, passa a noite na casa de amigos e freqüenta uma praça de Berlim famosa como ponto de venda de entorpecentes.

O tablóide “Bild” cita a mãe de Christiane, que teria visitado o neto duas vezes no abrigo infantil. Ela se disse “chocada” com a situação e não sabe o que fazer para ajudar a filha.

De acordo com o periódico, o juizado afirmou que a criança só poderá voltar ao convívio da mãe caso Christiane supere seus problemas psiquiátricos e a dependência de drogas.

Recaídas
Após uma trajetória de repetidas tentativas de desintoxicação, a alemã parecia ter vencido a luta contra as drogas apesar de ter admitido, durante uma entrevista à televisão alemã em maio do ano passado, que temia “recaídas”.

Christiane ainda disse que ingeria com freqüência a metadona, um medicamento usado na terapia para dependentes de heroína.

“Tomo diariamente uma dose pequena”, afirmou, contando ter medo de enfrentar novos problemas que a impedissem de criar seu filho.

“De outra forma, não sei o que aconteceria”, disse Christiane F. na época. “A metadona é para mim uma segurança, para que eu não caia num buraco.”

Desempregada, dizia ainda se sentir à margem da sociedade, tendo como sua principal fonte de renda o dinheiro que recebe mensalmente pelos direitos do romance que a tornou famosa.

10 janeiro, 2008

Novas regras da Anvisa sobre venda de remédios para emagrecer já estão valendo

Posted in drogas, obesidade às 11:49 am por Marcelo Guerra

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De O Globo

RIO – Têka perdeu os movimentos do corpo e não fala há um ano e oito meses. Ela teve um derrame quatro meses depois que começou a tomar um remédio para emagrecer, por conta própria. Os brasileiros são campeões mundiais no consumo de inibidores de apetite. Para reverter esse quadro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aumentou o controle sobre a venda desses medicamentos. As novas regras já estão em vigor.

Uma das medidas limita a quantidade do remédio que o médico pode prescrever em cada receita. Antes, era permitido um estoque para até dois meses; agora, o paciente só poderá comprar o necessário para um mês de tratamento.

O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, diz que essa nova restrição vai ajudar também a combater um tipo de venda ilegal.

– A prescrição de uma receita de três caixas muitas vezes levava o paciente, pelo custo do tratamento, a adquirir apenas uma caixa. Assim, a receita autorizava a farmácia a ficar com as duas caixas que não foram comercializadas. Isso poderia levar à comercialização por um mercado paralelo – explica.

A resolução determina ainda as doses máximas de cada substância que o paciente pode tomar e proíbe o uso de inibidores associado com laxantes, diuréticos, remédios para ansiedade ou depressão.

– Se o paciente procurar um médico e ele orientar mudança de vida, atividade física e nutrição, faça; se o paciente sair com uma receita com mais de um medicamento, desconfie – ensina Neuton Dornelas Gomes, presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

Novas regras da Anvisa sobre venda de remédios para emagrecer já estão valendo

Posted in drogas, obesidade às 10:55 am por Marcelo Guerra

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De O Globo

RIO – Têka perdeu os movimentos do corpo e não fala há um ano e oito meses. Ela teve um derrame quatro meses depois que começou a tomar um remédio para emagrecer, por conta própria. Os brasileiros são campeões mundiais no consumo de inibidores de apetite. Para reverter esse quadro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aumentou o controle sobre a venda desses medicamentos. As novas regras já estão em vigor.

Uma das medidas limita a quantidade do remédio que o médico pode prescrever em cada receita. Antes, era permitido um estoque para até dois meses; agora, o paciente só poderá comprar o necessário para um mês de tratamento.

O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, diz que essa nova restrição vai ajudar também a combater um tipo de venda ilegal.

– A prescrição de uma receita de três caixas muitas vezes levava o paciente, pelo custo do tratamento, a adquirir apenas uma caixa. Assim, a receita autorizava a farmácia a ficar com as duas caixas que não foram comercializadas. Isso poderia levar à comercialização por um mercado paralelo – explica.

A resolução determina ainda as doses máximas de cada substância que o paciente pode tomar e proíbe o uso de inibidores associado com laxantes, diuréticos, remédios para ansiedade ou depressão.

– Se o paciente procurar um médico e ele orientar mudança de vida, atividade física e nutrição, faça; se o paciente sair com uma receita com mais de um medicamento, desconfie – ensina Neuton Dornelas Gomes, presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

8 novembro, 2007

Novo recall atinge brinquedos que contêm droga perigosa

Posted in criança, drogas tagged , , às 12:28 pm por Marcelo Guerra

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O Globo Online e Reuters

RIO – A Comissão de Segurança de Produtos para o Consumidor Americano determinou o recall de 4,2 milhões de brinquedos Bindeez, fabricados na China, que conteriam uma substância perigosa, chamada GHB , que é usada na droga colocada em bebidas de vítimas do golpe “boa noite cinderela”. Mattel também anunciou um novo recall nesta semana .

Com o Bindeez, um brinquedo muito popular, as crianças montam desenhos colando minúsculas bolinhas coloridas com água.
Nos Estados Unidos, o elemento químico encontrado no brinquedo teria levado cinco crianças que ingeriram suas bolinhas a vomitar e perder a consciência. As autoridades australianas também anunciaram a proibição nacional da venda do produto, premiado brinquedo do ano no país, depois que três crianças foram hospitalizadas.

O Bindeez também é encontrado no Brasil, onde é distribuído pela empresa Long Jump, que faz até um concurso das “bolinhas mágicas que se juntam com água”, para premiar as montagens mais criativas das crianças. O produto custa entre R$ 17 e R$ 20, nas principais lojas especializadas e de departamento. A distribuidora do brinquedo aqui ainda está avaliando as notícias para anunciar sua decisão.
Brinquedo prometia ser o best-seller deste Natal

Nos Estados Unidos, o brinquedo era vendido desde abril, com preços que oscilavam entre US$ 17 e US$ 30 e prometia ser o best-seller de vendas deste ano. Foi indicado recentemente pela rede Wal-Mart entre os 12 principais do Natal, mas, nesta quinta-feira, já tinha sido retirado da lista do site da rede de varejo e aparecia como “não disponível no estoque”.

De acordo com os técnicos que realizaram os testes nestes brinquedos, a substância, uma vez metabolizada, transforma-se na droga GHB, disse à CNN o porta-voz da Comissão de Proteção ao Consumidor Americano, Scott Wolfson.
As crianças que ingerem as bolinhas podem entrar em coma, desenvolver problemas respiratórios ou ter convulsões – avisou.

– Quem tiver esses brinquedos em casa deve jogá-los fora – acrescentou Julie Vallese, outra porta-voz da comissão.

Pouco antes, a Comissão de Segurança de Produtos para o Consumidor Americano havia anunciado outro recall de 403 mil brinquedos fabricados na China, incluindo 380 mil carrinhos vendidos na rede de lojas Dollar General, devido aos altos níveis de chumbo encontrados na pintura dos produtos. Nos últimos meses, esse tem sido o principal problema dos brinquedos que sofreram recall. O chumbo é tóxico e pode acarretar graves problemas de saúde às crianças.

11 setembro, 2007

“Tristeza não é doença”

Posted in depressão, doença, drogas, remédios às 8:46 pm por Marcelo Guerra

>> Esta semana, a Revista Época publicou uma entrevista que reflete um comentário que fiz há algum tempo no blog Encanto, da Elisabete Cunha.

Sociólogo americano diz que a psiquiatria transformou um sentimento normal em um problema médico

por SUZANE FRUTUOSO

 

Ficar triste dói. o sentimento pode ser passageiro ou durar muito tempo. Mesmo nesses casos, não significa que ele só possa ser superado com remédios, diz o sociólogo americano Allan V. Horwitz. O livro que lançou nos Estados Unidos em julho, The Loss of Sadness: how Psychiatry Transformed Normal Sorrow into Depressive Disorder (A Perda da Tristeza: como a Psiquiatria Transformou a Tristeza Comum em Desordem Depressiva), em parceria com o psiquiatra Jerome Wakefield, é uma tentativa de alertar sobre o que considera um excesso de diagnósticos de depressão.

ÉPOCA – O que significa a “perda da tristeza” que dá nome ao livro?

Allan V. Horwitz – Tristeza é a resposta normal a perdas que sofremos na vida. Agora se tornou comum chamá-la de “depressão”. Algo normal foi transformado em doença. A cultura dos antidepressivos transformou em doença dificuldades que fazem parte da vida.

ÉPOCA – Segundo calcula a Organização Mundial da Saúde (OMS), 121 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. O que o senhor acha desse número?

Horwitz – É uma estimativa muito elevada. A OMS usa os sintomas da tristeza, que até podem ser os mesmos da depressão, sem considerar o contexto do acontecimento que deixou a pessoa triste. Incluem na mesma estatística quem sente uma tristeza normal e quem realmente é depressivo.

ÉPOCA – Que sintomas caracterizam a tristeza e a depressão?

Horwitz – Segundo o manual de diagnósticos da psiquiatria (DSM-4), se cinco sintomas de uma lista de nove durarem mais de duas semanas, os médicos dizem que há depressão. São eles: perda do humor; perda de interesse por atividades prazerosas; ganho de peso ou perda de apetite; insônia ou excesso de sono; agitação ou apatia; cansaço; sentimento de culpa e baixa auto-estima; dificuldade de concentração e de decisão; pensamentos recorrentes sobre morte ou tentativa de suicídio.

ÉPOCA – Então, qual é a diferença entre tristeza e depressão?

Horwitz –Ficamos naturalmente tristes pelas perdas do dia-a-dia, como de um relacionamento amoroso, de um emprego, de uma notícia de que seu estado de saúde não é bom. Ou quando há condições estressantes – como a pobreza – ou relações sociais em que se sofrem abusos, como os de poder. São situações ruins, mas sofrê-las não significa que algo esteja errado. É diferente da depressão, que surge sem razão específica. Não precisa ter acontecido algo terrível para surgir a depressão, que tem características biológicas. Ainda assim, a maior diferença não é o que acontece no cérebro. É o que ocorre dentro do contexto social. É dar à tristeza o ar de doença.

ÉPOCA – Depois de quanto tempo a tristeza passa a ser um quadro preocupante?

Horwitz – Não existe uma linha divisória definida. Podemos dizer que se uma tristeza dura mais de dois meses algo pode estar errado. Mas não significa que não tenha solução. O que importa é que estão tratando quem levou um fora do namorado e não consegue se concentrar, dormir ou comer direito da mesma maneira que a alguém com sintomas que persistem por longos períodos. Ficar na fossa quando um namoro acaba é a resposta natural a um estresse, e não um distúrbio mental.

ÉPOCA – A tristeza pode ser boa? O que podemos aprender com ela?

Horwitz – Uma situação dolorosa nunca é boa. A tristeza que envolve a perda pela morte de alguém que foi importante para nós é dura e custa a passar. Por outro lado, a perda do emprego e o fim de um relacionamento amoroso são circunstâncias que nos fazem parar para pensar. Revemos defeitos, analisamos conseqüências de nossos atos. Isso ajuda a encontrar equilíbrio na hora de começar de novo. A pessoa ganha maturidade.

ÉPOCA – O sentimento de perda provocado pela morte de alguém que amamos é depressão?

Horwitz – Não. É uma situação pesada. Mas a perda pela morte também faz parte da vida. Todos vamos perder pessoas queridas, e todos vamos morrer.

ÉPOCA – Como superar as fases mais complicadas?

Horwitz – O melhor a fazer é conversar com pessoas próximas. Falar com amigos e parentes. Procurar o apoio de quem nos conhece é o remédio ideal. A terapia também pode ajudar. Especialmente nos casos em que a tristeza se prolonga.

ÉPOCA – Desde quando a tristeza passou a ser medicada como doença?

Horwitz – Desde 1980, quando a Associação Americana de Psiquiatria lançou uma nova versão do manual de diagnósticos, que hoje está na quarta versão. O diagnóstico para distúrbios mentais se tornou generalista. Se alguém apresentar cinco sintomas daquela lista, é depressivo. Mas os médicos não se preocupam em questionar as circunstâncias.

ÉPOCA – Qual é a responsabilidade dos médicos nesse cenário?

Horwitz – Os médicos deixaram de considerar em que contexto esses sintomas surgem. Sei que no fundo é difícil para eles investigar as causas da tristeza, porque gastam no máximo 15 minutos com um paciente. É um contato muito breve – e fica mais fácil receitar uma pílula. Nem sempre é o que acreditam ser o melhor. Mas eles são pressionados pelo sistema de saúde – especialmente nos Estados Unidos – a não se prolongar em consultas. Os médicos estão falhando. Mas existem razões para essa falha.

ÉPOCA – E o paciente? Tem culpa?

Horwitz – Sim. Os médicos também cedem àquilo que o paciente deseja. Eles receitam o que o paciente pede quando chega ao consultório. Se não há evidências de que o paciente realmente sofre de algum transtorno, é uma atitude irresponsável.

ÉPOCA – O que é mais grave: tomar antidepressivos sem precisar ou ter uma depressão não tratada?

Horwitz – Alguém com depressão realmente precisa de tratamento. A intenção de nosso livro não é dizer que pessoas com problemas reais não devam ser tratadas da forma adequada, com remédios. Mas nos últimos anos ficou claro que consumir antidepressivos sem necessidade é um perigo. As duas situações são alarmantes.

ÉPOCA – A indústria farmacêutica colaborou para essa cultura de tratar a tristeza com medicamentos?

Horwitz – A indústria farmacêutica ganha muito dinheiro com antidepressivos. Promove esses produtos com anúncios mostrando pessoas felizes, que superaram seus problemas ao engolir uma pílula. É uma cena comum apresentada na publicidade. São casais, pais e filhos em situações do cotidiano, da família, do trabalho, que estão bem graças a um remédio. É um marketing poderoso e perigoso.

>> A Revista, na sua versão online, discute este tema em seu blog:

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=388005

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=388006

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391483

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391815

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391994

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