10 agosto, 2010
Efeitos colaterais de remédios para colesterol
Pessoas que tomam estatinas para baixar o colesterol correm um risco maior de sofrer disfunção hepática, insuficiência renal, fraqueza muscular e cataratas. Os efeitos colaterais da droga devem ser cuidadosamente monitorados, informaram pesquisadores nesta sexta-feira.
Em um estudo envolvendo mais de 2 milhões de pessoas na Grã-Bretanha, estudiosos da Universidade de Nottingham descobriram que os efeitos colaterais das estatinas, prescritas para pessoas com níveis elevados de colesterol para reduzir o risco de doença cardíaca, foram piores principalmente no primeiro ano de tratamento.
Os resultados publicados no “British Medical Journal” podem afetar o uso dos medicamentos mais vendidos, como o Lipitor, da Pfizer, e o Crestor, da AstraZeneca, mas os autores do estudo disseram que os pacientes que tomam estatinas devem ser “monitorados de forma proativa” em razão dos efeitos colaterais.
“É provável que nosso estudo seja útil para fins de planejamento”, disseram os professores que lideram o estudo, Julia Hippisley-Cox e Carol Coupland. Elas ainda afirmaram que a pesquisa pode ser útil “para orientar sobre o tipo e a dose de estatinas.”
As estatinas estão entre as drogas de maior sucesso de todos os tempos por prevenir milhões de ataques cardíacos e derrames. A doença cardíaca é a maior causa de morte de homens e mulheres no mundo rico e também é um problema crescente de saúde em países em desenvolvimento.
Em um comentário sobre o estudo, os cardiologistas Alawi Alsheikh-Al, do Centro Médico Sheikh Khalifa nos Emirados Árabes, e Richard Karas, da Universidade de Medicina Tufts, nos Estados Unidos, disseram que, como qualquer tratamento médico, as estatinas não estão totalmente livres de risco, mas que, quando usados corretamente, os benefícios os superam.
“Seria sábio interpretar as observações a respeito das estatinas e lembrar aos pacientes que essas drogas, apesar de consideradas seguras, são como qualquer intervenção na medicina, não são totalmente livres de efeitos colaterais”, escreveram.
Coupland e Hippisley-Cox estudaram dados de 368 práticas gerais em 2.004.692 pacientes com idade entre 30 e 84 anos, incluindo 225.922 pacientes que eram novos usuários de estatina.
Eles descobriram que para cada 10.000 mulheres de alto risco tratadas com estatinas, o remédio teve impacto positivo em cerca de 271 casos de doença cardíaca e oito casos de câncer do esôfago.
Por outro lado, também houve casos de 74 pacientes com disfunção hepática, 23 pacientes com insuficiência renal aguda, 307 portadores de catarata e 39 com uma condição de fraqueza muscular chamada miopatia.
Valores semelhantes foram encontrados nos homens, exceto as taxas de miopatia foram maiores, informaram. Eles notaram que alguns dos efeitos se devem a melhores taxas de detecção, já que os pacientes que tomam estatinas consultam seus médicos com mais frequência.
Os efeitos colaterais foram similares para todos os diferentes tipos de estatinas, com exceção da disfunção hepática, onde os riscos mais elevados foram encontrados para a fluvastatina, encontrada nos medicamentos Lescol e Lochol, vendidos pela Novartis.
“Todos os riscos acrescidos persistiram durante todo o tratamento, mas foram maiores no primeiro ano”, escreveram eles.
Fonte: Folha de São Paulo
9 agosto, 2010
Eduardo Suplicy abraça a causa da auto-hemoterapia
>> Eu não uso nem prescrevo a auto-hemoterapia, pois desconheço, acho doloroso e desconfio de tudo que é apresentado como panaceia (capaz de curar qualquer doença). Contudo, acredito que seria muito bom pesquisar sobre este assunto e esclarecer o seu verdadeiro potencial de cura, ou não.
“Um profissional idôneo, com anos de experiência, humanista, que dedicou toda uma vida ao sacerdócio da Medicina.” Esta a definição dada ao Dr. Luiz Moura, 85 anos, pelo Senador Eduardo Suplicy (PT/SP). Poderia ser um elogio a mais, não fosse o local aonde a declaração foi cravada: o Ofício n.º 00990/2010, de 5 de agosto corrente, destinado ao Senhor Presidente Roberto Luiz dÁvila, do Conselho Federal de Medicina – CFM, entidade que marcou para o próximo dia 13 o julgamento de um processo ético contra aquela mesma pessoa, por ter gravado um DVD sobre a auto-hemoterapia - técnica que aumenta a imunidade do organismo e cura doenças com o uso do sangue da própria pessoa.
Trata-se do terceiro ofício que o senador paulista envia ao CFM. Nos anteriores o CFM enviou respostas insatisfatórias, conforme afirma o senador. Diz o novo ofício que ‘Diante do posicionamento desse Conselho acerca da auto hemoterapia, reitero, respeitosamente, o pedido de considerável número de cidadãos que defendem tal prática, no sentido de responder às dúvidas restantes acerca da terapia em questão, conforme anexos’. Acrescenta que ‘Encaminho, ainda, uma amostra das mensagens que me chegam diariamente em defesa do Dr. Luiz Moura, às quais hipoteco meu apoio, por tratar-se de um profissional idôneo, com anos de experiência, humanista, que dedicou toda uma vida ao sacerdócio da Medicina’.
‘Diante do acima exposto, submeto novamente o assunto a sua análise, na esperança de que possa prestar informações que subsidiem resposta aos interessados’, afirma ainda o senador, que enviou ofícios sobre o assunto também ao Ministro da Saúde e ao Presidente da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ele pede ‘especial atenção’ ao presidente da ANVISA para ‘questionamentos (de cidadãos defensores da auto-hemoterapia) que consideram não sanados nas respostas prestadas pelo CFM’. O senador afirma que ‘não obstante a Nota Técnica n.º 1, de 13 de abril de 2007, publicada por essa Agência, relato a existência de considerável número de pessoas interessadas em pesquisas sobre a técnica em questão, razão pela qual submeto a sua análise as dúvidas restantes, elaboradas a partir da resposta daquele Conselho sobre a auto-hemoterapia, visando à prestação de informações que subsidiem resposta aos interessados.’
Para o Ministro da Saúde, Eduardo Suplicy encaminha documentação que contém correspondências expedidas pelo seu gabinete parlamentar ao Conselho Federal de Medicina, acerca da prática da auto-hemoterapia, para a qual pede também ‘especial atenção’. E diz que ‘Na oportunidade encaminho, ainda, mensagens que me foram enviadas por cidadãos que defendem tal prática, com questionamentos que consideram não sanados nas respostas prestadas pelo CFM’. E conclui: ‘Relato, portanto, a existência de considerável número de pessoas interessadas em pesquisas sobre a técnica em questão, razão pela qual submeto a sua análise as dúvidas que ainda permanecem, elaboradas a partir da resposta daquele Conselho sobre a auto-hemoterapia, visando à prestação de informações que subsidiem resposta aos interessados’.
8 agosto, 2010
Estudar compensa os efeitos da demência
Pessoas que permanecem mais tempo no sistema educacional parecem ser mais capazes de compensar os eventuais efeitos da demência em seus cérebros do que as que estudaram menos, segundo um estudo publicado pela revista científica britânica Brain.
De acordo com a pesquisa, conduzida por cientistas da Grã-Bretanha e da Finlândia, pessoas que estudaram mais tempo têm a mesma probabilidade de apresentar sinais de demência em seus cérebros no momento de sua morte que indivíduos que passaram menos tempo se educando.
Apesar disso, o grupo com mais tempo de estudos apresentou menor probabilidade de demonstrar os sintomas de demência em vida.
Os especialistas dizem que agora é necessário descobrir por que isso ocorre.
Durante a última década, estudos demonstraram de maneira consistente que quanto mais tempo uma pessoa passa se educando, menor é o risco de ela sofrer de demência.
Mas essas investigações não foram capazes de estabelecer se a educação – que tende a estar associada a um melhor nível socioeconômico e estilos de vida mais saudáveis – protege o cérebro contra a demência.
Compensação
No novo estudo, os pesquisadores examinaram cérebros de 872 pessoas que tinham participado de três grandes estudos sobre envelhecimento realizados ao longo de 20 anos por especialistas da Grã-Bretanha e Finlândia.
Antes de morrerem, os participantes preencheram questionários sobre sua escolaridade.
Exames feitos após suas mortes revelaram sinais de doença em níveis semelhantes nos cérebros de participantes com ou sem altos níveis de escolaridade.
Porém, para cada ano adicional que a pessoa passou no sistema educacional, houve uma diminuição de 11% nos riscos de ela desenvolver sintomas demência, o estudo revelou.
“Uma pessoa pode mostrar muitos sinais de patologia no seu cérebro enquanto outra mostra poucos, ainda assim, ambas tiveram demência”, diz a cientista Hannah Keage, da Universidade de Cambridge, uma das autoras do estudo.
“Nosso estudo demonstra que a educação no início da vida parece possibilitar que algumas pessoas tolerem várias mudanças no seu cérebro antes de apresentar sintomas de demência”.
Repercussões
Segundo a líder do estudo, Carol Brayne, já se sabe que educação faz bem para a saúde da população.
“Esse estudo oferece bons argumentos para investimentos (em educação) que terão impacto sobre a sociedade e sobre a vida inteira (dos cidadãos)”.
Para Brayne, isso pode ter desdobramentos sobre decisões políticas envolvendo a distribuição de recursos para a saúde e educação.
A presidente-executiva da entidade britânica Alzheimer’s Society, Ruth Sutherland, disse que ainda é necessário entender como a educação ajuda a evitar os sinais de demência.
“Este é o maior estudo a confirmar que mergulhar nos livros pode ajudar você a combater os sintomas de demência no final da vida. O que não sabemos é por que uma educação mais longa é tão boa para você”.
“Pode ser que as pessoas que estudam por mais tempo tenham cérebros que se adaptem melhor às mudanças associadas à demência”.
“Ou pode ser que pessoas educadas encontrem formas de lidar com os sintomas ou escondê-los”.
Fonte: O Globo
6 agosto, 2010
Depressão pós-parto em homens
RACHEL BOTELHO
A depressão pós-parto masculina é pouco conhecida até entre os profissionais da área, mas isso não significa que seja rara. Do início da primeira gestação da mulher até o bebê completar um ano, um a cada dez homens tem a doença.
O dado é de uma revisão de 43 estudos, com 28 mil participantes, que acaba de ser publicada no “Jama”, periódico da Associação Médica Americana. Outros estudos apontam que, entre as mulheres, a taxa de depressão é de 15% a 20%.
A metanálise revela também que o período entre o terceiro e o sexto mês de vida do bebê é o mais crítico para os homens. Nessa fase, 25% deles sofrem de depressão.
Por outro lado, os três primeiros meses após o nascimento são os menos problemáticos, quando apenas 7,7% dos pais desenvolvem depressão.
“Nesses meses, a vida é muito corrida. O homem só começa a se dar conta do que está acontecendo depois do terceiro, quarto mês”, acredita a psicóloga Fátima Bortoletti, que atende casais durante o pré-natal e o pós-parto no setor de obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Na opinião dela, a taxa pode ser ainda mais alta -nos EUA, por exemplo, chega a 14%.
Vários fatores que coincidem nesse período podem funcionar como gatilho da depressão masculina, segundo o psiquiatra Joel Rennó Júnior, coordenador do Pró-Mulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
“Muitos homens sentem-se inseguros em relação aos cuidados com o bebê e à disponibilidade de tempo necessária para ter uma participação ativa na criação do filho. Alguns não conseguem entender as mudanças da mulher em relação à sexualidade e à forma como vê seu corpo na gravidez”, afirma.
A situação econômica, frente às novas necessidades familiares, também os preocupa. Por fim, sentimentos de rejeição e exclusão são comuns entre os pais novatos.
Como resultado, uma parcela dos homens compete com o bebê pela atenção da mulher, outra ignora o filho e há os que tentam afastar a mãe dos cuidados com a criança ou que buscam relações extraconjugais.
A pesquisa reforça ainda a existência de correlação entre depressão masculina e feminina. “A mulher precisa da proteção do pai do bebê. Se ele passa a maior parte do tempo fora, a desproteção vem acompanhada do sentimento de abandono, que desencadeia a depressão feminina”, diz Bortoletti.
Como o trio familiar funciona de modo integrado, o desequilíbrio afeta todos. “A depressão masculina prejudica automaticamente a mãe, e o bebê é uma esponja emocional. Se seu parceiro está deprimido, ela fica insegura, irritada e passa isso para a criança, que pode ter problemas de aleitamento e dar mais trabalho”, completa.
Fonte: Folha de São Paulo
4 agosto, 2010
Pesquisa Auto-Biográfica em Juiz de Fora
ATENÇÃO: NOVO LOCAL!!!!
A Pesquisa Auto-Biográfica permite olhar para a própria história e expressá-la de diferentes maneiras (falando, escrevendo, pintando, dançando), ver o trajeto que percorremos na vida, como se olhássemos para a própria biografia do alto de uma montanha, o que traz uma visão panorâmica do sentido. E agora, para onde vou? Como corrijo o percurso para reencontrar o sentido da minha história? Quando sigo o fluxo do sentido, encontro paz interior, mesmo que tenha mais trabalho.
A síntese da programação é a seguinte:
- informação sobre as fases da vida, as leis biográficas;
- contato com o próprio corpo: danças circulares;
- contato com o inconsciente: atividades artísticas (aquarela e colagem, a princípio), conto de fadas;
- reflexão individual: a escrita da vida;
- reflexão em grupo: contando a própria história;
- eu hoje: identificando a minha pergunta;
- pensando o amanhã: projetando metas para a minha vida.
Coordenação:
- Rosângela Cunha
Psicóloga, Gestalt-terapeuta e Terapeuta Biográfica
- Marcelo Guerra
Médico Homeopata e Terapeuta Biográfico
Onde e quando? Novo Local:
Em Juiz de Fora, na Pousada Lago das Pedras, de 19 a 22 de agosto de 2010.
Quanto?
R$1050,00 ou 4XR$262,50
A inscrição é efetivada com o depósito da 1ª parcela.
Escreva para rosangela@terapiabiografica.com.br ou marceloguerra@terapiabiografica.com.br para mais informações. Ou ligue para falar com um de nós:
(32)8887-8660, (21)7697-8982
Observação:
Para as pessoas que residem no Rio de Janeiro, este é o de mais fácil acesso, pois há ônibus saindo da Rodoviária Novo Rio para Juiz de Fora pela Viação Útil.
Devido à intensidade do trabalho e da necessidade de supervisão durante todo o período do curso, as VAGAS SÃO LIMITADAS.
Por que as pessoas se auto-medicam
JULLIANE SILVEIRA
Quase um terço dos brasileiros se mostra resistente a procurar um médico, mesmo sabendo que precisa. Entre quem tem alguma doença, 30% não foram ao médico em 2008, de acordo com a pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública.
O trabalho não separou a população por sexos nesse quesito, mas estima-se que os homens contribuam mais do que as mulheres para esses índices. Trabalhos anteriores já mostraram que eles demoram mais para procurar ajuda médica do que as mulheres.
O motivo de metade dos que têm nível superior é a incompatibilidade de horário. À medida que o grau de instrução cai, a falta de dinheiro e o difícil acesso ao serviço se tornam razões mais decisivas para a ausência nos consultórios.
A falta de uma relação médico-paciente sólida faz com que o paciente não ache essencial o atendimento e acabe postergando a consulta. Assim, busca outras fontes de informação para seu problema.
“A falta de preocupação com a saúde é cultural. Mas o médico também não dá as explicações sobre a doença, sobre a importância de fazer acompanhamento, de prevenir complicações”, diz Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.
Segundo o médico, muita gente tenta diagnosticar a própria doença. “O paciente acaba recorrendo ao “dr. Google” para entender o que tem.” As classes sociais mais baixas esbarram ainda na falta de estrutura do sistema público.
“A automedicação é intensa no país, mas será que alguém quer mesmo se automedicar? Não, mas, pelo SUS, é quase impossível ir ao médico, é um sistema falido sem a menor condição de dar a mínima assistência aos pacientes”, diz Lopes.
Ele diz ainda que os convênios pagam pouco aos médicos por consulta, o que piora a qualidade do atendimento.
Fonte: Folha de São Paulo
2 agosto, 2010
Exercício físico ajuda a tratar a hipertensão, mas é preciso emagrecer
LEANDRO MARTINS
da Folha Ribeirão
A sugestão do ministro da Saúde José Gomes Temporão, que em abril recomendou sexo no combate à hipertensão arterial, reforçou a já comprovada tese de que a prática de exercícios físicos é uma aliada contra a pressão alta.
Porém, um estudo da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), da USP, revelou que o exercício físico não tem plena eficácia contra a hipertensão se não for acompanhado da perda de peso.
A pesquisa envolveu o acompanhamento de um grupo de 48 mulheres com IMC (Índice de Massa Corporal) normal, com sobrepeso e com obesidade durante 16 meses. Elas passaram por exercícios físicos.
O observado ao final do estudo é que só conseguiram reduzir o índice de hipertensão as mulheres que também registraram perda de peso.
Não houve acompanhamento nutricional das pacientes avaliadas. “Nós queríamos avaliar os efeitos só do exercício sem interferir na rotina alimentar. E o exercício só reduziu [a pressão] nas mulheres que tiveram redução do peso também”, disse o professor Hugo Celso Dutra de Souza, do Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação.
Funcionária do campus da USP de Ribeirão, a auxiliar de biotério Lourdes Silva Castania, 59, foi uma das acompanhadas no estudo. Ela controla a pressão arterial com medicamentos há dez anos e já registrou picos de pressão alta de 18 por 11 –acima do patamar de 12 por 8 já existe hipertensão.
Durante o estudo, Lourdes perdeu 4 dos 71 quilos -ela tem 1,50 m de altura. O resultado, segundo diz, foi que sua pressão se estabilizou em 12 por 8 na época. “Eu até reduzi o remédio para controle da pressão de três para duas vezes ao dia.”
A fisioterapeuta Thaísa Helena Roselli Di Sacco, uma das pesquisadoras e cujo trabalho resultou em uma dissertação de mestrado, disse que o estudo comprovou a eficácia tanto da prática de exercícios quanto da perda de peso, mas que só os fatores combinados são ideais no controle da hipertensão.
Obesidade
A pesquisa também abriu novas possibilidades para o estudo das causas da obesidade, que pode estar ligada a uma disfunção do chamado sistema nervoso autônomo, cujo principal objetivo no corpo humano é o de manter as funções de órgãos e sistemas em níveis adequados.
O sistema autônomo regula, de forma involuntária, todo o conjunto cardiovascular por meio de dois componentes: o simpático, que é responsável por aumentar a frequência cardíaca quando há necessidade, e o sistema parassimpático (ou vago), que tem efeito inverso.
O estudo constatou um padrão entre as mulheres com sobrepeso ou obesas: elas tinham alterações no sistema.
Isso abriu uma nova investigação, em busca de comprovar se a obesidade foi a responsável por essa alteração ou, do contrário, se o aumento de peso foi causado por uma disfunção que já existia no sistema autônomo.
“É a obesidade que promove um desequilíbrio autonômico, ou será que as mulheres com esse desequilíbrio têm maior propensão à obesidade? É isso que vai ser investigado agora”, disse Souza.
Se comprovada a tese de que a disfunção pode ter causado a obesidade, segundo o professor, isso, no futuro, poderá ajudar na detecção precoce de crianças com propensão ao excesso de peso.
Fonte: Folha de São Paulo
31 julho, 2010
Carinho de mãe protege do stress
Um estudo feito nos Estados Unidos indica que pessoas que recebem carinho em abundância de suas mães quando bebês são mais capazes de lidar com as pressões da vida adulta.
A pesquisa, divulgada pela publicação científica Journal of Epidemiology and Community Health, foi feita com 482 moradores do Estado americano de Rhode Island (nordeste do país) que foram avaliados quando crianças e na vida adulta.
Os cientistas disseram que os abraços, beijos e declarações de afeto da mãe aparentemente têm efeito em longo prazo e tendem a gerar um vínculo sólido com o bebê, contribuindo para a saúde emocional das pessoas.
Segundo os pesquisadores, o vínculo sólido entre mãe e bebê não apenas diminui o estresse da criança como também a ajuda a desenvolver recursos que a auxiliarão em suas interações sociais e na vida de maneira geral.
Interação
Como parte do estudo, psicólogos avaliaram a qualidade das interações entre mães e seu bebê de oito meses durante uma consulta de rotina.
O psicólogo analisou quão bem a mãe respondia às emoções e necessidades da criança, atribuindo uma “nota de afeição” à mãe baseada nas características da interação.
Do total de 482 casos, uma em cada dez mães apresentou níveis baixos de afeição em relação ao bebê.
A maioria (85%, ou 409 mães) demonstrou níveis normais de afeição, e 6% (27) mostraram níveis bastante altos.
Trinta anos mais tarde, os pesquisadores entraram em contato com as crianças, agora adultos, e as convidaram a participar de uma pesquisa sobre seu bem-estar e emoções.
Eles preencheram questionários que incluíam perguntas sobre sintomas específicos, como ansiedade e hostilidade, e também sobre níveis gerais de estresse.
Também foi perguntado aos participantes se eles achavam que suas mães tinham lhes dado afeto, com respostas variando entre “concordo enfaticamente” e “discordo enfaticamente”.
Ao analisar os dados, os pesquisadores verificaram que as crianças cujas mães se mostraram mais afetuosas aos oito meses de idade apresentavam os menores índices de ansiedade, hostilidade e perturbação geral.
Houve mais de sete pontos de diferença nos índices de ansiedade entre os participantes cujas mães haviam mostrado níveis baixos ou normais de afetividade e aqueles cujas mães mostraram níveis altos de afetividade.
A equipe de pesquisadores concluiu que crianças que receberam grandes doses de afeição das mães se revelaram mais capazes de lidar com todos os tipos de estresse.
Em particular, participantes cujas mães eram calorosas pareceram lidar melhor com a ansiedade do que os que tinham mães frias.
“É surpreendente que uma observação rápida do calor maternal na infância esteja associada com perturbações nos filhos 30 anos mais tarde”, disseram os autores do estudo.
A equipe acrescenta, no entanto, que a influência de outros fatores, como personalidade, criação e escolaridade, não pode ser excluída.
Sintonia
Especialistas ressaltam, no entanto, que é importante saber quando parar: o excesso de afeto maternal, especialmente se a criança já está mais crescida, pode ser perturbador e embaraçoso para ela.
A psicóloga e escritora Terri Apter, da faculdade Newnham College, na cidade de Cambridge, na Inglaterra, estudou os efeitos dos relacionamentos entre mãe e criança e disse que é importante para a mãe ser receptiva ao bebê, além de lhe dar afeto.
“Bebês não nasceram sabendo como regular suas emoções. Eles aprendem ao ficar estressados e ser acalmados.”
“E uma mãe receptiva vai perceber as pistas e saber quando a criança já recebeu o suficiente”.
Ou seja, vai saber não apenas quando dar carinho e quando parar, concluiu Apter.
Fonte: O Globo
29 julho, 2010
Homeopatia e Preconceito
MARCUS ZULIAN TEIXEIRA
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Posturas preconceituosas de ambas as partes dificultam o diálogo entre racionalidades médicas distintas, impedindo que pacientes se beneficiem
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Em todas as épocas, incomodados com posturas preconceituosas dos seus pares, pensadores e cientistas definiram esses julgamentos formados sem maior conhecimento dos fatos: “O preconceito é uma opinião não submetida à razão” (Voltaire); “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito” (Einstein).
Apesar de a ciência ser uma área do conhecimento que busca estudar os fenômenos e seus princípios, devendo isentar-se de preconceitos para cumprir o seu ideal, o “orgulho científico” entorpece a mente dos pesquisadores, fazendo-os desprezar aquilo que desconhecem.
A história da humanidade está repleta de exemplos em que determinadas teorias consideradas “polêmicas” perante o modelo científico de uma época tornaram-se leis inquestionáveis no futuro, em vista do aperfeiçoamento dos métodos de investigação.
Infelizmente, duas matérias publicadas no caderno Ciência deste jornal (“Descobridor do HIV defende a polêmica memória da água” e “Pesquisa rendeu Prêmio Ig Nobel a francês”, 30/6), exemplificam o preconceito científico dos autores, que ironizam os recentes estudos do pesquisador Luc Montagnier (Prêmio Nobel de Medicina em 2008), que trazem novas evidências à teoria da “memória da água”, endossando as “ultradiluições homeopáticas”.
Transmitindo aos leitores visão parcial dos fatos, os autores questionam o “brilhantismo” do ganhador de um Prêmio Nobel, a “qualidade científica” de suas publicações e a sua “capacidade de juízo”.
Como o currículo do pesquisador torna essas críticas inócuas, ressaltamos que outras pesquisas, não citadas nas matérias, evidenciam a “atividade biológica”" das “ultradiluições homeopáticas”.
Madeleine Ennis (farmacologista britânica) publicou estudos multicêntricos no periódico “Inflammation Research” (1999, 2001 e 2004), que confirmam os resultados da pesquisa de Jacques Benveniste publicados na revista “Nature” (criticada nas matérias).
Apesar do viés “anti-homeopatia”, a pesquisadora declarou-se surpresa com os resultados, que não puderam ser explicados pela farmacologia. Outros modelos, citados em revisões no periódico “Homeopathy” (em 2009 e 2010), mostraram a atividade biológica das preparações homeopáticas.
A “memória da água” também foi estudada em modelos físico-químicos, tendo suas pesquisas publicadas em revisão no periódico “Homeopathy” (2007).
Como exemplo, Louis Rey constatou a “informação” das ultradiluições homeopáticas no estudo da termoluminescência das substâncias (“Physica A”, 2003).
Contrapondo o movimento contracultural homeopático, que despreza a importância da pesquisa em geral, defendemos a fundamentação científica dos pressupostos homeopáticos, buscando uma linguagem comum que aproxime ambos os paradigmas e permita a prática de uma medicina integrada.
No entanto, posturas preconceituosas de ambas as partes dificultam o diálogo entre racionalidades médicas distintas, impedindo que os pacientes se beneficiem com a união ética e consciente dessas opções terapêuticas.
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MARCUS ZULIAN TEIXEIRA, doutor em medicina, é médico homeopata e pesquisador da Faculdade de Medicina da USP.
E-mail: mzulian@usp.br .
23 julho, 2010
Seminário reúne Homeopatas de Brasil e Cuba em Havana
Promover o intercâmbio entre profissionais de Homeopatia do Brasil e de Cuba. Este é o objetivo do Encontro Brasil Cuba de Homeopatia, que chega, este ano, a sua terceira edição. Nos dias 21 e 22 de julho, farmacêuticos, médicos, veterinários e dentistas homeopatas se reunirão no Ministério da Saúde de Cuba, em Havana. Este ano o assunto tratado no seminários serão as epidemias, principalmente a epidemia de dengue.
Realizado a cada dois anos, o seminário de Homeopatia, uma realização do Instituto Lamasson e do Ministério da Saúde de Cuba, tem mantido o elo entre os dois países, reforçando o intercâmbio iniciado em 1993. “Como não havia Homeopatia em Cuba, o Instituto começou a formar profissionais e hoje mantém este intercâmbio para trocar informações e desenvolver, em conjunto, projetos de pesquisa”, explica Izao Carneiro, médico homeopata que é o articulador deste trabalho.
III ENCONTRO BRASIL CUBA DE HOMEOPATIA
21 e 22 de julho de 2010
Programa
Doenças crônicas – Izao Carneiro Soares
A prática clínica homeopática – Paulo Cesar Maldonado
Casos dermatológicos – Claudia Cardoso e Maria Mercedes Alves
Mesa redonda – A investigação homeopática na atualidade. Projetos conjuntos – Wagner Deocleciano Ribeiro, Maria de los Angeles Palau, Silvana Mantovani, Ana Rita Vieira de Novaes, Maria Diana Sales e Hylton Sarcinelli Luz









Nomeação: Elisabete Cunha
Encanto


